sábado, 16 de março de 2013

Via Email: SARAIVA 13: As especulações sobre a próxima eleição


SARAIVA 13


As especulações sobre a próxima eleição

Posted: 16 Mar 2013 04:22 PM PDT

As eleições de 2014 ainda estão, para a vasta maioria da população, a uma distância colossal. Nas pesquisas, é só depois de algum esforço que as pessoas se recordam que elas ocorrem daqui a um ano e meio.
Enquanto isso, nos meios políticos e na "grande imprensa", é como se fossem acontecer amanhã.
Será nossa terceira eleição nacional em que o presidente em exercício é candidato. Antes de Dilma, Fernando Henrique, em 1998, e Lula, em 2006, passaram pela experiência. Ambos tiveram sucesso, mas de maneiras diferentes.
A que temos no horizonte se assemelha à do tucano. Nada indica que Dilma terá que lidar com turbulências tão fortes quanto as que atingiram Lula, seu governo e o PT em 2005 e 2006. Nem o mais exaltado oposicionista imagina que ela venha a enfrentar situação análoga à que seu antecessor viveu no meses de auge das denúncias contra o "mensalão".
Como FHC, Dilma deve disputar seu novo mandato em momento mais marcado pela normalidade que pela excepcionalidade: sem crises agudas na economia, na política ou no cotidiano da sociedade. Não que o País estivesse no melhor dos mundos em 1998, como vimos imediatamente após as eleições, mas nada que impedisse a vitória relativamente tranquila do então presidente.
Apesar dessa semelhança, é grande o contraste entre o ambiente de opinião que vivíamos em 1997 e o de agora.
A partir de junho daquele ano, quando foi promulgada a emenda que permitiu a Fernando Henrique concorrer a um novo mandato, entramos em período de calmaria. O escândalo da compra de votos para aprovar a mudança constitucional havia amainado, a tropa de choque governista impedira a constituição de qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito e a Procuradoria-Geral da União, dirigida por alguém escalado para tudo engavetar, mantinha-se inerte. Os ministros da Suprema Corte preferiam se entreter com outras coisas.
Nesse clima de tranquilidade, ninguém se pôs a especular a respeito de nomes e cenários. Dir-se-ia que, uma vez estabelecido que FHC seria candidato - independentemente dos meios utilizados -, os comentaristas e analistas ficaram satisfeitos com a perspectiva de que ele viesse a vencer as eleições seguintes. É como se achassem que não era somente natural, mas desejável que o peessedebista permanecesse no Planalto por mais quatro anos.
Bom sintoma dessa pasmaceira é que sequer se fizeram pesquisas sobre a eleição até o final de 1997, pelo menos que fossem divulgadas. Apenas uma foi publicada, já em novembro. Ninguém se mostrava ansioso a respeito de quem tinha condições de ganhá-la.
O jogo havia sido jogado e o PSDB parecia imbatível.
A vantagem de FHC sobre seus oponentes era, no entanto, muito menor que a de Dilma hoje. Naquela pesquisa de novembro de 1997, realizada pelo Ibope, obtinha 41%, seguido por Lula com 16% e Sarney com 9%.
Sua liderança permaneceu modesta nos primeiros meses de 1998: em março, segundo o Datafolha, repetiu os 41% (com Lula alcançando 25% e sem Sarney). Caiu a pouco mais de 30% entre abril e junho, e voltou aos 40% daí em diante. Na véspera da eleição, atingiu o pico, com 49%.
Nas muitas pesquisas sobre a próxima eleição feitas ao longo de 2012, Dilma nunca obteve menos que 55% e muitas vezes chegou aos 60%. Mesmo quando se colocaram na lista nomes apenas para fazer barulho, como o de Joaquim Barbosa.
Quem achou, em 1997, que FHC iria ganhar com seus 40%, não errou. Um presidente bem avaliado, em um momento em que o País vai bem (ou parece andar bem), tem tudo para vencer.
De onde, então, tiram os analistas da "grande imprensa" seu ceticismo em relação às chances de reeleição de Dilma? De onde vem seu afã em identificar os "formidáveis adversários" que poderiam derrotá-la?
No momento, estão enamorados pelo governador Eduardo Campos (PSB-PE). Devem acreditar que as possibilidades de alguém vindo do bloco governista são maiores que as de oposicionistas genuínos.
Não é isso, todavia, que desejam os vários "amigos" que Campos tem hoje na mídia de direita e nos partidos de oposição. O que querem é que seja um coadjuvante, que tome votos à esquerda e no Nordeste da presidenta e faça alguma coisa que ajude o candidato do PSDB a suplantá-la.
É verdade que o dinamismo do socialista atrai os que se sentem desconfortáveis com o estado atual da candidatura tucana. Aécio passa por um momento delicado, espremido entre as traições dos serristas e o patético esforço da velha guarda de seu partido em abduzi-lo e mantê-lo sob controle, encarregando-o da inglória missão de defender a "herança de Fernando Henrique".
Como o lançamento da Rede de Marina Silva deu em nada, resta aos anti-lulopetistas, no momento, a ilusão de Campos. Falta combinar com ele se pretende ser o porta-voz da direita e se o eleitorado conservador o reconhecerá e se sentirá confortável com ele.
Mas isso tudo é secundário. Como em 1997, quando a eleição de 1998 parecia definida - e estava mesmo -, a eleição de 2014 tem cara de resolvida. Por mais que alguns se aborreçam com o fato.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox populi

