domingo, 17 de março de 2013

Via Email: SARAIVA 13: O JORNAL QUE INCOMODA FARDAS E BATINAS


SARAIVA 13


O JORNAL QUE INCOMODA FARDAS E BATINAS

Posted: 17 Mar 2013 03:56 PM PDT



Da Carta Maior - 16/03/2013

 

Foto do viomundo
Saul Leblon
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Na manhã seguinte ao anúncio de um Papa argentino, o jornal 'Página 12' sacudiu Buenos Aires com a manchete: '!Dios, Mio!'

Na 6ª feira, dois dias depois, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como 'acusações caluniosas e difamatórias' envolvendo o passado do Sumo Pontífice.

Em seguida atribui-as a 'elementos da esquerda anticlerical'.

Alvo: o 'Página 12' .

Com ele, seu diretor, o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.

A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o 'Página 12' como 'de esquerda' – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.

Mas erra esfericamente ao espetá-lo como 'anticlerical'.

O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio.

Fundado ao final da ditadura, em maio de 1987, o 'Página 12' é reconhecido como o grande ponto de encontro da luta pelo direito à memória na Argentina.

Não foi algo premeditado.

No crepúsculo da ditadura militar, um grupo de jornalistas de esquerda vislumbrou a oportunidade de criar um veículo enxuto, no máximo 12 páginas (daí o nome), mas dotado de densa capacidade analítica.

E, sobretudo, radicalmente comprometido com a redemocratização e com os seus desafios.

A receita das 12 páginas baseava-se num cálculo curioso.

Era o máximo que se conseguiria produzir com qualidade naquele momento; e o suficiente para a sociedade reaprender a refletir sobre ela mesma.

A fidelidade a essa diretriz (hoje o total de páginas cresceu e a edição digital tem mais de 500 mil acessos/dia) levou-o, naturalmente, a investigar os crimes da ditadura.

Seu jornalismo tornou-se um acelerador da transição que os interesses favorecidos pelo regime militar gostariam de maquiar.

Não apenas interesses econômicos.

Lá, como cá, existe um núcleo de poderosas empresas de comunicação, alvo agora da 'Ley de Medios', no caso da Argentina, que, por interesse financeiro, identidade ideológica ou simples covardia integrou-se ao aparato repressivo.

Usufruiu e desfruta vantagens dessa intimidade. Até hoje. O quase monopólio das comunicações é uma delas – combatida agora pelo governo de lá.

Naturalmente, a pauta dos direitos humanos dispunha de um espaço acanhado e ambíguo nessa engrenagem.

Não por falta de familiaridade com o assunto.

Mais de uma centena de jornalistas foram presos e muitos desapareceram na ditadura argentina.

A principal fábrica de papel de imprensa do país foi praticamente expropriada de seus donos.

Eles estavam presos, foram torturados. E então a transferência de propriedade se deu.

A sociedade compradora tinha como participantes o próprio governo militar e os principais jornais apoiadores do regime. Entre eles o 'El Clarín', de oposição frontal ao governo Cristina, atualmente.

O 'Página 12' não se deteve diante das conveniências. E vasculhou esses impérios sombrios.

Fez o equivalente em relação aos direitos humanos em outros países. Não raro, com a mesma mordacidade que incomoda agora o Vaticano.

Quando Pinochet morreu em 2006, a manchete indagava: 'Que terá feito o inferno para merecer isso?'

A condenação do ditador Videla à prisão perpétua, em 2010, mereceu letras garrafais: 'Deus existe!'

Foi com essa ironia, debochada, às vezes, mas sempre intransigente em defesa dos direitos humano, que o 'Página 12' tornou-se um espaço apropriado pelos familiares dos desaparecidos políticos.

Por solicitação de Estela Carlotto, atual dirigente das Abuelas de Plaza de Mayo, passou a publicar, desde 1988, pequenas atualizações da trajetória familiar de vítimas da ditadura.

Os anúncios sugerem uma espécie de prosseguimento da vida dos que foram precoce e violentamente apartados dela.

Filhos que perderam os pais ainda crianças, mencionam os netos que esses avós jamais viram; avós falam dos bisnetos.

O efeito é tocante. Ao se deparar com a foto de um jovem desaparecido, sabe-se que hoje ele poderia estar brincando com os netinhos, filhos dos filho que agora tem a idade com a qual ele morreu.

Em 2007, o 'Página 12' recebeu na Espanha o prêmio da Liberdade de Imprensa, instituído pela Casa da América, junto com a Chancelaria espanhola e o governo da Catalunha.

Motivo: a seriedade na defesa dos direitos humanos e o compromisso com o rigor da informação, requisito da liberdade de expressão.

No momento em que pairam sombras sobre o Vaticano, o que deve fazer essa cepa de jornalismo?

O 'Página 12' faz o que, em geral, desagrada aos poderes terrenos e celestiais: investiga, pergunta, rememora.

Ao contrário do que sugere o porta-voz da Santa Sé, não se trata de um cacoete anticlerical.

O assunto extravasa o campo religioso e envolve uma questão de interesse político de toda a sociedade.

Trata-se de uma responsabilidade ecumênica e universal, da qual o 'Página 12' não abre mão: o dever de todos, sobretudo das autoridades, de zelar e fazer respeitar os direitos humanos e democráticos dos cidadãos.

Sob quaisquer circunstancias; mas principalmente quando são ameaçados. Como na ditadura dos anos 70/80.

Há dúvidas se o passado do cardeal Mario Jorge Bergoglio nesse campo honra o manto santo que agora envolve Francisco, o desenvolto sucessor do atormentado Bento XVI.

As dúvidas estão marmorizadas em um lusco-fusco de pejo, silêncios e versões contrastantes.

É preciso esclarecer.

Há nomes, testemunhos, relatos, datas e um cenário dantesco: os anos de chumbo vividos pela sociedade argentina, entre 1976 e 1983.

O país do então líder dos jesuítas, Mario Jorge Bergoglio, vivia o inferno na terra, sob a ação genocida de uma ditadura cujos atos confirmam a indiferença aterrorizante dos aparatos clandestinos em relação à vida e à dor.

O que se ouve ainda arrepia.

A mesma sensação inspira o rosto endurecido e gasto dos líderes militares, julgados e condenados. Um a um; em grande parte, graças a pressão inquebrantável das denúncias e investigações ecoadas nas edições do 'Página 12'

Em sete anos, o aparato militar montou e azeitou uma máquina de torturar, matar e eclipsar corpos que operou de forma infatigável.

Nessa moenda 30 mil pessoas foram liquidadas ou desapareceram.

Mais de 4 mil e duzentos corpos por ano.

Filhos de militantes de esquerda foram sequestrados, entregues a famílias simpáticas ao regime.

Muitos permanecem nesse limbo.

No dia em que a 'fumata bianca' do Vaticano anunciou o 'habemus papam' e em seguida emergiu a figura do cardeal argentino, no balcão do Vaticano, Graciela Yorio esmurrou as paredes de seu apartamento, a 11.200 quilômetros de distancia, em Buenos Aires.

O relato está nos jornais argentinos e também na Folha de São Paulo.

