segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Colocando na balança Lula VS FHC

1.
2.

3. Veja o panfleto num tamanho maior!
4. Via @IlustreBOB

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Brasil deixou de ser uma sardinha

Carta Maior - Flavio Aguiar - A eleição vista de alto-mar

O Brasil deixou de ser uma sardinha – se é que foi um dia. Olhando para a política externa brasileira, dá para comparar nosso amável e complicado país a um... golfinho! Os golfinhos são seres coletivos – ao contrário dos tubarões. Nadam em equipe, defendem-se e pescam em grupo.

Flávio Aguiar

A política brasileira tem muito a ver com peixes.

Lá por volta de 195... e poucos, Getúlio declarou num de seus discursos melhores e mais inflamados: “enganam-se os que pensam que o povo nos reconduziu ao poder para comer sardinhas. Vamos comer tubarões”. Ou algo assim, estou citando de memória frase que anotei mais de 50 anos atrás.

Depois, guardei essa frase que um amigo meu, engenheiro naval, me contou, na seguinte história:

“Conversando com um oficial da marinha sobre as opções do Brasil, há 30 anos, quanto à construção de navios de toda a sorte, ele me observou que tínhamos de escolher entre produzir não só navios, mas um parque industrial próprio para isso, e depender das potências então existentes (eram tempos da guerra fria). É uma escolha: ser rabo de tubarão ou cabeça de sardinha”.

Hoje só resta um tubarão na geopolítica. Com algumas orcas (baleias assassinas) e tubarinhos ao redor. Mas tem gente – as oposições – que continua afincada na idéia de que devemos ser rabo de tubarão. Talvez barbatana, porque no rabo a gente participa do leme, e isso é demais para aquela gente. Preferimos – eles, na verdade – só usufruir as algas que as correntes nos trazem aos bigodes, para eles, é claro, não para a maioria do povo. Este que vá pescar sardinhas.

Por outro lado, o Brasil deixou de ser uma sardinha – se é que foi um dia. Olhando para a política externa brasileira, dá para comparar nosso amável e complicado país a um... golfinho!

Os golfinhos são seres coletivos – ao contrário dos tubarões. Defendem-se, pescam, em grupo. Os tubarões não os atacam – porque uns cinco golfinhos juntos conseguem dar cabo de um tubarão, ou pelo menos mandá-lo para longe, senão para as profundas. Além do mais, os golfinhos nadam em equipe, deveriam ganhar a medalha de ouro da olimpíada de nado coletivo natural, se isso houvesse. Mal comparando (com óbvia vantagem para os golfinhos, mas sem desmerece-la) é isso que a nossa diplomacia tem feito, faz muito tempo e também nos últimos anos, na orquestra sinfônica de Lula sob a batuta de Amorim.

E é isso que as nossas oposições não agüentam. Por isso hoje pensam que são orquídeas, tão belas, nas árvores do nosso Brasil, quando não passam de caranguejos (nada contra os caranguejos naturais!!!), que só andam para trás e pensam que o espelho retrovisor é o pára-brisa. Ou vai ver que têm, eles sim, cabeça de sardinha. E das enlatadas, ao molho do império de plantão.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Reeleger Ana Júlia, tarefa de uma geração


Por Leopoldo Vieira

Como vem ocorrendo em todos os debates, o tema Juventude foi amplamente discutido, mas sempre como um apelo retórico dos demais candidatos.

Ana Júlia foi a única que fez uma pergunta específica que, no caso do sorteio, caiu para o candidato do PSTU responder: “Cleber, você acha que é possível um projeto de desenvolvimento sem políticas públicas para a juventude?”
Isso aconteceu porque Ana Júlia considera os jovens o elo decisivo entre o Pará do “Já teve” e o Pará que cresce, se industrializa e promove justiça social, por isso investe em políticas como o Bolsa-Trabalho, reforma escolas, realiza a meia-passagem intermunicipal, garante os kits escolares, introduziu o Navegapará, e tantas outras medidas.