A sonegação de Feliciano

Posted: 16 Mar 2013 02:47 PM PDT

Documentos obtidos por IstoÉ mostram que o polêmico presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara escondeu da Justiça Eleitoral ser dono de empresas, entre elas um consórcio de imóveis que ele próprio induzia fiéis a comprar em seu programa gospel.
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ENROLADO
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Marco Feliciano,
terá de se explicar por ter sonegado informações ao tribunal
"Realize, em nome de Jesus, o sonho da casa própria. Com apenas R$ 300 por mês você adquire um consórcio que dará uma carta de crédito de R$ 30 mil." Era com essa frase que o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) encerrava, até bem pouco tempo atrás, seu programa de pregações na tevê. Na tela, o sermão teatral era substituído pelo apelo comercial, enquanto números de telefones em seis capitais, inclusive Brasília, surgiam no canto da tevê com o logotipo da empresa GMF Consórcios. Quando foi questionado por estar se utilizando da fé alheia para acumular lucros, Feliciano saiu com a desculpa de que fazia apenas a propaganda de um patrocinador de seu programa televisivo. Agora se sabe que ele não falou a verdade. A GMF pertence ao próprio pastor. Foi criada em 2007 com mais três pastores. A atividade econômica era "comércio de programas de computador e serviços de internet", mas mudou para "administração e representação comercial de consórcios de bens e direitos". No contrato social, obtido por ISTOÉ, os sócios foram substituídos por Edileusa Feliciano, sua mulher.
Poderia ser uma questão meramente ética ou ideológica. Uma discussão sobre a mercantilização da fé, de um pastor que se notabiliza por arrancar senhas de cartões de crédito e somas em dinheiro de milhares de fiéis. Afinal, o que esperar de um líder religioso que prega a intolerância sexual e o preconceito racial? Nada disso o impediu de assumir, após uma costura partidária atrapalhada, a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
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Trata-se da maior aberração política dos tempos recentes. E Feliciano ainda cometeu desvios graves de conduta, incompatíveis com o exercício do mandato parlamentar. Na declaração de bens que apresentou à Justiça Eleitoral em 2010, por exemplo, ele omitiu ser proprietário da GMF Consórcios. Outra empresa também ficou fora da declaração de renda de Feliciano: a Cinese – Centro de Inteligência Espiritual, um curso preparatório para concursos cujas atividades foram encerradas no fim de 2009 e deveriam constar na declaração de Imposto de Renda do ano seguinte. Entre os R$ 634,8 mil em bens declarados oficialmente pelo pastor-deputado constam apenas as empresas Kakeka Comércio de Brinquedos e Vestuário, Marco Feliciano Empreendimentos Culturais e Eventos, e Tempo de Avivamento Empreendimentos, além de cinco veículos e oito imóveis. Informações registradas em base de dados de crédito, porém, indicam ao menos outros seis endereços em seu nome. Os imóveis ficam localizados nas cidades paulistas de Orlândia, Ribeirão Preto e São Paulo.
Os negócios tocados por Marco Feliciano e sua mulher, Edileusa, obedecem a um "modus operandi". Primeiro, as empresas são criadas em nome de pastores que trabalham para a dupla. Em seguida, eles repassam suas cotas para Feliciano. Alguns desses ex-sócios hoje têm seus salários pagos com verba da Câmara. É o caso do pastor André Luis de Oliveira, que recebe até R$ 7 mil do gabinete de Feliciano, mas nem sequer bate ponto lá. Oliveira, na verdade, comanda o templo da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento em São Joaquim da Barra (SP). O pastor foi um dos fundadores da GMF Consórcios, ao lado de Joelson Heber Tenório, outro assessor fantasma cujos vencimentos somam R$ 6 mil. Tenório dirige a filial da igreja de Feliciano em Ribeirão Preto. O mesmo acontece com Rafael Octavio, pastor da igreja em Franca, funcionário do gabinete com salário de até R$ 7 mil e ex-sócio na Grata Music, empresa registrada em nome da mulher de Feliciano. Além de agraciar com dinheiro público pastores amigos, eles ainda eram sócios de Feliciano quando este já era deputado, o que pode complicar ainda mais a sua situação.
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Na semana passada, o presidente da Comissão de Direitos Humanos esteve sob fogo cruzado. Foi divulgado também que Feliciano usou a verba de gabinete para pagar advogados de suas empresas. Rafael Novaes defende a empresa Marco Feliciano Empreendimentos Culturais na ação em que é acusada de não cumprir contratos e embolsar o dinheiro de um evento ao qual o pastor não compareceu. O advogado Matheus Bauer também está na folha de pagamento da Câmara, apesar de não trabalhar no gabinete e compor a equipe do escritório Favaro e Oliveira. O escritório recebeu mais de R$ 30 mil da verba indenizatória.
As suspeitas de sonegação de informações sobre patrimônio e de desvios de recursos públicos podem transformar Feliciano em réu na Comissão de Ética da Câmara. Dependerá da disposição de seus colegas de Parlamento, que até agora fizeram vista grossa aos protestos contra a permanência do pastor na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Mas, diante das novas denúncias, já há uma movimentação nos bastidores da Casa para não só apeá-lo do cargo como questioná-lo por quebra de decoro na Comissão de Ética. Com posições que agridem garantias e direitos assegurados pela Constituição, Feliciano passou a última semana se defendendo das críticas de organizações civis. O PSC chegou a se reunir para discutir a indicação de outro nome para a comissão, mas no fim optou pelo enfrentamento. A bancada preferiu culpar as legendas que preteriram a comissão, num recado direto ao PT, que por uma década dominou o colegiado.
Ao assumir os trabalhos da comissão na quarta-feira 13, Feliciano retirou da pauta todos os temas considerados relevantes, como a discussão sobre união estável entre pessoas do mesmo sexo. Em mais um capítulo da batalha, 11 parlamentares recorreram ao Supremo Tribunal Federal para tentar inviabilizar a gestão de Feliciano. "Apelamos para o Judiciário para impedir que a comissão se transforme em um centro fundamentalista e retrógrado", afirma Domingos Dutra (PT-MA), antecessor do pastor no cargo.
Claudio Dantas Sequeira e Izabelle Torres
No IstoÉ


Os miquinhos amestrados do Tio Sam

Posted: 16 Mar 2013 02:40 PM PDT

Os miquinhos amestrados do Tio Sam
Difícil encontrar um brasileiro que não tenha sido um dependente da cultura norte americana. Mascar chiclete, falar fanho, curtir rock, torcer contra os índios, entre outros símbolos do estilo de vida dos gringos, fazia parte do "pelotão de frente" dos que hoje seriam classificados como vitimas do complexo de vira lata.
Adoravam o Humphrey Bogart fazendo o papel de Humphrey Bogart em todos os seus filmes. O Elvis não era tão cafona quanto o Sidney Magal. O Frank Sinatra sempre imitando Frank Sinatra. A Disneylândia não era tão chata e cansativa quanto hoje.
Esses domesticados colocaram nomes em filhos como: Faireston, Daiana, Maicom... podre de chique...
Não se podia criticar os Estados Unidos porque seria etiquetado como comunista. Que horror!
Imagem Activa
Mônica Levinski: Ajoelhou, tem que rezar...
Os tempos mudaram. E os Estados Unidos mudou. Vemos que o capitalismo é uma merda tão grande quanto o comunismo. Ou talvez maior.
Hoje, no Brasil, já existem espaços e exemplos que podemos pensar grande e ter alma de matriz. Já podemos sonhar e viver uma democracia mais inteligente, humana e feliz.
Claro que ainda temos os eternos vira latas, sempre a procura de um dono, que ainda julgam os demais brasileiros com base no que eles mesmo são: miquinhos amestrados do Tio Sam.
Jamais eles sonhariam que o Brasil seria um dia a sexta maior economia do mundo. Na frente de uma Inglaterra, por exemplo.
E os gringos?
Esses viraram trogloditas, com pelo e sangue nas mãos. Ao invés de conquistar simpatizantes no charme, no dialogo, preferiram usar seu poderio bélico. Em quantas guerras os ianques entraram nesses últimos 50 anos? Todos os inimigos eram os bandidos do filme (comunistas, terroristas, islâmicos, fanáticos). Só os Estados Unidos foram considerados os mocinhos... Você sabe o que eles estão fazendo lá no Afeganistão? Acho que nem eles sabem. Faz parte da sua cultura matar. E roubar petróleo. Só isso.
E a Europa? As soluções neoliberais de austeridade generalizada e de destruição dos serviços públicos hoje propostas (ou melhor dizendo, impostas) para tentar salvar o capitalismo em crise e relançar o crescimento são absurdas; elas constituem a forma mais segura de agravar ainda mais esta crise e de precipitar mais rapidamente o sistema no abismo. E isto ao mesmo tempo que favorecem, por todo o lado, a subida em força das extremas-direitas, racistas, demagógicas e sempre cúmplices da ordem estabelecida. (De Rémy Herrera no Blog do Nassif).

Do Blog Sr.Com

Duas tonalidades de sombra

Posted: 16 Mar 2013 02:34 PM PDT


Foto: Cardeal Bergoglio 
(agora Papa Francisco)
e o general Jorge Videla, um dos
maiores ditadores argentinos

Luciano Martins Costa, Observatório daImprensa

"Os jornais brasileiros abrem espaço para a defesa do papa Francisco, no debate que se estabeleceu assim que foi anunciado o nome do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio para o trono do Vaticano. O ponto focal é: que papel ele jogou durante a ditadura militar?

Com tudo que tem de retrógrada e atual, essa questão central remete a um contexto muito contemporâneo: a sociedade brasileira, assim como quase todos os países latino-americanos, está dividida em dois grupos antagônicos, duas visões de mundo divergentes que se tornam cada vez mais ortodoxas conforme se agrava o radicalismo presente na mídia e nas redes sociais digitais.

Nas edições de sexta-feira (15/3), os jornais reproduzem declaração do arquiteto argentino Adolfo Pérez Esquivel – que em 1980 recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua campanha pacifista contra a violência política –, no qual afirma não considerar que o cardeal Bergoglio tenha sido cúmplice da ditadura, mas que lhe faltou coragem para acompanhar a luta pelos direitos humanos nos momentos mais difíceis.

Como os jornais recortam sua manifestação, melhor ler a íntegra do texto original, em seu site autobiográfico (ver www.adolfoperezesquivel.org).
Interessante destacar como Esquivel declara desejar que o novo papa "dê alento às transformações sociais que vêm ocorrendo na América Latina e em outras partes do mundo, nas mãos de governos populares que tratam de superar a noite do neoliberalismo".