A revolta deve-se a uma certeza guardada há 36 anos na memória dessa sexagenária.

Em maio de 1976, seu irmão, padre Orlando Yorio, foi delatado à ditadura sedenta e recém-instalada.

Juntamente com o sacerdote Francisco Jalics, este vivo, na Alemanha— Yorio ficou cinco meses nas mãos dos militares.

Incomunicáveis, na temível Escola Mecânica da Marinha, adaptada para ser a máquina de moer ossos do regime.

O delator dos dois religiosos teria sido o cardeal Bergoglio -- o Papa, então com cerca de 40 anos, líder conservador dos jesuítas argentinos.

Essa é a convicção de Graciela, baseada no que ouviu do irmão, falecido em 2000, militante da Teologia da Libertação, como Jalics.

Jalics não se pronunciou. Alegando viagem, emitiu uma nota na Alemanha em que se diz em paz e reconciliado com Bergoglio.

A nota compassiva não nega a dor que leva Graciela ainda a esmurrar paredes.

A estupefação tampouco é apenas dela.

Ainda que setores progressistas argentinos optem por uma certa moderação em público, muitas vozes não se calam.

Estela Carlotto, a dirigente das Abuelas de Mayo, em entrevista ao 'Página 12' deste sábado, procura manter a objetividade num relato que adiciona mais nuvens às sombras.

Carlotto afirma que o Cardeal Bergoglio nunca fez um gesto de solidariedade para ajudar a luta mundialmente reconhecida das mães e avós de desaparecidos políticos argentinos.

Poderia, mas não facilitou a reunião do grupo com o Papa. Ao contrário.

O primeiro encontro, em 1980, no Brasil, só aconteceu por interferência de religiosos brasileiros.

As abuelas só seriam recebidas em Roma três anos mais tarde; de novo, graças a contatos alheios ao cardeal Bergoglio.

Prossegue Estela Carlotto.

O cardeal teria sido conivente com o sequestro de pelo menos uma criança nascida na prisão.

Procurado por familiares da desaparecida política, Elena de la Quadra, teria aconselhado: 'Não busquem mais por essa criança que está em boas mãos'.

E desfechou sentença equivalente em relação às demais.

O 'Jornal Página 12' tem sido o principal eco desses relatos e dessa revolta, que muitos relativizam e gostariam de esquecer.

O que o jornal faz ao investigar as dúvidas que pairam sobre Francisco é coerente com o 'manual de redação' sedimentado na prática da democracia argentina nesses 25 anos de existência: não sacrificar a memória ao conforto das conveniências.

Pode soar anticlerical a setores da Igreja que gostariam de esquecer o que já se cometeu neste mundo, em nome de Deus.

Mas é um reducionismo improcedente, que se dissolve na trajetória reconhecidamente qualificada do 'Página 12'.

Na Argentina, graças à persistência de vozes como a de seus jornalistas, a memória deixou de ser o espaço da formalidade.

Hoje ela é vista como um pedaço do futuro. Um mirante poderoso para se entender o presente e superar as forças, e a lógica, que esmagaram a sociedade no passado.

Carta Maior orgulha-se de ser parceira do jornalismo criterioso e corajoso de 'Página 12' no Brasil.
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Do Blog ContrapontoPIG

JN esquece do jornalismo e presta enorme serviço à igreja católica

Posted: 17 Mar 2013 03:53 PM PDT


Don Odilo fala em deus e Patrícia responde emocionada: "Que assim seja"
Don Odilo fala em deus e Patrícia responde emocionada: "Que assim seja"
A exemplo de quarta-feira, quando foi eleito o novo papa, o Jornal Nacional de sexta-feira também foi quase todo dedicado ao assunto. Com a íntegra em mãos, planejava contar quantas vezes, em 33 minutos de noticiário, determinadas palavras apareceram. Desisti após o primeiro bloco, quando já se somavam 23 "papas", sete "Jesus Cristo", seis "missa" e uma pilha de "cardeais", "igreja", "basílica", "deus", "cúria", "senhor" etc. Montei então o roteiro de frases abaixo, todas ditas pelos apresentadores William Bonner (nos estúdios da Globo no Rio) e Patrícia Poeta (no Vaticano) e pelos repórteres da emissora que fizeram a cobertura por lá, na Argentina e em Jerusalém. É bom sublinhar que esse texto nem de longe consegue retratar o que foi essa edição do JN de fato. Tudo o que é descrito a seguir vinha acompanhado da entonação certa, trilha "emocionante", edição cuidadosa, sorrisos etc. As frases estão em ordem de aparição no programa:
"O primeiro dia do novo papa, a primeira missa"
"Como o papa se tornou conhecido pela simplicidade"
"Um papa matutino"
"Começou impondo um estilo novo ao papado e recusou o carro oficial"
"´Também sou um peregrino´, disse"
"Comportou-se como um padre, quase um pai de família. Nem usou o trono para a homília"
"Tem a simplicidade evangélica de João 23 e o sorriso paterno de João Paulo I"
"O papa Francisco começa a conquistar um certo fascínio que já existia entre os cardeais"
"O colégio de cardeais, num grande e inteligente gesto, em poucas horas mudou o rosto da igreja"
Uchôa se questiona:
Uchôa se questiona: "De onde vem essa inspiração,
 esse sentimento de humildade?"
Aí entra ao vivo Don Odilo Scherer, que respondeu a 4 perguntas rápidas. Terminou a última, sobre a "torcida brasileira" a seu favor, dizendo que "os cardeais deveriam escolher aquele que deus indicasse". E Patrícia, emocionada: "Que assim seja".
Vem então uma reportagem sobre beatificação de João Paulo 2º: "O papa peregrino, João Paulo 2º, pregou com gestos a humildade … tinha sorriso sereno e cativante … enorme carisma para se comunicar com as multidões… a igreja concluiu sua beatificação, último passo antes de torná-lo santo … O clamor começou logo após sua morte, em abril de 2005. Depois, veio a descoberta do primeiro milagre. A cura de uma freira francesa, que sofria de mal de parkinson". Sim, amigos. O tal milagre entra dessa forma, como uma notícia banal. E, mesmo em um jornalzinho de faculdade parece-me prudente, tratando-se de um "milagre", usar um "suposto" ou "segundo a igreja"…
Continuam as frases do JN:
"O moderado e humilde Jorge Bergoglio"
"Antes mesmo de se tornar papa, já era conhecido por cultivar hábitos simples"
"Nos primeiros gestos, nas primeiras palavras, já um jeito próximo, natural. ´Irmãos, irmãs, boa noite'. Ali estava não mais o Jorge, mas o Francisco"
"O nome já era um recado, mas era necessário mais. E para esse papa, o mais era o menos. Despojado, sem joias, apenas a batina branca"
"Repare no crucifixo, é de aço, nem mesmo é de prata"
"[Deixou que] vários cardeais se apertassem no elevador com ele"
"Preferiu ir de ônibus com os cardeais, deixando o carro especial do pontífice seguir vazio"
"De onde vem essa inspiração, esse sentimento de humildade? Até agora, o próprio papa não falou nada sobre isso"
"Francisco parece já ter definido como prioridade do seu papado a solidariedade para os que mais precisam"
"Ontem ao se despedir do público, dizendo ´boa noite, bom repouso´, parecia um pai que vela pelos filhos. Sua santidade. Santa simplicidade"
Começa um bloco sobre a vida de Bergoglio na Argentina. O JN lembrou rapidamente das críticas mais fortes que pesam sobre o novo papa, seu alegado apoio à ditadura no país vizinho: "Durante a década de 1970, na ditadura argentina, Bergoglio era a principal autoridade eclesiástica do país. Um jornalista o acusou num livro de ter dado informações que levaram à prisão de 2 padres jesuítas, que supostamente teriam ligações com grupos de esquerda. Em sua defesa, Bergoglio disse que há um documento que prova o contrário. Ele pediu a renovação dos vistos de permanência no país de um deles. Já um biógrafo do papa diz que ele agiu secretamente para ajudar a retirar perseguidos políticos da Argentina". Esse pedaço "crítico" do noticiário durou pouco mais de um minuto, e termina assim: "Papa Francisco tem posição semelhante a de Bento XVI: é contra o uso de preservativos".
Voltam as frases:
"Na terra santa, as pessoas rezaram e se disseram contentes com a escolha de um papa humilde, de nome Francisco"
"Por todo Oriente Médio foi assim: atenções voltadas para o homem de fala suave e olhar sereno"
"Procuramos muito e achamos uma lembrancinha, tá aqui Bonner: ´Habemus Papam Franciscum´"
"Procuramos muito e achamos uma lembrancinha,
tá aqui Bonner, to mostrando pra vocês"
"Já que estamos falando de carisma, o que chamou a atenção hoje aqui nas ruas do Vaticano foi o número de fieis tirando fotos, entrando nas lojas e perguntando se tinha um santinho, um terço, uma lembrança do novo papa. Isso horas depois dele ter sido eleito. E quem procurou muito, acabou encontrando. Eu achei, nós procuramos bastante e achamos, tá aqui: "Habemus Papam Franciscum [e mostra um santinho com a cara do argentino]. Tá aqui Bonner, tô mostrando pra vocês"
No bloco final, Patrícia ameaça com um pouco de jornalismo: "Apesar de tanto segredo, a imprensa daqui começa a publicar alguns detalhes do conclave que elegeu o novo papa. De acordo com o que um respeitado vaticanista declarou a um jornal italiano, a primeira votação apresentou o italiano Ângelo Scola, o canadense Mark Ouellet e Jorge Bergoglio com mais votos". Mas logo desconversa: "Mas isso não importa mais…".
E segue:
"Em mais uma demonstração do bom humor que estamos começando a conhecer, o papa brindou com os cardeais que o escolheram" 
Em seguida, recebe os cumprimentos do parceiro de bancada e editor do JN, William Bonner, que encerra assim o Jornal Nacional desse 15 de março:
"Missão cumprida, Patrícia. Para você e para toda nossa equipe que fizeram esse trabalho belíssimo aí no Vaticano, parabéns".
"Missão cumprida, Patrícia. Parabéns"
Lino Bocchini
No Desculpe a nossa fAlha