Como não vêem o jovem como estratégico, portanto prioridade, as demais candidaturas “choveram no molhado”.
Jatene sequer abordou o assunto, até porque pouco fez pela juventude em seu governo, deixando o Pará em 9º lugar no Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ-UNESCO).
PSOL e PSTU afirmaram que nada é feito para tirar o jovem da criminalidade, das ruas e que faltam investimentos em esporte, cultura e lazer, chegando ao cúmulo de afirmar que os 22 mil jovens egressos do Bolsa-Trabalho direto ao mercado de trabalho, com carteira assinada, nada representa, pois isso corresponderia a somente 0,5% da população economicamente ativa.
Não sabem do que falam.
Segundo a CAGED, 80% dos empregos gerados no Brasil (14 milhões) desde 2003, foram ocupados por jovens. Logo, dos 40 mil empregados gerados por Ana Júlia no Pará, também tiveram percentual semelhante. O Bolsa-Trabalho se propõe a qualificar sim uma parcela da juventude extremamente pobre e marginalizada, em situação de risco, com baixíssima escolaridade, e promove uma revolução de oportunidades, tirando ela da mais completa falta de perspectiva para a economia formal, com direitos trabalhistas. Exatamente por isso, o Bolsa-Trabalho ajuda a combater a entrada dos jovens no crime.
Ana Júlia transformou em lei uma reivindicação histórica da juventude, que é o direito de pagar meia-passagem em transportes terrestres e aquaviários, para ir às escolas e universidades estudar. Agora, 100 mil jovens não deixarão de se formar e concluir seus estudos básicos porque não tem como pagar passagens. Com a meia-passagem intermunicipal e os kits escolares, Ana Júlia desonerou de forma significativa a renda doméstica familiar e deu condições dignas de estudo para jovens que antes sequer podiam comprar o material básico para um bom aprendizado.

Mas desonerar a renda doméstica não é um fim em si. Fazendo isso, ela contribui para amenizar um dos problemas fundamentais da educação: o abandono da escola, por parte dos jovens, em busca de trabalho, precocemente; ou a necessidade inviável de conciliar estudo bem aproveitado com jornada de trabalho.
Com a reforma de 650 escolas, melhora o ambiente de estudo e o desempenho escolar. Não é à toa que o Pará sai de 2,3 para 3,1 no Ideb, tendo crescido o dobro do resto do país e alcançando a meta estipulada pelo MEC para o estado.

Quem vê o Navegapará, como os demais candidatos, como “lan houses”, está por fora do século XXI. Isso, além de possibilitar que o jovem do interior, o de baixa renda, possa ter acesso ao entretenimento, informação e socialização virtual que só os jovens mais ricos gozavam, também pode desenvolver seu aprendizado pela educação à distância, portanto suas condições de formular seu projeto de vida e seus conhecimentos para as relações sociais e o mercado, e o mais importante: não serão analfabetos digitais, a maior tragédia que poderia acontecer para uma geração nascida no interior de uma inédita revolução tecno-informacional.
Sem contar que, na área cultural, a SECULT inovou, e selecionou editais específicos de cultura, que são voltados ao financiamento de atividades artísticas paraenses, só para jovens artistas e produtores culturais. Uma oportunidade enorme para eles fazerem o que gostam e ajudar a valorizar nossa cultura, num estado onde ela sempre foi vista como grande evento.
Mas, o melhor ainda estar por vir.
Para impedir que o jovem de baixa renda abandone a escola, o programa de governo de Ana Júlia prevê a bolsa-educação, que vai possibilitar que ele não precisa largar os estudos para trabalhar tão cedo, antes de concluir o ensino médio. Também prevê esta mesma bolsa para egressos do ProJovem e Bolsa-Trabalho, para que eles possam seguir estudando após a qualificação profissional os recolocar no mercado de trabalho.

Para estruturar o tempo livre saudável, os 13 pontos de Ana Júlia “para acelerar as oportunidades da juventude”, prevê a interiorização, com referência onde tem Bolsa-Trabalho e ProJovem, das CASAs da Juventude, incluindo, agora, espaços para cultura (anfiteatros e salas de projeção), esporte (quadras/campos poliesportivos) e lazer, com cursinhos populares, bolsas-atleta e editais de cultura da juventude vinculados aos projetos desenvolvidos nesses centros, valorizando o jovem esportista e artista do município em questão. Oportunidade para a “galera” e para a cidade de modo geral mudar seus indicadores.
Esses são os dois carros-chefes da política de juventude “acelerada” do segundo mandato, mas não pára por aí.

Para responder a uma questão urgente, conforme a “CPI da Pedofilia” verificou, o Bolsa-Trabalho terá reserva de vagas para jovens vítimas da exploração sexual, para que elas tenham uma oportunidade de fato de mudar de vida.
A Emater terá uma assessoria técnica voltada só aos jovens rurais, para seus projetos poderem acessar o crédito agrícola do Ministério do Desenvolvimento Agrário e as escolas tecnológicas terão, também, cotas para essa juventude do campo, que representa 43% da população juvenil do estado, e vai ela mesmo aprender a gerenciar e produzir para alimentar a sociedade.
No segundo mandato, teremos a introdução das cotas sócio-raciais na UEPA, para abrirmos o reconhecido curso de Medicina, por exemplo, para jovens de baixa renda e afrodescentes que, inclusive, por terem uma vida longe de ser fácil, poderão dar um novo ponto de vista para os profissionais que saem dali, sobre a questão, por exemplo, da falta de médicos do interior.
Se é verdade que o Pará tem a maior taxa de analfabetismo do Norte brasileiro, isso não passa em branco pela candidata Ana Júlia, que planeja, além de fortalecer o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos-MOVA, enolver, a partir de um projeto de vivência, estudantes universitários para uma grande campanha de erradicação do analfabetismo, especialmente o juvenil, porque não podemos mais conceber, por justiça e pelos desafios que temos, mais uma geração de analfabetos.