No contexto de extremismos em que tudo é enquadrado por estes dias, esse posicionamento do prêmio Nobel o colocaria automaticamente em um dos lados da conflagrada disputa por corações e mentes que se pode acompanhar nas redes sociais e na imprensa. No entanto, sua discordância quanto às acusações levantadas contra Bergoglio produz certamente algum desconforto entre seus simpatizantes e admiradores, ainda mais se considerarmos que a denúncia de que o papa foi colaborador e até mesmo cúmplice de crimes das forças de repressão na Argentina partiu de familiares de vítimas da ditadura e foi amplificado pelo livro escrito por Horacio Verbitsky, jornalista de grande reputação que, no entanto, não escapa do contexto de confronto em que vivemos (ver, neste Observatório, "Um ersatz").

Raciocínio em bloco

É muito mais confortável empacotar todas as informações em duas caixas separadas, uma para os correligionários e outra para os que pensam diferente. Esse comportamento foi alimentado nos últimos anos pela imprensa na América Latina, onde uma sucessão de governos contrários ao chamado "consenso de Washington", que dominou o cenário político nos anos 1990, vem produzindo mudançaseconômicas e sociais importantes desde o início deste século.

A declaração de um personagem claramente engajado como Esquivel exige uma reflexão mais elaborada, mas a imprensa tradicional não parece capaz de enxergar outras tonalidades que não o preto e o branco. Seria longo e repetitivo descrever aqui onde e como se manifesta essa dicotomia que transforma a complexidade da vida contemporânea em um confronto de radicais. Também é ocioso ficar repetindo as demonstrações de que a imprensa tradicional se comporta como um monolito, caracterizada pelo que o antigo Pasquim chamava de "raciocínio em bloco".

Há pelo menos dez anos se observa o fenômeno do fechamento da imprensa em si mesma, alienando-se do contexto mais amplo e diversificado da sociedade e da cultura, num comportamento que, curiosamente, repete o modelo usado pela chamada imprensa alternativa nos tempos da ditadura brasileira (ver "Imprensa alternativa, procura-se", 6/1/2004).

Se o maniqueísmo da imprensa alternativa, também chamada "nanica", se justificava de alguma forma como resistência à violência política e à censura, a visão monolítica que a imprensa tradicional impõe a seu público pode ser vista como sinal de discordância com os caminhos a que a democracia levou o Brasil e outros países do continente – e estimula ativistas saudosos da ditadura.

Nas redes digitais, embora proliferem grupos homogêneos e radicais, há mais reflexão nas divergências e, eventualmente, algum humor entre amigos que têm pontos de vista diferentes. Na imprensa tradicional, qualquer que seja a pauta – o novo papa, a morte de Hugo Chávez ou os indicadores de inflação – o que se pode esperar é mais do mesmo: um mundo sem sutilezas."

Privataria tucana ressuscita e quer entregar o pré-sal

Posted: 16 Mar 2013 02:29 PM PDT


Posted by on 16/03/13 • Categorized as Sem categoria

Nos anos 1990, o governo Fernando Henrique Cardoso vendeu por cerca de cem bilhões de dólares um portfólio de patrimônio público que, à época, valia, no mínimo, o triplo. Para que se possa mensurar o tamanho do roubo de patrimônio, a mineradora então chamada Vale do Rio Doce foi vendida a estrangeiros por cerca de um ano de faturamento.
Esse processo de entrega do patrimônio público a grupos econômicos estrangeiros a preço vil ficou conhecido como A Privataria Tucana e virou um livro que relata o rápido enriquecimento do condutor das privatizações, o tucano José Serra.
O resultado da Privataria Tucana foi tão desastroso para o país que a maioria dos brasileiros (62%) acabou rejeitando a privatização de serviços públicos, segundo apontou pesquisa realizada pelo jornal O Estado de São Paulo em parceria com o instituto Ipsos.
Segundo a pesquisa, apenas 25% dos brasileiros aprovam as privatizações da era FHC. A percepção é a de que elas pioraram os serviços prestados à população nos setores de telefonia, estradas, energia elétrica, água e esgoto. As mais altas taxas de rejeição (73%) estão no segmento de nível superior e nas classes A e B.
No início do processo, em dezembro de 1994 (ano em que FHC se elegeu presidente pela primeira vez), pesquisa Ibope sobre privatização mostrou que 57% eram a favor e só 31% eram contrários. Em março de 1995, outra pesquisa Ibope atestou que 43% dos brasileiros eram a favor das privatizações e 34% eram contrários.
A mudança de opinião dos brasileiros sobre as privatizações ocorreu a partir da década passada, lá pelo fim do governo FHC (2002), quando o resultado da venda a qualquer preço do patrimônio público se mostrou um desastre.
Hoje, graças aos contratos que o ex-presidente tucano assinou, temos, por exemplo, a telefonia e a energia elétrica entre as mais caras do mundo.
Desde a eleição presidencial de 2002 (que escolheu o sucessor de FHC), o PSDB já foi derrotado três vezes e tais derrotas tiveram íntima relação com o que ficou conhecido como Privataria Tucana, que até hoje inferniza o país com os maus negócios que os tucanos fizeram ao venderem patrimônio público a qualquer preço e de forma açodada nos anos 1990 sob a alegação de que os recursos oriundos daquelas vendas nos dariam educação, saúde etc. de "Primeiro Mundo".
Além de isso não ter ocorrido o dinheiro da Privataria Tucana virou pó, pois até hoje ninguém sabe onde foi parar apesar de existir muita suspeita (inclusive documentada) sobre seu destino.
Corte para o presente. Em recente ato político organizado pelo PSDB para criticar a gestão da Petrobras nos governos petistas que sucederam os de seu partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu mudanças no modelo adotado para explorar as reservas de petróleo do pré-sal que foi estabelecido pelo governo Lula e continuado pelo governo Dilma Rousseff.
Aécio quer a volta do modelo de exploração do governo FHC, que afirma ser "muito mais eficiente".
Em 1997, os tucanos acabaram como o monopólio brasileiro na exploração de campos de petróleo, venderam grande parte da Petrobrás e adotaram o regime de concessão para a exploração, obrigando a empresa brasileira a competir com grupos estrangeiros para ter acesso a novas reservas.
Após o governo Lula investir e recuperar a Petrobrás, que durante o governo FHC perdeu muito valor por conta do modelo de concessão e pela perda do monopólio, em 2006 a empresa anunciou que descobrira uma reserva gigantesca no mar territorial sudeste do Brasil.
Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal – Tupi, Iara e Parque das Baleias –, as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além disso, as reservas possíveis e prováveis seriam de 50 a 100 bilhões de barris, o que deve fazer do Brasil um dos maiores produtores de petróleo do mundo, com todas as condições de integrar a Opep, se quiser.
Em 2010, o ex-presidente Lula propôs um novo modelo para ampliar o controle brasileiro sobre o pré-sal. O novo regime foi chamado de "partilha" porque permite que o governo fique com a maior parte dos lucros obtidos com o petróleo e torna obrigatória a participação da Petrobras na exploração de todos os campos.
Devido ao gigantismo da descoberta da "nova" Petrobrás, agora fortalecida por Lula, foi criada a empresa Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), a fim de gerir os contratos de partilha de produção celebrados pelo Ministério de Minas e Energia e a gestão dos contratos para a comercialização de petróleo.
O regime de partilha na exploração dessa riqueza imensa que os investimentos da década passada permitiram que a Petrobrás localizasse sob o leito do mar em águas profundas é impositivo, pois além de o Estado – e, portanto, o povo brasileiro – ficar com quase todo o lucro advindo da exploração, nesse regime é possível dosar a extração da riqueza.
O regime de concessão foi implantado pelo governo FHC porque a Petrobrás não recebia investimentos, estava exposta à concorrência predatória das mega empresas petrolíferas estrangeiras e, assim, não tinha como prospectar novas reservas de petróleo.
Assim, áreas que a empresa brasileira acreditava ser produtivas eram entregues à iniciativa privada sob regime de concessão, ou seja, quem explorava era dono do petróleo encontrado, se fosse encontrado, e ficava com quase todo o lucro, pagando apenas um percentual ao país e levando o resto embora.
Em 2009, agora com as mega reservas de petróleo confirmadas, não havia sentido em entrega-las a empresas estrangeiras e privadas sob regime de concessão porque não havia risco de perfurarem e não encontrarem nada.
Com as reservas do pré-sal confirmadas, seria um crime entrega-las a empresas privadas, a maioria estrangeiras, que só teriam que ir lá, perfurar e extrair o petróleo sem correr risco de gastar dinheiro com a prospecção e não encontrar nada.
A argumentação do PSDB e, mais especificamente, de seu provável candidato a presidente na eleição do ano que vem é a de que "Nenhum leilão para a exploração do pré-sal foi realizado desde a mudança das regras, e nos últimos anos surgiram dúvidas sobre a capacidade da Petrobras de financiar os investimentos exigidos pelo novo regime."
Vale um parênteses: o primeiro leilão do pré-sal está marcado para novembro deste ano.
Retomando. O tucano ainda afirma que "A partilha estagnou a produção, afugentou investidores e descapitalizou a empresa" e que "O que parecia ser um bom negócio hoje é um ônus para a Petrobras."
Aécio ainda defendeu o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras nos futuros campos. "Descapitalizada, a Petrobras vai ter de buscar dinheiro no mercado com juros cada vez maiores", afirmou.
Não existe o menor sentido nessas premissas. Descapitalizada a empresa brasileira estava quando o PSDB governou.
A Petrobrás é uma das empresas mais capitalizadas do planeta. Ano passado, por conta da paralisação de algumas plataformas marítimas de exploração a fim de passarem por manutenção, seu lucro caiu de cerca de 30 bilhões de reais para cerca de 20 bilhões – no último ano do governo FHC, o lucro da empresa foi de 7 bilhões.
A premissa de que a Petrobrás terá que ir buscar recursos no mercado internacional a juros altos é uma falácia. Mesmo que tenha que recorrer ao mercado internacional, as empresas brasileiras têm acesso hoje aos financiamentos internacionais mais baratos do mundo, mais até do que países ricos como a Itália, pois o conceito do Brasil pelas agências de classificação de risco é o de "investment grade", ou "grau de investimento".
Além disso, só faria sentido buscar uma rápida exploração do pré-sal se houvesse risco de evaporar o petróleo que o Brasil tem sob seu mar territorial. O regime de partilha determinado pelo governo Lula, aliás, pretende justamente controlar o ritmo da exploração para que não seja muito rápido, ou predatório.
As grandes petrolíferas estrangeiras estão salivando pelo pré-sal brasileiro. Não foi por outra razão que se reuniram com José Serra durante a campanha eleitoral de 2010, quando lhes prometeu que, se fosse eleito, reverteria a política nacionalista do governo Lula.
Em verdade, a eleição de um tucano para entregar o pré-sal faz salivar até o grande empresariado brasileiro, que, como o estrangeiro, também está de olho nos grandes negócios com altíssima rentabilidade que a exploração predatória daquelas reservas propiciaria.
Aliás, os setores da imprensa alinhados com o PSDB já falam até em privatizar a Petrobrás – e não só ela – de uma vez, sem mais delongas. Artigo do comentarista de economia de O Globo Carlos Alberto Sardemberg publicado na semana que finda prega exatamente isso. Abaixo, um trecho do texto:
—–
"Não é por nada, não, mas se a gente pensar seriamente na história recente da Petrobras, sem paixões e sem provocações, vai acabar caindo na hipótese maldita, a privatização. (…) Não há como garantir uma gestão eficiente das estatais — e sem falar de corrupção. Logo…"
—–
Ao longo do texto, Sardemberg se desmancha em elogios à política do PSDB que fez a Petrobrás chegar ao último ano do governo FHC com receita de 60 bilhões de reais contra os 280 bilhões de 2012. É um dos analistas econômicos da grande mídia mais identificados com as teorias do PSDB.
A gestão da Petrobrás pelo PSDB foi um desastre. Sem investimentos do Estado e exposta à concorrência predatória das petrolíferas gigantes internacionais, a empresa começou a sofrer com desastres como o naufrágio da plataforma P36, que custou 700 milhões de reais ao país.
A P-36 foi a maior plataforma de produção de petróleo no mundo antes de seu afundamento em março de 2001. A plataforma custou 350 milhões de dólares ao país. Além da perda financeira, 11 pessoas morreram em um desastre causado, exclusivamente, por falta da manutenção que a Petrobrás fez no ano passado em suas plataformas e que reduziu seu lucro.
No total, os desastres em campos de exploração da Petrobrás durante o governo FHC, causados pela forte descapitalização da empresa que os tucanos lhe impuseram, geraram prejuízos ao país da ordem de 1,5 bilhão de reais.
Ano que vem, o Brasil correrá de novo o risco de ver essa praga de gafanhotos chamada PSDB ter chance de retomar o Poder a fim de saquear o país de novo. E depois acusam este blogueiro de ser "muito governista". Enquanto esses piratas ameaçarem o país com sua eleição todo cidadão consciente tem que ser "muito governista", a fim de impedir a Privataria Tucana II.