Dom Bergoglio e dom Paulo

Posted: 17 Mar 2013 12:34 PM PDT

Paulo Moreira Leite - IstoÉ

Um número grande de leitores do blogue tem escrito para reclamar de meus textos sobre o novo Papa.
A queixa mais recente envolve uma citação. Em nota recente, defini o jornalista Horácio Verbitsky como uma das grandes autoridades sobre direitos humanos na Argentina. Os leitores escrevem para lembrar que Verbitsky participou do grupo armado Montoneros, que cometeu sequestros e até execuções de inimigos durante o regime militar.
Lembro a nossos amigos que a vida de todo mundo é feita de contradições. Mesmo aqueles homens que os católicos descrevem como Santos não tiveram uma existência em linha reta, certo?
Verbitsky participou de uma organização armada e não acho que, nas circunstâncias daquele tempo, isso seja necessariamente vergonhoso. Pode ser honroso, conforme o ponto de vista de tantos argentinos. O debate não é este, porém.
Mais tarde, dedicou-se a pesquisar e investigar o que se passou naquele período. E foi nessa atividade que demonstrou um rigor fora do comum. Seus livros sobre o período militar são obras únicas pela disposição de investigar e  analisar rigor uma situação bastante complexa. É impossível entender a Argentina dos anos 80 sem ler o que escreveu sobre a guerra suja, os conflitos internos do peronismo e  o regime dos generais.
Isso aconteceu em outros países. No Brasil, antigos militantes da luta armada participaram das pesquisas e da redação do livro Brasil Nunca Mais. Isso não impediu que o livro fosse referência mundial em pesquisas sobre violações de direitos humanos.
A reação diante de  meus elogios ao trabalho de  Verbitsky, ajuda a lembrar que todos temos um passado e é preciso lidar com ele. E é aí que o debate sobre a atuação de José Mario Bergoglio faz sentido.
Depois da denuncia de Verbitsky, o Premio Nobel Adolfo Perez Esquivel tentou encontrar um conceito para definir  a atuação do então bispo Bergoglio naquele período. Disse que ele não fora cúmplice dos militares e que apenas não havia demonstrado "coragem" na luta por direitos humanos, naquele momento.
Foi o que bastou para que as denúncias de Verbitsky, que citou o caso de dois jesuítas que Bergoblio teria se recusado a proteger em hora de perigoso, fossem tratadas como "difamação" por seus aliados. Vamos com calma.
Ainda que o conceito de Esquivel seja o mais adequado, a constatação de  que um bispo não demonstrou "coragem" diante de um governo capaz de produzir 30.000 mortos, sequestrar mulheres grávidas e crianças me parece grave o suficiente para discutir sua de liderança para defender os fracos e indefesos em horas difíceis.
Este ponto é importante. A atuação da Igreja argentina no período militar foi tão vergonhosa que mais tarde ela chegou a pedir desculpas a população pelo apoio ao regime, o que dá uma  ideia do sentimento de repulsa de boa parte dos argentinos pelo comportamento de tantos padres e bispos naquela época.
Falta de coragem pode ser eufemismo para muitas atitudes, nós sabemos.
Mas não é um conceito que cabe a Igreja brasileira no mesmo período. 
Embora o regime de 64 tenha sido abençoado pela cúpula da Igreja, nos anos seguintes ela se tornou abrigo de boa parte das ações de oposição e resistência. Procure nas oposições sindicais e nas lideranças populares daquela época. Vai ser muito comum encontrar pessoas que, de uma forma ou de outra, tinham ligações com a luta social da Igreja.
Entre várias lideranças, poucas se destacaram como o Arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns. Quinze anos mais velho do que Bergoglio, dom Paulo viveu um mesmo período mas atuou de forma oposta.
Seu comportamento foi exemplar em momentos decisivos. 
Realizou uma missa pela morte do estudante Alexandre Vannuchi Leme, em 1973 e, dois anos depois, fez o culto ecumênico em função do assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Criou uma comissão para investigar crimes contra direitos humanos e desafiou a ditadura ao denunciar a situação brasileira durante visita de Jimmy Carter ao país. Dom Paulo também estimulou a defesa de direitos humanos em países vizinhos, denunciando a cooperação entre as ditaduras para perseguir adversários.
No fim da ditadura argentina, o mal-estar em torno de Bergoglio era tão grande que um dos jesuítas mencionados por Verbitsky, a quem não teria prestado ajuda na hora devida, reconciliou-se com ele. 
Ou seja, deu-lhe perdão.
Embora não lhe tivesse faltado coragem, Dom Paulo não foi perdoado pela valentia.  
Na mudança política promovida  a partir da posse de João Paulo II, sua diocese foi dividida, seus poderes foram diminuídos e os aliados foram encostados. Sob aplauso das fatias mais conservadores, vozes ligadas a resistência foram silenciadas, num processo dirigido pessoalmente por Joseph Ratzinger.
Se alguém quisesse contar a história como ela foi, e não como gostaríamos que tivesse ocorrido, é possível dizer que, com sua "falta de coragem" o bispo Bergoglio adivinhou o rumo que o Vaticano iria seguir nos anos seguintes.
Já a valentia de dom Paulo trouxe a admiração de tantos brasileiros, católicos ou não. Não lhe trouxe, contudo, as honrarias do sistema que transformou Bergoglio em Papa.