Para completar o avanço, uma política estruturante que vê o jovem como motor do desenvolvimento com justiça social, à exemplo do que ocorre nacionalmente, Ana Júlia já prepara um amplo estudo, via IDESP, para o Poder Público conhecer todos os detalhes da condição socioeconômico-cultural dos jovens paraenses, para desenvolver um Plano estadual de oportunidades, válido por 10 anos, consistindo no planejamento do investimento na atual geração para fazer o Pará chegar ao século XXI.
Por fim, se no Brasil, a juventude se entusiasma com a grande fase do país, com crescimento de 5%/ano em média, Copa do Mundo, Olimpíadas, descoberta do pré-sal, passar da condição de devedor à credor do FMI, a transição de 30 milhões de pessoas da pobreza à classe média etc., no Pará, a Alpa e o Pólo do Biodiesel são dois paradigmas de que a tarefa política da atual geração neste momento é reeleger Ana Júlia governadora.

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LEOPOLDO VIEIRA é coordenador de juventude da campanha de Dilma Rousseff no Pará e autor de Juventude: Novas Bandeiras.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Direita brasileira ensaia um Golpe Mediático


Crônicas e Críticas da América Latina


Vencer, vencer ou vencer é preciso

Pedro Ayres
Jornalista

Uma das mais insidiosas mentiras, há muito usada para anular a consciência política das massas, é a falta de memória do povo.Volta e meia, quando intentam justificar o injustificável até mesmo para o próprio amoralismo, recordam o falso axioma - o povo brasileiro não tem memória. De tanto falarem e repetirem essa mentira que, por incrível que possa parecer, tornaram-se as maiores vítimas da própria mentira. Foi e é o feitiço contra o feiticeiro. Hoje, 56 anos depois de 24 de agosto de 1954, o que era emoção e sentimento de dor, agora tem sentido político e claro objetivo. Assim como 1964 também já tem outro entendimento, menos autocomiserativo, mais analítico e dialético, em que, ao invés de lutas entre personalidades políticas, entende-se que o que houve foi a vitória do sistema neo-capitalista mundial contra os anseios do povo brasileiro por mais soberania, independência, progresso e bem-estar social.

Desde 1964 que o capitalismo nacional e estrangeiro luta para esmagar a lembrança de Getúlio Vargas e de tudo aquilo que ele representou em termos de propostas nacionalistas e trabalhistas. Cientistas sociais, politólogos, brazilianists, jornalistas e economistas compõem a grande legião de "estudiosos" que há muito decretaram o "fim da Era Vargas", como sinônimo da total e completa submissão aos interesses imperialistas por parte do país e de esmagamento dos direitos sociais e civis da massa trabalhadora.

O leit motiv dessa campanha, era a crença na mentira que eles mesmos tinham criado. Assim, o resultado é que não foram capazes de compreender o mais importante fenômeno político deste início de século - a geração de um movimento político popular, em que a memória, a emoção e os sentimentos de identidade são a principal liga de sua luta.

O incrível é que tudo isso foi se realizando em termos concretos, como memória coletiva e na consolidação do que há muito as massas almejavam ver resolvido. Foi realmente uma tarefa inigualável, pois, além de resistirem à dominação ideológica do sistema, eliminaram a aculturação que o império tentava e tenta impor. Hoje, porém, através da transmissão oral das experiências e recordações de velhas lutas populares, do conhecimento e aprendizado a respeito do que se passa na América Latina e das lutas de nossos vizinhos, foram construindo um conceito de Estado e a conseqüente economia política para esse Estado.

Uma construção que hoje pode ser compreendida como um pensar político próprio e início de uma nova proposta política. Uma proposta que ainda está em formação, mas, que significa algo bem distinto do que existe em termos capitalistas e daquilo que se poderia intitular como a não-ideologia capitalista. Na realidade, como acontece em todas as etapas de transição histórica, há um momento em que os processos de superação de algumas contradições secundárias são tão rápidos em suas dinâmicas, que há a sensação de algo difuso e até mesmo, confuso. É, pois, esta a situação que se está a viver na América Latina e que desnorteia o formalismo da lógica burguesa, acostumada a crer na imutabilidade de seu poder e destino.