Do Blog da Cidadania.

Romário no Congresso Nacional: É preciso investigar a participação do presidente da CBF na ditadura e morte de Herzog

Posted: 16 Mar 2013 02:25 PM PDT



A sugestão do vídeo é de José Luís Zasso
Deputado Romário (PSB – RJ) Medidas para investigar a relação de José Maria Marin com a ditadura.

PSB tem que sair do governo já

Posted: 16 Mar 2013 02:17 PM PDT

Eduardo Campos, presidente do PSB.
Base governista?
André Singer

Fosse a política brasileira menos acomodatícia, a reforma ministerial em gestação implicaria a retirada dos cargos entregues ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), que a esta altura, aliás, nada mais tem de socialista afora o nome. Os últimos gestos do presidente da sigla, Eduardo Campos, indicam a intenção de criar, sempre que pode, embaraços ao governo federal, que supostamente apoia.
Há 15 dias, o governador de Pernambuco estabeleceu uma surpreendente aliança com Paulo Pereira da Silva, o principal dirigente da Força Sindical, para barrar a privatizante MP (595) dos portos. Em seguida, na quarta passada, liderou 16 governadores em uma proposta de onerar a União em R$ 4,5 bilhões para resolver o problema criado com a derrubada no Congresso do veto presidencial sobre a divisão dos royalties do petróleo.
Campos vem sendo procurado por descontentes, à direita e à esquerda, com a presidente Dilma Rousseff. De empresários do agronegócio a representantes da estiva, passando por candidatos à presidência da Câmara, é extensa a romaria dos que viajam a Recife. A todos o neto de Arraes acolhe com magnânima boa vontade, mesmo que nada tenham a ver com a sua plataforma modernizante de eficiência gerencial.
O caso dos portos é exemplar. O mais coerente para quem defende o uso de métodos empresariais na gestão pública seria apoiar a medida privatizante. Mas Eduardo decidiu secundar o movimento dos trabalhadores, que têm nova greve marcada em uma semana com o objetivo de barrar o que consideram a privatização do setor. Para o cúmulo da ironia, o ministro encarregado da Secretaria de Portos é do PSB.
O objetivo evidente do jovem político nordestino é ampliar as bases para uma postulação presidencial de centro, provavelmente já no ano que vem. Portador de altíssima aprovação em seu Estado, ainda é pouco conhecido no resto do Brasil. Mesmo depois do bom desempenho do partido nas eleições municipais de 2012, Campos tinha apenas 3% das intenções de voto no país. Por isso, precisa aparecer.
A disputa de 2014 será difícil para um candidato fora das grandes agremiações (PT e PSDB), considerando-se que Marina Silva também correrá pelo meio. Com pouco tempo de TV, Campos terá baixo poder de fogo. O seu trunfo é o suporte que recebe dos que querem desgastar Dilma, o que pode crescer caso a situação econômica patine. O mesmo explica, por sinal, a hesitação do PSD, de Kassab, em aderir à recandidatura da presidente.
O governo parece alimentar a ilusão de que pode recuperar a lealdade de Campos mais à frente. A lógica indica, entretanto, que só a terá se e quando não precisar mais dela.

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Leia mais em: Blog Sujo
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Do Blog O Esquerdopata.