Curioso, não?


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Do Blog O Esquerdopata.

SUPREMO ENCALHE - MENSALÃO / LIVRO DE MERVAL PEREIRA É UM FRACASSO DE VENDAS

Posted: 17 Mar 2013 09:46 AM PDT

Nem mesmo toda a propaganda, divulgação pelos colegas de coluna no jornal e blogs, chamada para noite de autógrafos nos vários jornais da TV Globo e um programa especial na GLOBONEWS, foram suficientes para evitar o retumbante fracasso do livro "Mensalão -O dia a dia do mais importante julgamento...", escrito pelo "imortal" da ABL, AGORA COM LIVRO E MEIO PUBLICADO, Merval Pereira.

Na lista do site PUBLISHNEWS, o livro de Merval não aparece entre os 20 mais vendidos, enquanto o livro "A outra história do Mensalão", do jornalista Paulo Moreira Leite é colocado na 19a. posição, com 2091 exemplares vendidos.
Já no ranking do Caderno PROSA E VERSOS de O Globo, o Livro de Paulo Moreira Leite ocupa a 4a. posição, enquanto o de Merval está na 6a. posição, sendo que já caiu de posição no RANKING.

Não se surpreendam, porém, se nas próximas semanas o livro de Merval começar a vender. A propaganda sobre o livro vai aumentar, e uma "máquina de dinheiro" pode ser acionada, para comprar e distribuir exemplares do livro.

Que fique aqui registrado: O livro de Marco Antonio Villa (Mensalão) ocupa a 9a. posição no RANKING do Caderno Prosa e Verso, e que o livro "A PRIVATARIA TUCANA" foi um sucesso de vendas, bateu recordes e não recebeu da MÍDIA qualquer divulgação, pelo contrário, foi boicotado.

Em defesa do cliente Governo lança plano para ampliar fiscalização e aumentar a proteção nas relações de compra

Posted: 17 Mar 2013 07:01 AM PDT


CONSUMIDOR
Em defesa do cliente Governo lança plano para ampliar fiscalização e aumentar a proteção nas relações de compra

ROSANA HESSEL



A presidente Dilma acredita que a iniciativa é um passo importante no fortalecimento da cidadania (Ueslei Marcelino/Reuters)
A presidente Dilma acredita que a iniciativa é um passo importante no fortalecimento da cidadania

A presidente Dilma Rousseff aproveitou o Dia Mundial de Defesa do Consumidor, ontem, para anunciar o lançamento do Plano Nacional de Consumo e Cidadania (Plandec). A iniciativa sinaliza a pressa do governo em transformar o assunto em política de Estado. De concreto, por enquanto, será criada uma câmara nacional, formada por representantes dos ministérios da Justiça, da Fazenda, do Planejamento, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Casa Civil e cujo objetivo é acompanhar e fiscalizar as determinações do projeto.

A primeira missão do grupo é criar, nos próximos 30 dias, uma lista de produtos essenciais aos brasileiros. Depois dessa etapa, devem começar os trabalhos de elaboração de regras e determinação de prazos específicos para que as agências reguladoras fiscalizem e punam, de forma mais eficiente, a prestação de serviço das empresas. Além disso, técnicos desses órgãos vão compor três comitês técnicos — de consumo e regulação, de consumo e turismo e de consumo e pós-venda —, que, juntos, formarão um Observatório Nacional.

"Melhorar as relações de consumo é um passo importante no fortalecimento das próprias relações sociais e na projeção da cidadania", afirmou Dilma. "Um país que tem, pela primeira vez, a maioria da sua população na condição de classe média deve focar no consumidor", completou. O coordenador do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Fulvio Giannella Junior, comemorou a iniciativa, mas lamentou que o plano não contemple a participação efetiva da sociedade civil.

A iniciativa "recuperou assuntos importantes, priorizou outros e deixou alguns pontos que merecem aperfeiçoamento", ponderou ele. "De maneira geral, as mudanças são bem-vindas, uma vez que buscam estruturar, no âmbito do Estado, instâncias para uma efetiva integração entre órgãos e poderes estatais, o que não existia até agora", afirmou Giannella Junior.

On-line
Além disso, por meio do mesmo decreto que criou o Plandec, Dilma institui o Código de Defesa do Consumidor (CDC) para o comércio eletrônico. Com isso, as lojas virtuais terão até 60 dias para se adequarem às novas regras, como ter um mesmo canal para venda e pós-venda e respeitar as leis para a desistência da compra (em até sete dias).

O texto também altera o CDC para fortalecer a atuação dos Procons, cujos acordos terão valor jurídico, a fim de reduzir os processos no Judiciário e os seus custos. "Cerca de 70% da demanda dos juizados de pequenas causas são relativos ao CDC. Cada processo custa R$ 1 mil para resolver uma demanda de R$ 300", revelou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por sua vez, anunciou ontem que vai alterar as regras para as operadoras com relação ao atendimento, à cobrança e à oferta de serviços. O órgão abriu uma consulta pública para receber comentários e contribuições em até 30 dias. O presidente da Anatel, João Rezende, acredita que, com regras de maior transparência, os custos da telefonia poderão cair.

Apelo aos empresários
No evento de ontem, a presidente Dilma Rousseff aproveitou para pedir, mais uma vez, que os varejistas baixem os preços dos produtos da cesta básica na prateleira. O governo zerou, na semana passada, os impostos federais que incidem sobre todos itens de necessidade básica, como carnes, café e leite. A medida teve como objetivo conter a inflação, que fechou fevereiro em 6,3% ao ano, no acumulado de 12 meses. Os empresários, no entanto, não repassaram a isenção tributária para os consumidores, e a cesta básica acabou subindo 0,55% desde então, segundo o Dieese. "O governo acha que é fundamental reduzir o tributo. Mas precisamos que essa consciência seja também dos donos de supermercados e dos produtores", disse Dilma.
 

T – D (Todos menos Dilma)

Posted: 17 Mar 2013 05:41 AM PDT




Por Emir Sader*

A direita – tanto seus partidos, como sua mídia – já tem candidato para 2014: T – D. Todos menos Dilma. Todos contra a Dilma.

O objetivo que a direita coloca para si é tratar de impedir a vitória da Dilma no primeiro turno e, se der, tentar derrotá-la no segundo turno.

Para isso, recomeçou a busca de votos de todos os matizes: direita, extrema-direita, centro, centro-esquerda, extrema-esquerda. Vale tudo, contanto que some votinhos que eventualmente possam impedir a anunciada – por seus próprios cronistas – vitória da Dilma no primeiro turno.

Mesmo com a economia estagnada, como aconteceu em 2012, o apoio ao governo não deixou de crescer, porque a prioridade do governo são as politicas sociais, que foram preservadas da crise e continuam a crescer. Até mesmo os aumentos de salários e a criação de empregos formais tiveram continuidade. Para este ano se anunciam níveis de crescimento maiores e, portanto, daí não viriam desgastes no apoio ao governo.

Em suma, a dupla Lula-Dilma é imbatível eleitoralmente. Daí o desespero da direita, que busca evitar o pior: uma nova derrota – a quarta seguida –, desta vez já no primeiro turno.

E daí o incentivo e as especulações sobre as candidaturas possíveis – Aécio, Marina, Eduardo Campos, quem quer que venha da ultra- esquerda, contanto que some no T – D. Os tucanos cumprem com tristeza sua sina obrigatória de ter candidato, em quem ninguém acredita – ainda mais sob o fogo do derradeiro objetivo político que o Serra se coloca: torpedear a candidatura do Aécio.

Marina retoma seu show, como se o mundo não existisse, menos ainda a realidade concreta do Brasil e da América Latina, como se "tivesse" embaixo do braço 20 milhões de votos. 

A mídia incentiva a Eduardo Campos, que tem difícil dilema: se for candidato, terá que enfrentar o governo, perder para Dilma nos seus próprios rincões e se desgastar com o governo, não lhe podendo pedir apoio em 2018. Por isso é provável que esteja se lançando agora para depois retirar a candidatura, pedindo em troca apoio em 2018.

Vale tudo no T – D. Quem vier da ultra-esquerda – embora tenha claro que não terá mais do que o 1% do Plínio – também ajuda nessa difícil empreitada.

Para esse objetivo estão escalados todos os cronistas políticos da velha mídia, que não fazem outra coisa senão incentivar e especular sobre as candidaturas T – D.

De qualquer maneira, a direita se avizinha a uma derrota pior do que as outras, e isso lhes gera desespero. Nem T – D lhes bastará.
*Sociólogo, professor e escritor - via sítio da Agência Carta Maior
**Foto:Uol (reprodução)

Lula entra na briga por São Paulo

Posted: 17 Mar 2013 05:09 AM PDT



 Altamiro Borges, Blog do Miro

"A propaganda do PT paulista veiculada na rádio e tevê na quarta-feira (13) deve ter deixado muitos tucanos preocupados. Nela, o ex-presidente Lula foi a principal estrela e insinuou que pode vir a disputar o governo estadual em 2014. "Temos sido o partido que mais fez pelo Brasil. Está na hora agora de a gente ser o partido a fazer mais por todo o estado de São Paulo", afirmou no comercial de 30 segundos. A presidenta Dilma também foi escalada e falou das recentes reduções da conta de luz e dos impostos da cesta básica.
Lula não afirmou que será candidato – pelo contrário, ele tem dito e repetido que o seu papel em 2014 será percorrer o país para contribuir na reeleição de Dilma Rousseff –, mas a sua frase solta no ar foi o suficiente para estimular um bocado de especulação. Os jornalões, apavorados, sentiram o baque. A entrada em cena do ex-presidente, que goza de alta popularidade, poderia acelerar o fim do domínio de 18 anos do PSDB no principal estado da federação. Seria um golpe mortal na oposição partidária de direita.
A tendência maior é que Lula não concorra a nenhum cargo em 2014. Neste sentido, a disputa pelo governo paulista está descartada a princípio – mas a política é sempre muito dinâmica e reserva surpresas. O fato concreto é que Lula decidiu investir pesado nas eleições em São Paulo. O comercial da rádio e tevê confirma esta disposição. Seja com um candidato já testado nas urnas ou com um nome novo – como nos casos de Dilma e Haddad –, ele terá forte influência no pleito. Geraldo Alckmin, que anda muito desgastado segundo as pesquisas, que se cuide!"
 
Também do Blog BRASIL! BRASIL! 

Argentina vê Francisco como delator de irmão torturado

Posted: 17 Mar 2013 05:06 AM PDT


Graciela Yorio, 67, segura a foto do seu irmão Orlando, torturado pela ditadura argentina, na sua casa em Buenos Aires

Silvana Arantes, Folha de S. Paulo
"O papel que Jorge Mario Bergoglio desempenhou no sequestro e na tortura pela ditadura militar argentina (1976-1983) do padre Orlando Yorio ainda está por ser decifrado.
Que o agora papa Francisco use seu irrestrito poder na igreja para liberar documentos que esclareçam definitivamente qual foi sua atuação durante o regime militar é uma exigência de Graciela Yorio, 67, irmã do padre.
"Não quero sujar a imagem do papa. Que ele desfrute de seu poder. Mas exijo que a igreja nos ajude a encontrar a verdade", afirma a argentina à Folha, em entrevista concedida em sua casa, no extremo norte de Buenos Aires.
Particularmente, Graciela está convicta de que Bergoglio delatou seu irmão aos militares como sendo próximo à militância de esquerda, rotulando-o de "guerrilheiro".
Essa suspeita levou à prisão de Yorio, que foi torturado no principal centro clandestino de detenção em Buenos Aires durante a ditadura, a Esma (Escola de Mecânica da Marinha). "Meu irmão não tinha dúvidas sobre isso. E eu acredito em meu irmão", afirma Graciela."
Foto: Ignacio Sanchez
Matéria Completa, ::AQUI::

 
Do Blog BRASIL! BRASIL! 

Mensalão:Paulo Moreira Leite dá banho em Merval Pereira

Posted: 17 Mar 2013 05:00 AM PDT

 
Quem pensou que A Outra História do Mensalão, do jornalista Paulo Moreira Leite, iria fracassar, dançou. Segundo o site Publisnews, o livro de PML ocupa a 19º colocação, muito além do livro de Merdal Pereira, da ABL, livro esse que foi divulgado por todos os meios de comunicação do PiG e teve apoio de alguns ministros do STF.Isso é prova que a sociedade já percebeu que o julgamento do mensalão foi uma farsa.

O jornal que incomoda fardas e batinas

Posted: 17 Mar 2013 04:56 AM PDT

Na manhã seguinte ao anúncio de um Papa argentino, o jornal 'Página 12' sacudiu Buenos Aires com a seguinte manchete: '!Dio, Mio!'

Na 6ª feira, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como 'acusações caluniosas e difamatórias' envolvendo o passado do Sumo Pontífice.