O presidente é negro. O premiê é gay

Posted: 16 Mar 2013 02:08 PM PDT


http://1.bp.blogspot.com/-8zU61RyRl6E/TuTpKT21yxI/AAAAAAAAFYM/YCmiWleB0pk/s1600/123.jpg 
Não se transacionam direitos humanos em arranjos políticos. É esse o espírito da Constituição
Violações de direitos humanos ocorrem em todas as partes do planeta. Ninguém está imune. Os abusos acontecem sob qualquer tipo de governo, em qualquer país, sem distinção. A única diferença é o tratamento que se dá às violações.
Os abusos contra os direitos humanos, no entanto, podem servir para dar ímpeto ao aperfeiçoamento dos regimes de proteção.
O fenômeno dos "desaparecidos" em ditaduras latino-americanas revelou a necessidade de legislação contra detenções arbitrárias; o horror do Holocausto mostrou a importância de se prevenir a prática do genocídio; e a segregação do apartheid evidenciou a urgência de se promover a igualdade racial.
Da mesma forma, a escolha de um radical religioso, que vocifera publicamente contra negros e homossexuais, para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados deveria servir de lição e ajudar o fortalecimento da promoção e defesa dos direitos humanos no Brasil.
Como nenhum outro episódio da crônica política recente, a eleição de Marco Feliciano (PSC-SP) deixou clara a luta covarde que as minorias têm de travar para garantir o debate de seus direitos no Congresso.
Sua escolha alertou, também, para o processo de apropriação do aparelho estatal para fins de proselitismo religioso fundamentalista.
Sobretudo, mostrou a falta de compromisso dos parlamentares brasileiros com a finalidade última da democracia representativa, que é governar para todos, com justiça e contemplando a felicidade individual de cada um.
Em sua radicalidade, o descaso da Câmara dos Deputados com o objetivo final da atividade legislativa acabou energizando a militância e a sociedade civil organizada.
Mais do que isso, estimulou a participação política de centenas de milhares de cidadãos, que expressaram seu descontentamento nas mídias sociais. O recado ao governo é claro: grande parte de nossa população não aceita barganhas políticas às custas de princípios democráticos fundamentais.
Do mesmo modo que não se atingem as partes baixas dos competidores numa luta de boxe, não se transacionam direitos humanos em arranjos políticos. É esse o espírito de nossa Constituição.
O que aconteceu na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dá a dimensão clara dos problemas que a consolidação dos direitos humanos enfrenta em países de herança político-institucional autoritária, religiosa e paternalista. Ao governo, o episódio deve servir como alerta. Aos cidadãos que querem um Brasil mais inclusivo e justo, deve servir como lição e estímulo.
Os negros e os homossexuais vilificados no discurso do deputado Feliciano são vítimas. Sofrem discriminação diária no Brasil. Mas suas lutas prosperam em outros países. Enquanto o pastor pregava racismo, o povo norte-americano elegia um presidente negro. Enquanto desqualificava os homossexuais, os belgas escolhiam um primeiro-ministro abertamente gay. E tudo bem. Não aconteceu nada. Ninguém acabou no inferno por causa disso.
Alexandre Vidal Porto, escritor e diplomata. Este artigo reflete apenas as opiniões do autor
No fAlha

Após 21 anos, governo tucano pede mais uma década para limpar o rio Tietê

Posted: 16 Mar 2013 02:05 PM PDT


Após 21 anos, governo paulista pede mais uma década para limpar o rio Tietê
Após angariar recursos japoneses que não resolveram o problema, 
Alckmin e Dilma contarão com apoio de Coutinho (centro) para despoluir o rio 
Foto: Brazil Photo Press/Folhapress
Promessa da Sabesp agora é de que em 2025 o rio terá 'fauna diversificada'; terceira fase tem financiamento de R$ 1,35 bilhão do BNDES
São Paulo – A diretora-presidenta da Sabesp, Dilma Pena, disse na tarde de hoje (15) no Palácio dos Bandeirantes que, "em 2020, toda a bacia do Alto Tietê não será rio morto. Terá oxigênio e portanto terá vida e peixes de espécies mais resistentes. Em 2025, a parte do rio Tietê na cidade de São Paulo terá uma fauna aquática já mais diversificada".
A afirmação foi feita em cerimônia de assinatura de financiamento de R$ 1,35 bilhão do governo de São Paulo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos destinados ao Projeto Tietê. O governador Geraldo Alckmin, Dilma Pena e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, participaram da cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. O montante será aplicado pela Sabesp na capital e em mais 27 cidades da Grande São Paulo.
Iniciado em 1992, o projeto de limpeza entrará, com recursos federais, na terceira fase. A promessa mais recente, de 2009, indicava que até 2018 a despoluição no trecho urbano estaria concluída. Segundo Dilma Pena, essa fase, a ser concluída em 2015, prevê que "até a barragem da Penha (zona leste da capital) o rio terá boas condições e no Alto Tietê ele estará vivo". No entanto, a diretora-presidenta da Sabesp reconhece que, mesmo no final de 2015, a parte do Tietê que passa pela capital ainda estará poluída. Ela afirma também que a meta é que até o final da década o rio esteja "saudável".
Segundo ela, os investimentos em infraestrutura, tratamento e coleta de esgoto feitos pelo governo precisam ser acompanhados da gestão do problema do lixo pelas administrações municipais, um dos grandes problemas causadores da poluição do rio. "É muito importante que as prefeituras tenham serviços de limpeza urbana mais eficientes, e que cada cidadão cuide melhor do lixo que produz."
O governador Geraldo Alckmin, em referência às críticas comumente feitas à morosidade do Projeto Tietê, afirmou que existem diferenças entre projetos europeus do mesmo gênero e o de São Paulo. "O Tâmisa, em Londres, é um rio de foz, tem muita água, e aqui (o Tietê) é um rio de cabeceira. A 700 metros de altura, em São Paulo, temos 20 milhões de pessoas e o desafio é muito maior", comparou.
Alckmin disse que a melhora das condições do rio deve ser medida pela chamada "mancha de poluição". Dilma Pena explicou que a "mancha" no interior do estado recuou de Barra Bonita para Salto, a 160 quilômetros.
Questionada sobre um relatório de Qualidade das Águas Superficiais no Estado de São Paulo, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), divulgado em 2012 com dados de 2011, de 176 municípios da Bacia do Rio Tietê, segundo o qual menos de 30% deles possuem sistema de coleta e tratamento completo de esgoto, a diretora-presidenta da Sabesp afirmou: "Ao longo de toda a bacia do rio, desde Salesópolis até sua foz, exceto litoral e Alto Tietê, todas as cidades operadas pela Sabesp terão 100% de esgoto coletado e tratado até o final de 2014". Segundo ela, além do Projeto Tietê, por meio do programa Água Limpa o governo apoia municípios com menos de 50 mil habitantes na solução de tratamento de esgoto.
A quarta fase do Projeto Tietê, disse Dilma Pena, já conta com recursos anunciados na semana passada pelo governo federal. "Já temos para essa fase R$ 1,2 bilhão do BNDES e da Caixa Econômica Federal em regime de financiamento", explicou. Essa fase do projeto tem como prioridades coletores no Anhangabaú e interceptores na zona lesta da cidade. De acordo com a diretora-presidenta da Sabesp, as licitações dessas obras serão lançadas ainda este ano.
A primeira etapa do Projeto Tietê (de 1995 a 1998) custou R$ 2,6 bilhões. A segunda, de 2000 a 2008, R$ 928 milhões. A terceira fase, que vai até 2015, custará R$ 3,9 bilhões. A quarta está em planejamento.
O presidente do BNDES afirmou que o governo federal está "orgulhoso de participar desse projeto". Disse ainda que em 2012 o governo destinou cerca de R$ 3,8 bilhões em financiamento de obras públicas para São Paulo.
Eduardo Maretti
No Rede Brasil Atual

Eduardo Campos de mal a pior: encanta-se com Serra, adere à 'Petrobrax', e falta caráter nas críticas

Posted: 16 Mar 2013 01:59 PM PDT

Para lançar sua candidatura para um grupo de 60 empresários neoliberais, em um jantar em São Paulo, o governador de Pernambuco, Roberto Campos (ARENA) ... ops... quer dizer, Eduardo Gomes (UDN)... ops... quer dizer, Eduardo Campos (PSB-PE), mostrou-se encantado com o slogan de José Serra (PSDB-SP) nas eleições 2010 ("O Brasil pode mais"), e lançou uma versão adaptada para si dizendo que "dá para fazer muito mais", completando com algo como "continuidade, mas com liderança renovada", coisa também semelhante à tentada pelo marqueteiro de José Serra em 2010. Bem, todo mundo costuma dizer que persistir no erro é burrice, mas cada um faz o que bem entende com sua imagem política.