Em seguida atribui-as a 'elementos da esquerda anticlerical'.

Alvo: o 'Página 12' .

Com ele, seu diretor, o jornalista, Horácio Verbitsky, que tem um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.

A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o 'Página 12' como 'de esquerda' – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.

Mas erra esfericamente ao espetá-lo de 'anticlerical'.

O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio.

Fundado ao final da ditadura, em maio de 1987, o 'Página 12' é reconhecido como o grande ponto de encontro da luta pelo direito à memória na Argentina.

Não foi algo premeditado.

No crepúsculo da ditadura militar, um grupo de jornalistas de esquerda vislumbrou a oportunidade de criar um veículo enxuto, no máximo 12 páginas (daí o nome), mas dotado de densa capacidade analítica.

E, sobretudo, radicalmente comprometido com a redemocratização e com os seus desafios.

A receita das 12 páginas baseava-se num cálculo curioso.

Era o máximo que se conseguiria produzir com qualidade naquele momento; e o suficiente para a sociedade reaprender a refletir sobre ela mesma.

A fidelidade a essa diretriz (hoje o total de páginas cresceu e a edição digital tem mais de 500 mil acessos/dia) levou-o, naturalmente, a investigar os crimes da ditadura.

Seu jornalismo tornou-se um acelerador da transição que os interesses favorecidos pelo regime militar gostariam de maquiar.

Não apenas interesses econômicos.

Lá, como cá, existe um núcleo de poderosas empresas de comunicação, alvo agora da 'Ley de Medios', no caso da Argentina, que, por interesse financeiro, identidade ideológica ou simples covardia integrou-se ao aparato repressivo.

Usufruiu e desfruta vantagens dessa intimidade. Até hoje. O quase monopólio das comunicações é uma delas – combatida agora pelo governo de lá.

Naturalmente, a pauta dos direitos humanos dispunha de um espaço acanhado e ambíguo nessa engrenagem.

Não por falta de familiaridade com o assunto.

Mais de uma centena de jornalistas foram presos e muitos desapareceram na ditadura argentina.

A principal fábrica de papel de imprensa do país foi praticamente expropriada de seus donos.

Eles estavam presos, foram torturados. E então a transferência de propriedade se deu.

A sociedade compradora tinha como participantes o próprio governo militar e os principais jornais apoiadores do regime. Entre eles o 'El Clarín', de oposição frontal ao governo Cristina, atualmente.

O 'Página 12' não se deteve diante das conveniências. E vasculhou esses impérios sombrios.

Fez o equivalente em relação aos direitos humanos em outros países. Não raro, com a mesma mordacidade que incomoda agora o Vaticano.

Quando Pinochet morreu em 2006, a manchete indagava: 'Que terá feito o inferno para merecer isso?'

A condenação do ditador Videla à prisão perpétua, em 2010, mereceu letras garrafais: 'Deus existe!'

Foi com essa ironia cortante, às vezes, mas sempre intransigente em defesa dos direitos humano, que o 'Página 12' tornou-se um espaço apropriado pelos familiares dos desaparecidos políticos.

Por solicitação de Estela Carlotto, atual dirigente das Abuelas de Plaza de Mayo, passou a publicar, desde 1988, pequenas atualizações da trajetória familiar de vítimas da ditadura.

Os anúncios sugerem uma espécie de prosseguimento da vida dos que foram precoce e violentamente apartados dela.

Filhos que perderam os pais ainda crianças, mencionam os netos que esses avós jamais viram; avós falam dos bisnetos.

O efeito é tocante ao se deparar com a foto de um jovem desaparecido que hoje poderia estar brincando com os netinhos na praça.

Em 2007, o 'Página 12' recebeu na Espanha o prêmio da Liberdade de Imprensa, instituído pela Casa da América, junto com a Chancelaria espanhola e o governo da Catalunha.

Motivo: a seriedade na defesa dos direitos humanos e o compromisso com o rigor da informação, requisito da liberdade de expressão.

No momento em que pairam sombras sobre o Vaticano, o que deve fazer essa cepa de bom jornalismo?

O 'Página 12' faz aquilo que em geral desagrada aos poderes terrenos e celestiais: investiga.

Ao contrário do que sugere o porta-voz da Santa Sé, o assunto extravasa o campo religioso e envolve uma questão política.

Um tema de interesse ecumênico universal, do qual o 'Página 12' não abre mão: o dever que todos, sobretudo as autoridades, tem de respeitar e fazer respeitar os direitos humanos e democráticos dos cidadãos.

Sob quaisquer circunstancias; e principalmente quando são ameaçados.

Há dúvidas se o passado do cardeal Mario Jorge Bergoglio nesse campo honra o manto santo que agora envolve Francisco, o desenvolto sucessor do atormentado Bento XVI.

As dúvidas estão marmorizadas em um lusco-fusco de pejo, silêncios e versões contrastantes.

É preciso esclarecer.

Há nomes, testemunhos, relatos, datas e um cenário dantesco: os anos de chumbo vividos pela sociedade argentina, entre 1976 e 1983.

O país do então líder dos jesuítas, Mario Jorge Bergoglio, vivia o inferno na terra, sob a ação genocida de uma ditadura cujos atos confirmam a indiferença aterrorizante dos aparatos clandestinos em relação à vida e à dor.

O que se ouve ainda arrepia.

A mesma sensação inspira o rosto endurecido e gasto de seus líderes militares, julgados e condenados, um a um.

Em sete anos, eles azeitaram uma máquina de torturar, matar e eclipsar corpos que operou infatigável.

Nessa moenda 30 mil pessoas foram liquidadas ou desapareceram.

Mais de 4 mil e duzentos corpos por ano.

Filhos de militantes de esquerda foram sequestrados e entregues a famílias simpáticas ao regime.

Muitos permanecem nesse limbo.

No dia em que a 'fumata bianca' do Vaticano anunciou o 'habemus papam' e em seguida emergiu a figura do cardeal argentino, no balcão do Vaticano, Graciela Yorio esmurrou as paredes de seu apartamento a 11.200 quilômetros de distancia, em Buenos Aires.

O relato está nos jornais argentinos e também na Folha de São Paulo.

A revolta deve-se a uma certeza guardada há 36 anos na memória dessa sexagenária.

Em maio de 1976, seu irmão, já falecido, padre Orlando Yorio, foi delatado a esse aparato sedento e recém-instalado.

Juntamente com o sacerdote Francisco Jalics, este vivo, na Alemanha— Yorio ficou cinco meses nas mãos dos militares, na temível Escola Mecânica da Marinha, transformada na máquina de moer ossos do regime.

O delator teria sido o cardeal Bergoglio. O Papa, então com cerca de 40 anos e um líder conservador entre os jesuítas.

Essa é a convicção de Graciela, baseada no que ouviu do irmão, falecido em 2000, militante, como Jalics, da Teologia da Libertação.

Jalics não se pronunciou, alegando viagem. Mas emitiu uma nota na Alemanha em que se diz em paz e reconciliado com Bergoglio.

A nota compassiva não nega a dor que levou Graciela a esmurrar paredes.

A estupefação tampouco é apenas sua, ainda que setores progressistas argentinos optem por uma certa moderação em público.

Estela Carlotto, a dirigente das Abuelas de Mayo, em entrevista ao 'Página 12' deste sábado, procura manter a objetividade num relato que adiciona mais nuvens às sombras.

Carlotto afirma que o Cardeal Bergoglio nunca fez um gesto de solidariedade para ajudar a luta mundialmente reconhecida das mães e avós de desaparecidos políticos argentinos.

Poderia, mas não facilitou a reunião do grupo com o Papa.

O primeiro encontro se deu em 1980, no Brasil, graças à mediação de religiosos brasileiros.

As abuelas só seriam recebidas em Roma três anos mais tarde, graças a essa intermediação.

Prossegue Estela Carlotto.

O cardeal Bergoglio teria sido conivente com o sequestro de pelo menos uma criança nascida na prisão.

Procurado por familiares da desaparecida política, Elena de la Quadra, teria aconselhado: 'Não busquem mais por essa criança que está em boas mãos'.

E desfechou sentença equivalente em relação às demais.

O 'Jornal Página 12' tem sido o principal eco desses relatos e dessa revolta, que muitos relativizam e gostariam de esquecer.

O que o jornal faz ao investigar as dúvidas que pairam sobre Francisco é coerente com o desassombro de um veículo que nascei justamente com esse propósito: não sacrificar a memória ao conforto das conveniências.

Pode soar anticlerical a setores da Igreja que gostariam de esquecer o que já se cometeu em nome de Deus nesse mundo.

Talvez se afigure assim, também, a certos círculos no Brasil.

Mas na Argentina, graças à persistência de trincheiras, como a do 'Página 12', a memória deixou de ser o espaço da formalidade.

Hoje a memória é vista como um pedaço do futuro. Um mirante poderoso para se entender o presente e superar o passado.

Carta Maior orgulha-se de ser parceira do jornalismo criterioso e corajoso de 'Página 12' no Brasil.

Postado por Saul Leblon
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Do Blog O Esquerdopata.