Mais grave do que slogans que buscam uma suposta "esperteza" é falta de caráter.

E Campos demostrou muita falta de caráter ao aderir às críticas absurdas de Aécio Neves contra a Petrobras, dentro do projeto demotucano Petrobrax, que sonha privatizar a empresa e o Pré-sal, para "investidores estrangeiros".

O que disse Campos?

"Enquanto o Brasil diz que tem o petróleo do pré-sal, importa gasolina. A Petrobras, que já foi 'case' de sucesso lá fora, tá cheia de problema".

Alto lá. Em primeiro lugar, o Brasil NÃO DIZ que tem o petróleo do pré-sal. Ele tem! E já atingiu a produção de 300 mil barris diários, perfurando apenas 17 poços.

Em segundo lugar, o Brasil sempre importou gasolina e nos 10 últimos anos é que mudou diretrizes e passou a investir para atingir a autosuficiência não só em petróleo extraído, mas também em combustíveis refinados.

Os demotucanos, antes de Lula, ficaram sem investir em refinarias desde a ditadura, desde 1980, porque os "jênios" demotucanos achavam que o retorno em lucros de uma refinaria era baixo em relação à outros investimentos mais lucrativos no curto prazo. Para entregar mais dividendos a "investidores estrangeiros", dane-se a auto-suficiência em combustíveis, segundo o pensamento demotucano, assim como eram adeptos de encomendar plataformas de petróleo no exterior. A Petrobras teria mais lucro importando gasolina do que investindo em refinarias, segundo os tucanos, e mudar isso atrapalharia os planos de privatizá-la. Só se esquecem de que se ficar na mão dos outros para refinar, a qualquer momento os outros que tem refinarias podem subir o preço à vontade no mercado internacional, nos deixando vulneráveis à uma "crise internacional" de combustíveis.

FHC passou 8 anos enrolando os governadores, e principalmente o povo, do Nordeste, sobre onde seria uma refinaria já pensada desde os anos 70. Usou essa discussão eleitoralmente para dar esperança aos eleitores de cada estado que disputava a refinaria, mas não fez nada de concreto para viabilizá-la.

Só quando Lula assumiu a presidência é que resolveu tirar as refinarias do papel, decidindo construir não uma, mas três: Em Pernambuco, no Ceará e no Maranhão. Justamente a de Pernambuco é a que iniciou primeiro as obras e deve entrar em operação em 2014. Em 2020, estarão todas em pleno funcionamento e o Brasil não só será autosuficiente também no refino de combustíveis, como estará exportando combustíveis refinados aqui.

Por ser o primeiro estado a ter uma nova refinaria após 33 anos, a última pessoa que deveria fazer qualquer crítica a esse respeito é o governador de Pernambuco, fosse quem fosse. No caso de Eduardo Campos, que foi (ou simulou ser) aliado de Lula para fazer sua carreira política, é muita falta de caráter fazer uma crítica destas.

Em terceiro lugar, a Petrobras continua sendo "case" de sucesso em qualquer lugar do mundo e "problemas" da empresa são os desafios de rotina de qualquer grande empresa, que basta existir para tê-los. É o PIG e a oposição (agora engrossada por Campos) que ficam dando dimensão sensacionalista a coisas corriqueiras. Eduardo Campos tinha obrigação é de defender a Petrobras diante de empresários, e não fazer côro com quem quer detoná-la por politicagem e para ganhar dinheiro fácil. Movimentos especulativos em bolsas de valores, inclusive explorados por megaespeculadores como Naji Nahas e bancos de investimentos, vem e passam. Na prática, quase nada interferem na operação da empresa, cujo planejamento é de médio e longo prazo, e não de quanto será a cotação na bolsa na próxima quarta-feira.




Em tempo: as críticas de Aécio à Petrobras foram tão insignificantes e sem noção, que nem o mais raivoso dos telejornais de oposição, o Jornal Nacional da TV Globo, levou a sério. Nem sequer noticiou.

Em tempo 2: por dever de ofício a Petrobras demoliu ponto por ponto as baboseiras demotucanas, no Fatos e Dados.
Por: Zé Augusto0 Comentários  
 

O dia em que o tucanato tremeu

Posted: 16 Mar 2013 08:44 AM PDT


"A entrada de Lula no xadrez eleitoral de 2014 tem o poder de redefinir todo o quadro eleitoral, mexendo com todas as principais peças do jogo
Lula Miranda, Brasil 247
Li, aqui mesmo no Brasil 247, que o PT em seu último programa de TV teria insinuado, ou "deixado no ar", a possibilidade do ex-presidente Lula sair candidato ao governo de São Paulo em 2014. Foi o que bastou para se ver tucano de alta plumagem tremer e esboçar aquele indisfarçável sorriso amarelo, sem graça. Foi o que bastou, por outro lado, para deixar os petistas alvoroçados, entusiasmados sentindo que o seu "Neymar" iria entrar em campo novamente – e para ganhar.

Se for para valer, será de fato uma jogada de mestre. A entrada de Lula no xadrez eleitoral de 2014 tem o poder de redefinir todo o quadro eleitoral, mexendo com todas as principais peças do jogo: nos estados e até mesmo na, até então tida como certa, candidatura de Eduardo Campos ao Planalto. Se Lula sai em São Paulo Campos muito provavelmente adiará suas ambições palacianas e sairá para o Senado. Podem anotar aí.
A candidatura de Lula ao Palácio dos Bandeirantes tem força suficiente/bastante inclusive para embalar candidaturas em outros estados. Como, por exemplo, a candidatura de Lindbergh Farias no Rio de janeiro. Isso a despeito da vontade do próprio Lula e de sua amizade com Cabral – que arriscou demais e deu um passo em falso na precipitada e insensata ameaça de "moratória" nesse episódio da disputa pelos royalties. Essa movimentação "tectônica", causada pela candidatura de Lula em SP, vai gerar uma avassaladora onda vermelha pelo país afora. Um verdadeiro tsunami pode atingir o Brasil.
Some-se a essa "onda" a melhoria no cenário econômico, já à vista logo ali no horizonte, a impulsionar ainda mais a popularidade de Dilma e veremos acontecer com o PT fenômeno semelhante ao que ocorreu com o PMDB em 1986. Vale lembrar que naquele ano, impulsionados pelo plano Cruzado, esse partido elegeu praticamente todos os governadores do país – com exceção apenas do estado de Sergipe, que ficou com o PFL, parceiro na coalizão governista à época. A parceria Lula & Dilma será, novamente, arrebatadora.
Afinal, cá entre nós, imaginem comigo: de um lado um político da estatura de Luiz Inácio Lula da Silva; do outro um político da estatura de um Alckmin, que foi apelidado, não à toa, claro, de "picolé de chuchu". Acrescente-se ainda a essa injusta e incomparável métrica a fadiga de material causada por 20 anos de (des)governo tucano em SP. Quem você escolheria? Em quem você votaria?"

Por que jornalistas e juízes não podem ter — e muito menos ser — amigos

Posted: 16 Mar 2013 08:39 AM PDT

Do  Diario do Centro do Mundo  - 14/03/2013

Paulo Nogueira
O grande editor Joseph Pulitzer dizia que jornalista não podia ter amigo; no Brasil tem — e o pior é que entre as amizades estão juízes.
Já falei de Mensalão, o livro de Merval.
Volto ao assunto, depois de ver fotos do lançamento em Brasília. Figuras eméritas da Justiça Nacional correram, sorridentes, a prestigiar a cerimônia..
 O pudor, se não a lei,  deveria impedir este tipo de cena. Veja as expressões de contentamento e cumplicidade. Que isenção se pode esperar da Justiça brasileira em casos relevantes que porventura envolvam Merval e, mais ainda, a Globo?
photo
Merval, com Gilmar Mendes e Ayres de Britto no lançamento do livro
Mas o pudor se perdeu há muito tempo. Em outra passagem imoral desse  interesseiro caso de amor entre mídia e justiça, o ministro Gilmar Mendes compareceu sorridente, em pleno julgamento do Mensalão, ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo em que os réus eram massacrados.
Ali estava já a sentença de Gilmar.
O grande editor Joseph Pulitzer escreveu, numa frase célebre, que "jornalista não tem amigo". Ele próprio viveu em reclusão para evitar que amizades influenciassem os rumos do jornal que comandou.
Para que você tenha uma ideia da estatura de Pulitzer, foi ele quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete,  bem como a primeira página.
Era um idealista. "Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade", escreveu.
Tinha uma frase que me tem sido particularmente cara na carreira: "Jornalista não tem amigo."
Como a "Deusa Cega da Justiça", afirmava Pulitzer, ele ficava ao largo das inevitáveis influências que amizades com poderosos trazem. "O World [seu jornal], por isso, é absolutamente imparcial e independente."
Merval tem muitos amigos, como se vê na foto deste artigo. Não é bom para o jornalismo que ele faz. E pior ainda é que ele é correspondido no topo da Justiça brasileira.
Juízes, como os jornalistas, não deveriam ter amigos, como pregou Pulitzer. Pelas mesmas razões.
Os nossos têm, e parecem se orgulhar disso, como se vê na foto acima.
 
Do Blog ContrapontoPIG

O televisionamento dos nossos julgamentos

Posted: 16 Mar 2013 08:28 AM PDT


O direito e o sistema de justiça no Brasil sofrem intensas predações internas e externas. Das externas a que mais preocupa é o da mídia, em especial nos casos penais. Para que uma sociedade democrática e de direito contemporânea sobreviva como tal é relevantíssimo que os subsistemas comunicativos convivam entre si com base em relações de racionalidade transversal, ou seja, em essência a lógica de um não pode superar a do outro dentro da esfera de operação desse outro.
Assim, em um julgamento de um tribunal deve imperar a lógica do lícito/ilícito própria do direito e não a lógica do notícia/não notícia do subsistema de comunicação social ou do poder/não poder da política.
É esta manutenção da autonomia sintática dos subsistemas comunicativos dentro do grande sistema comunicativo que é a sociedade democrática que garante a pluralidade, tolerância e racionalidade conformadoras do Estado Democrático de Direito numa sociedade hiper-complexa como a nossa.
A ação midiática promove emoções, nem sempre boas conselheiras do juízo criminal que deve sempre se pautar por parâmetros racionais e certos valores que estabelecem o distanciamento afetivo e ideológico do julgador ao julgar a causa. O processo não é apenas garantia formal, mas direito material, exigindo a obtenção de um modo racional e equilibrado de formação da decisão. Onde há julgamento não deve haver linchamento, são conceitos totalmente contraditórios entre si.
Ao ser noticiada do cometimento de um crime a sociedade se solidariza com a vítima ou mesmo se sente vítima daquela conduta. Natural e razoável que seja assim.
O que não é adequado é que este sentimento de ser vítima invada o espírito de quem julga um processo. O julgador não pode ser vítima da conduta, dele se exige distância das emoções que cercam o ocorrido como requisito essencial para que sua decisão seja racional e justa.
Este papel do julgador distante e racional foi uma imensa conquista humana. A superação dos linchamentos e dos juízos populares no âmbito criminal por formas racionais e legais de julgamento foi uma imensa conquista civilizatória que marca nossa história moderna.
Com os julgamentos do caso do "mensalão" e do homicídio de Mércia Nakashima sendo televisionados inauguramos um período de sério risco de retrocesso nesta conquista hoje mínima da sociedade civilizada.
Televisionar ao vivo um julgamento penal é trazê-lo ao patamar de um linchamento contemporâneo. É constranger juízes e jurados a que sigam os impulsos primitivos da turba sob pena de sofrerem constrangimentos inaceitáveis à proteção que faz jus o julgador no exercício de sua função. O que se protege aí não é a pessoa do julgador mas um sistema civilizado de valores.
Vide o que sofreu o ministro Lewandowski por ter ousado divergir em alguns aspectos do voto do ministro relator do caso do "mensalão". Foi achincalhado por nossa mídia marrom sem qualquer respeito a seu papel de julgador.
Uma sociedade democrática que exige de seus juízes que sejam heróis para julgarem segundo o que lhes parece ser os ditames de nossa ordem jurídica não é, de fato, uma sociedade democrática. Agora transmite-se por filmagens ao vivo as cenas do julgamento do homicídio de Mércia Nakashima, o que levará certamente à condenação do réu.
Talvez a referida condenação seja justa. O problema é que não se dará como resultado do que consta do processo, como resultado racional do processo e da investigação que o antecedeu. Será um ato de manifestação do ódio e de afetos próprios do linchamento.
E se o julgador ousar divergir deste sentimento público se transformará em réu da opinião publica ou publicada. O juiz e os jurados terão sua vida perturbada por xingamentos em restaurantes, neles seu bife será cuspido pelo garçom e coisas do gênero.
Tornar-se-á, ao menos por um tempo, um pária. É o que se cobra do julgador que ousar divergir do senso comum em razão de provas ou evidências que constem eventualmente do processo.
O direito fundamental do réu a contar com um juízo isento vai para o ralo. O processo passa a se assemelhar aos processos stanilistas, onde se entrava na sessão de julgamento sabendo-se de antemão o resultado.
Se esta gama de problemas já ocorria como consequência do normal acompanhamento pela mídia dos julgamentos, problema dificílimo de resolver em nossas democracias contemporâneas, televisionar ao vivo os julgamentos penais só agrava sobremaneira o problema ao invés de resolvê-lo.
Transformar os ambientes racionalmente controlados dos julgamentos criminais em espetáculo é um imenso equívoco. A título de uma transparência de fato inexistente, pois os documentos do processo nunca são televisionados, pois seria "muito chato" e de pouca audiência fazê-lo, joga-se no ralo conquistas civilizatórias de séculos de reflexões, revoluções e disputas.
Pedro Estevam Serrano
No CartaCapital

Mentira sobre o pastor Marco Feliciano

Posted: 16 Mar 2013 05:13 AM PDT

Charge do Alpino


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Leia mais em: Blog Sujo
Under Creative Commons License: Attribution

Do Blog O Esquerdopata.

A propósito de Francisco

Posted: 16 Mar 2013 05:10 AM PDT


Assis. No sonho pintado por Giotto, Inocêncio III vê o santo reerguer a Igreja. Mas este é outro Francisco…

Mino Carta, CartaCapital
"Quando me ajoelhei aos pés do altar para receber a Primeira Comunhão, meus olhos ficaram embaçados e desmaiei. No dia anterior, de retiro espiritual orientado pelas minhas inesquecíveis freiras marcelinas, ao enfrentar momentos de inequívoca materialidade almoçara risotto com espinafre demoniacamente amanteigado. Não me surpreenderia se o próprio Lúcifer tivesse estacionado na cozinha. Passei uma noite no inferno, entre 16 e 17 de maio de 1942, dia da comunhão.
Atordoado, à beira da inconsciência, degluti a hóstia que me foi imposta goela abaixo por santas razões, pois a oportunidade não poderia ser desperdiçada a bem das expectativas dos familiares presentes, e logo me reencontrei na sacristia diante de um café da manhã monumental. Boa lembrança, além de definitiva.

Pela magnitude do evento, ganhei presentes diversos, como era do costume da época e do país, entre eles uma refinada edição de 1927 de I Fioretti di San Francesco, obra medieval nascida de contribuições anônimas redigidas em perfeito italiano para contar passagens salientes da vida de São Francisco de Assis. O qual fora batizado João e não nascera para ser santo, e sim rico senhor, talvez um tanto devasso.