Contra ofensas que conservadores fazem a Lula e Dilma

Posted: 17 Mar 2013 04:48 AM PDT

Foto: Brasil 247 
Um dos mais importantes especialistas do País na área trabalhista, o advogado Valter Uzzo criou um fato político ao enviar para amigos e-mail remetido para um de seus conterrâneos da cidade de Pompéia, no interior de São Paulo, chamado apenas por Lara, listando uma série de argumentos contrários à proliferação de spams jocosos sobre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Roussseff.
Ex-presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo, Uzzo, no texto, descreve o cenário histórico da presença e influência das forças conservadoras na política brasileira.
O e-mail de Uzzo está sendo velozmente disseminado pela internet, ganhando status de peça política contra a discriminação ideológica às forças de esquerda.
Abaixo, o conteúdo completo:
Caros
Um amigo meu de infância passou a me mandar um volume enorme de e-mails com piadas, comentarios e afirmações  sempre depreciativas em relação ao Lula, Dilma, PT, etc. A situação foi em um crescendo tal, que atingiu as ráias da provocação e do insulto, até que, outro dia, resolvi responder. E mandei este pequeno texto, que é, em verdade, o que penso de pessoas como ele que, a  pretexto de criticar, escondem hipocritamente suas indéias e concepções.
Abcs.
Valter Uzzo
Sent: Tuesday, February 05, 2013 3:42 PM
Caro Lara:
Tenho, quase que diariamente, recebido os seus e-mails, que trazem piadas, "fotos interessantes", e propaganda daquilo que, politicamente, você acredita. Quero crer que estou me dirigido à pessoa certa, ou seja, ao Lara que conheci em Pompéia, na infância e adolescência. Se assim é, tenho algumas gratas recordações, de nossa convivência que, ao tempo, pela idade e sem as agruras que viríamos a experimentar durante a vida, era muito boa. Recordo-me mesmo que uma das suas habilidades, invejada por todos nós da mesma classe ginasial, era a incrível capacidade que tinha de "colar",  já que você se abastecia  de um grande estoque das "sanfoninhas" (era o tipo de "cola" da época), que escondia perfeitamente em sua mão direita e que lhe permitia - grande perfeição! - colar sem interromper a escrita e, - perfeição maior! -, até mesmo diante do olhar atento do professor. Ao que me recordo, nunca, nenhum dos professores, na fiscalização que faziam, conseguiu algum êxito  diante de você. Nesse partícular, você era imbatível.
Mas, deixando-se de lado tais reminiscências, eu estou me dirigindo à você para tratar de assunto que, diante de sua volumosa correspondência eletrônica, parece lhe interessar: trata-se de questões que envolvem a visão que temos da forma como vem sendo dirigido este país,  melhor dizendo, a questão política. Para se ter uma conversa franca, devo dizer que temos uma visão de mundo muito diferente. Acho mesmo, oposta. Em minha profissão (sou advogado) acabei aprendendo a conviver na divergência, já que, diariamente, senta do lado de  lá da mesa de audiência, ou dos autos do processo, um colega de mesmo grau de escolaridade que defende justamente o contrário. Adversário. Mas, terminada a audiência, retomamos o relacionamento, ou seja, é um aprendizado constante e permanente, a nos ensinar que devemos respeitar os que pensam de forma diversa. Transposta tal relação para a política, também aprendi a respeitar aqueles que tem uma visão de mundo diferente da minha,  embora com eles não concorde. Entre tais "adversários" de pensamento existem dois tipos: os que assim agem por convicção, e os que agem por interesse. Creio que você se  enquadra entre os primeiros, ou seja, você tem ideias, a meu ver,  que eu classifico como "conservadoras", mas que são catalogadas no jargão político comum  como  "reacionárias", ou por alguns "direitistas", ou, se formos levar ao extremo a sociologia política, "fascistas". Para  mim, no entanto, você é um  "conservador", por convicção. E é aí que eu quero conversar com você.
Existe  no Brasil uma forte corrente de pensamento conservador. Sempre existiu, aliás, durante o império e durante a república,  todos os presidentes e Governos , até 2003, sempre tiveram um perfil conservador, uns mais outros menos. Todos. Getúlio Vargas (1º Governo, ditadura) liderou uma "revolução" -que não era revolução no sentido sociológico do termo- contra práticas condenáveis da República Velha, só isso.    Pertencia a elite agrária, era fazendeiro e fez um Governo ambíguo, criando uma  legislação trabalhista (que estava sendo criada, ao tempo, por quase todos os países de mesmo grau de desenvolvimento que o Brasil), e criou dois partidos políticos – o PTB, para lhe servir – e o PSD, conservadoríssimo, para ajudá-lo a governar. No mais, encarcerou a oposição e restringiu as liberdades públicas.. Em 45 foi substituído pelo Dutra (outro conservador), que dissipou todas as reservas cambiais  que havíamos acumulado com a substituição das importações, durante a guerra. Getúlio volta em 1950  e aí, após um início de governo meio indefinido, começa a aproximar-se de  ideias progressistas, mas não conseguiu implementá-las, já que, ameaçado de deposição, suicidou-se. Juscelino foi um inovador em realizações, mas seu governo, embora aparentemente liberal nos costumes, sempre  foi um produto das classes dominantes e um fiel seguidor da política americana. Jânio se foi muito rápido , e Jango também nada tinha de progressista: era filho de uma família  de riquíssimos fazendeiros, era despreparado para a função e sua queda  dá bem a medida de seus compromissos de classe: preferiu viver rico no exílio, do que participar ou liderar uma revolução popular com a qual não se identificava. Seguiram-se os governos militares, Sarney, Collor, Itamar e  Fernando Henrique. Se examinarmos todas as medidas tomadas por tais governos (algumas muito boas, até) veremos que  nenhuma delas teve a preocupação ou conseguiu alterar o sistema de distribuição de renda no país, um dos mais injustos do mundo. A dívida externa sempre em patamares impagáveis, o salário mínimo medeando entre U$ 80 a U$ 120 dólares, lenta queda da mortalidade infantil, poucos avanços na afalbetização, grande transferência de rendas para o exterior, sistema de saúde pública catastrófico, destruição da escola  pública,  gigantesca falta de moradias e favelização, polícia corrupta, Justiça que não funciona, previdência privada mais cara do mundo, seguros mais caros do mundo, alta tributação e assim foi. Só discursos, só demagogia,  e muita roubalheira.
Aí vieram a eleição em 2003, reeleição do Lula e eleição da Dilma. Muitos erros, houve e há corrupção, muitas coisas não deram certo, os quadros do PT, em grande parte, eram despreparados para administração, enfim, as coisas não saíram como o PT pregava. No entanto, o salário mínimo triplicou (em dólares), a renda familiar cresceu, a dívida externa foi paga, o consumo aumentou muito, o emprego cresceu (e o desemprego despencou)  e o Brasil conseguiu crescer,  ao meio de uma grande crise internacional. Caro Lara, esses são fatos . Fato é fato, não é discurso, nem proselitismo político, nem palavrório. FATOS. O País está em regime de pleno emprego (é a 1ª. vez em nossa história que isso acontece), e no ano de 2011, em um universo de 200 países, fomos o 4º. País do mundo em receber investimentos externos, só atrás dos Estados Unidos, China e Hong Kong (notícia do Times, reproduzida no Estadão e Folha na semana passada, com pouco destaque). A arenga  de que o Governo, em 2003, pegou uma condição internacional favorável é coversa para boi dormir: muitos outros países não progrediram, muitos entraram em crise, o sistema financeiro internacional  em 2008 quase ruiu, enfim, o Brasil navegou muito bem por sua conta e seus méritos. Pensar de  modo diverso é revolver a mentalidade colonialista.
Mas, estou eu a pretender que você se torne um apoiador do Lula e da Dilma? É claro que não, até porque na nossa idade ninguém muda mais. É que eu acho que essa sua "cruzada" contra, poderia ser muito mais consequente e séria. Já que na clássica definição "partido político é a opinião pública organizada", porque vocês, conservadores, não fundam um partido que expresse tal  ideologia? A grande farsa que existe é que os conservadores, ou os direitistas, ou os neoliberais, não assumem o próprio rosto. O PSDB (neoliberal) não se diz neoliberal, diz que vai mudar, que é de centro esquerda, que é progressista, e outras baboseiras mais. Porque não se diz  neoliberal, e faz um programa neoliberal?. E vocês, conservadores, porque não se assumem, e fazem um programa com o conteúdo daquiIo que vocês acreditam; contra as cotas, contra o aborto, contra o casamento gay, pela redução dos direitos trabalhistas, dos impostos, por uma política externa mais invasiva, etc, etc, tal qual o Partido Republicano (Conservador) dos Estados Unidos? Se você fizer as contas, aqui como lá, o eleitorado se divide, o que, aliás, ocorre em todos países civilizados  (França Inglaterra, Austrália, Itália, Espanha, Alemanha, Austria, etc, etc, etc). Ou seja, no mundo todo, o eleitorado se divide em conservadores e progressistas. Mas, aqui não, em razão da hipocrisia política da direita, a luta não é limpa.  Estimule a criação de um  verdadeiro partido conservador, que defenda  as teses conservadoras e o modo de governar  conservador e aí, sim, teríamos um debate limpo, direto, sem enganações, sem subterfúgios. A meu ver, essa situação da direita esconder suas verdadeiras propostas, de vestir um manto progressista quando não o é, é a pior forma de trapacear uma nação, posto que esconde seus verdadeiros desígnios. Em suma, já é tempo de  sair do armário e vir corajosamente para o debate de ideias.
O outro ponto que gostaria de conversar com você  é sobre a forma negativa e pejorativa de sua "crítica" política. As piadas, imagens, dizeres, etc, que se referem aos que não pensam como você, revelam um rancor que tem de tudo: preconceito, desinformação, insultos, etc. Se você acha que este tipo de crítica desperta alguma simpatia para as suas ideias, ou fazem mal a figura dos criticados, então está na hora de você fazer algumas reflexões sobre o que muda as pessoas. Uma pessoa decente muda de opinião quando você demonstra que ela está errada. Só não mudará se tiver "interesses" em se manter no erro, ou, então,  se por alguma razão (preconceito, ignorância, intolerância, irracionalidade, etc) não entender o seu erro e o significado da mudança.  Fora disso, a  "propaganda" pejorativa  contrária é um tiro na culatra. E isso é tanto no aspecto individual como coletivo. O Lula cresceu eleitoramente depois que mudou sua imagem para o "Lula, paz e amor". Antes, o eleitorado  preferia  o FHC, com sua voz e modos blandiciosos. Serra com sua linguagem belicosa só perdeu votos. Obama derrotou duas vezes os seus adversários com um discurso suave,  sofrendo agressões de todo os lados. O Berluscomi e Sarkosi, na  Itália e França,  perderam as eleições, em razão de suas práticas autoritárias e arrogantes. Enfim, na medida que a sociedade evolui, essa linguagem truculenta, ofensiva, enganosa, que intui uma falsa moralidade e prega medidas radicais  extremadas (para os outros, nunca para si) vai caindo em desuso, não engana mais ninguém. Pode ter servido em outra época, chegou a levar os hitlers  e mussolinis ao poder, mas, hoje em dia, ninguém mais cai neste canto de sereia. As pessoas querem é ser convencidas, sem imposições.
Bem, fico por aqui. Se você quiser prosseguir mandando-me os e-mails, gostaria que não mais me enviasse os relativos à política, a não ser quando nesta terra tiver um partido conservador, ou direitista, ou de natureza fascista (o Plínio Salgado pelo menos teve coragem e  honestidade criando os "camisas verdes"), para que se possa ter um debate decente e honesto. Daí sim, quem sabe, talvez até eu me convença de que existe alguma verdade nessas ideias trapaceadas e escondidas sob o manto de uma falsa moralidade. Ideias tão escondidas, tal  como você fazia com as colas  e era invejado por toda  classe.
Abraços  e saudades.
Valter Uzzo
PS:   Se você não é a pessoa que eu penso, peço desculpas.
No Educação Política

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Francisco Almeida 




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