A prima de minha mãe, que me presenteou com o livro, escreveu na dedicatória: "Este é o dia mais belo da sua vida". Confesso que não me dei conta disso, a despeito da magnificência do desjejum. Quase 71 anos depois, tiro da estante I Fiorettiao saber que o novo papa será o primeiro Francisco da história dos sucessores de Pedro, o pescador.

Arrisco-me a entender que o nome não foi escolhido ao acaso, e logo me vem à memória um afresco da Basílica de São Francisco, em Assis, um da série deslumbrante pintada por Giotto para narrar a vida do santo ao longo das paredes da igreja superior, um dos recantos mais poéticos, e poéticos até a transcendência, em que um indivíduo possa mergulhar mundo afora. O afresco intitula-se O Sonho do Papa, e colhe o santo a reerguer literalmente a Igreja.

Francisco, em quem Dante divisou um semeador de luz com a pronta anuência do amigo Giotto, foi reformador herói, sem contar o poeta que escreveu O Cântico das Criaturas,ou Cântico ao Irmão Sol, obra-prima da língua italiana, e, portanto, o santo mais próximo de Cristo, cujo exemplo transformou na Regra da sua vida e da sua pregação em defesa da natureza e dos desvalidos.
A lição de Francisco é, na essência, um desafio à Igreja e ao papa Inocêncio III, estadista cercado pelo luxo, grudado à crosta terrestre e às suas ambições e vaidades, e em cuja época o poder temporal do Vaticano atingiu o apogeu, quando o sucessor de Pedro interferia na política do Sacro Romano Império. Francisco surge como prova dos descaminhos papais, é o manso contestador que põe o dedo na chaga em nome da ideia indiscutivelmente cristã da revelação e do amor.

Leio hoje no prefácio dos Fioretti, de autoria de um autor francês: 

"Vislumbrem a sociedade que nos cerca: qual é o vício radical da nossa época? (…) Somente os insensatos podem lamentar os progressos da ciência, somente os mais puros materialistas podem atribuir seu desconforto à Revolução Francesa ou à Declaração dos Diretos do Homem, quando, de verdade, ela estabelece apenas o cumprimento do Decálogo (…)"

E mais adiante: "É no coração que estamos doentes, neste centro misterioso onde se originam as fontes da vida. Discórdias internacionais e agitações internas; guerras estrangeiras e guerras civis; crises individuais pelas quais muitos entre nós vivem sem viver, são atores que interpretam seu papel em lugar de homens que conquistam sua individualidade. E isso tudo decorre de uma única causa. Povos e indivíduos esqueceram as realidades interiores, as realidades viventes, e deixaram-se seduzir pelo erro fatal de que o dinheiro é o instrumento da felicidade".

Não há como imaginar que a igreja de Roma possa mudar, até mesmo pela rota de um reformismo lento e gradual. Da mesma forma, a leitura acima mostra que o mundo também continua o mesmo. Quanto a Jorge Mario Bergoglio, o nome que acaba de escolher para reinar parece indicar grandes propósitos, embora não se exclua que o novo papa tenha pensado, de fato, em Francisco Xavier, santo da sua Ordem, a jesuíta. Aquela nascida da espada de Inácio de Loyola no palco faustoso do barroco, iluminado pelas fogueiras dos autos de fé.

Outra a Ordem de Francisco de Assis, a figura maior da cristandade depois do próprio Cristo, a dos Frades Menores. Personagens de luminosidade cegante, que a bola de argila a nos hospedar, enquanto gira em torno do Irmão Sol, até hoje não foi capaz de merecer."

Lula entra na briga por São Paulo

Posted: 16 Mar 2013 05:02 AM PDT

Por Altamiro Borges - Blog do Miro
A propaganda do PT paulista veiculada na rádio e tevê na quarta-feira (13) deve ter deixado muitos tucanos preocupados. Nela, o ex-presidente Lula foi a principal estrela e insinuou que pode vir a disputar o governo estadual em 2014. "Temos sido o partido que mais fez pelo Brasil. Está na hora agora de a gente ser o partido a fazer mais por todo o estado de São Paulo",  afirmou no comercial de 30 segundos. A presidenta Dilma também foi escalada e falou das recentes reduções da conta de luz e dos impostos da cesta básica.
Lula não afirmou que será candidato – pelo contrário, ele tem dito e repetido que o seu papel em 2014 será percorrer o país para contribuir na reeleição de Dilma Rousseff –, mas a sua frase solta no ar foi o suficiente para estimular um bocado de especulação. Os jornalões, apavorados, sentiram o baque. A entrada em cena do ex-presidente, que goza de alta popularidade, poderia acelerar o fim do domínio de 18 anos do PSDB no principal estado da federação. Seria um golpe mortal na oposição partidária de direita.
A tendência maior é que Lula não concorra a nenhum cargo em 2014. Neste sentido, a disputa pelo governo paulista está descartada a princípio – mas a política é sempre muito dinâmica e reserva surpresas. O fato concreto é que Lula decidiu investir pesado nas eleições em São Paulo. O comercial da rádio e tevê confirma esta disposição. Seja com um candidato já testado nas urnas ou com um nome novo – como nos casos de Dilma e Haddad –, ele terá forte influência no pleito. Geraldo Alckmin, que anda muito desgastado segundo as pesquisas, que se cuide!
Postado por às 3/16/2013  
 
Do Blog DESABAFO BRASIL.

T – D (Todos menos Dilma)

Posted: 16 Mar 2013 04:59 AM PDT


Emir Sader, Carta Maior / Blog do Emir
"A direita – tanto seus partidos, como sua mídia – já tem candidato para 2014: T – D. Todos menos Dilma. Todos contra a Dilma.

O objetivo que a direita coloca para si é tratar de impedir a vitória da Dilma no primeiro turno e, se der, tentar derrotá-la no segundo turno.

Para isso, recomeçou a busca de votos de todos os matizes: direita, extrema-direita, centro, centro-esquerda, extrema-esquerda. Vale tudo, contanto que some votinhos que eventualmente possam impedir a anunciada – por seus próprios cronistas – vitória da Dilma no primeiro turno.

Mesmo com a economia estagnada, como aconteceu em 2012, o apoio ao governo não deixou de crescer, porque a prioridade do governo são as politicas sociais, que foram preservadas da crise e continuam a crescer. Até mesmo os aumentos de salários e a criação de empregos formais tiveram continuidade. Para este ano se anunciam níveis de crescimento maiores e, portanto, daí não viriam desgastes no apoio ao governo.

Em suma, a dupla Lula-Dilma é imbatível eleitoralmente. Daí o desespero da direita, que busca evitar o pior: uma nova derrota – a quarta seguida –, desta vez já no primeiro turno.

E daí o incentivo e as especulações sobre as candidaturas possíveis – Aécio, Marina, Eduardo Campos, quem quer que venha da ultra- esquerda, contanto que some no T – D. Os tucanos cumprem com tristeza sua sina obrigatória de ter candidato, em quem ninguém acredita – ainda mais sob o fogo do derradeiro objetivo político que o Serra se coloca: torpedear a candidatura do Aécio.

Marina retoma seu show, como se o mundo não existisse, menos ainda a realidade concreta do Brasil e da América Latina, como se "tivesse" embaixo do braço 20 milhões de votos.

A mídia incentiva a Eduardo Campos, que tem difícil dilema: se for candidato, terá que enfrentar o governo, perder para Dilma nos seus próprios rincões e se desgastar com o governo, não lhe podendo pedir apoio em 2018. Por isso é provável que esteja se lançando agora para depois retirar a candidatura, pedindo em troca apoio em 2018.

Vale tudo no T – D. Quem vier da ultra-esquerda – embora tenha claro que não terá mais do que o 1% do Plínio – também ajuda nessa difícil empreitada.

Para esse objetivo estão escalados todos os cronistas políticos da velha mídia, que não fazem outra coisa senão incentivar e especular sobre as candidaturas T – D.

De qualquer maneira, a direita se avizinha a uma derrota pior do que as outras, e isso lhes gera desespero. Nem T – D lhes bastará."

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Francisco Almeida 




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