A furiosa e imoral campanha desenvolvida contra o Governo Lula e a candidatura Dilma Rousseff, mais do que uma indigna luta em favor de um candidato do sistema, representa os raivosos esgares de ódio do Império e seus sequazes ante este sinal de que o seu tempo chegou ao fim. Para o Império e seus cúmplices brasileiros, tão ou mais grave que a perda de seus privilégios e interesses econômico-sociais, está a suprema das ofensas, que é a ascensão do povo à categoria de um ser humano com reais direitos e regalias cívico-políticas.

É assim que se pode e se deve compreender o atual presente da campanha eleitoral brasileira. De um lado, um povo mobilizado por seus direitos e manifestando-se com festas, alegria e certeza da justa vitória. Do outro, as elites oligárquicas, cheias de ódio, preconceitos e plena convicção de sua derrota nas urnas no próximo 3 de outubro. Como os ideais democráticos, para essas elites e para o Império, sempre foram meras palavras - "words, words, mere words, no matter from the heart"-, a pregação golpista e a sórdida aliança com estelionatários é apenas o lógico corolário de sua história de exploração e saqueio das riquezas dos povos sob esse tipo de domínio.

Vencer é necessário, vencer no primeiro turno é mais preciso ainda. Nós, o povo, temos que dar a mais clara e cabal resposta a esses crápulas através de uma votação aplastante em favor de Dilma Rousseff e de todos os candidatos que conformam a aliança de apoio à sua candidatura. Temos que dar um basta a essas sujas e corruptas manobras engendradas por aqueles que sempre foram contrários a um Brasil livre e desenvolvido.

Todos, pois, à Vitória!
********************

Pedro Ayres

Jornalista

Dilma e Lula.jpg
Vencer, vencer ou vencer é preciso

Pedro Ayres
Jornalista

Uma das mais insidiosas mentiras, há muito usada para anular a consciência política das massas, é a falta de memória do povo.Volta e meia, quando intentam justificar o injustificável até mesmo para o próprio amoralismo, recordam o falso axioma - o povo brasileiro não tem memória. De tanto falarem e repetirem essa mentira que, por incrível que possa parecer, tornaram-se as maiores vítimas da própria mentira. Foi e é o feitiço contra o feiticeiro. Hoje, 56 anos depois de 24 de agosto de 1954, o que era emoção e sentimento de dor, agora tem sentido político e claro objetivo. Assim como 1964 também já tem outro entendimento, menos autocomiserativo, mais analítico e dialético, em que, ao invés de lutas entre personalidades políticas, entende-se que o que houve foi a vitória do sistema neo-capitalista mundial contra os anseios do povo brasileiro por mais soberania, independência, progresso e bem-estar social.

Desde 1964 que o capitalismo nacional e estrangeiro luta para esmagar a lembrança de Getúlio Vargas e de tudo aquilo que ele representou em termos de propostas nacionalistas e trabalhistas. Cientistas sociais, politólogos, brazilianists, jornalistas e economistas compõem a grande legião de "estudiosos" que há muito decretaram o "fim da Era Vargas", como sinônimo da total e completa submissão aos interesses imperialistas por parte do país e de esmagamento dos direitos sociais e civis da massa trabalhadora.

O leit motiv dessa campanha, era a crença na mentira que eles mesmos tinham criado. Assim, o resultado é que não foram capazes de compreender o mais importante fenômeno político deste início de século - a geração de um movimento político popular, em que a memória, a emoção e os sentimentos de identidade são a principal liga de sua luta.

O incrível é que tudo isso foi se realizando em termos concretos, como memória coletiva e na consolidação do que há muito as massas almejavam ver resolvido. Foi realmente uma tarefa inigualável, pois, além de resistirem à dominação ideológica do sistema, eliminaram a aculturação que o império tentava e tenta impor. Hoje, porém, através da transmissão oral das experiências e recordações de velhas lutas populares, do conhecimento e aprendizado a respeito do que se passa na América Latina e das lutas de nossos vizinhos, foram construindo um conceito de Estado e a conseqüente economia política para esse Estado.

Uma construção que hoje pode ser compreendida como um pensar político próprio e início de uma nova proposta política. Uma proposta que ainda está em formação, mas, que significa algo bem distinto do que existe em termos capitalistas e daquilo que se poderia intitular como a não-ideologia capitalista. Na realidade, como acontece em todas as etapas de transição histórica, há um momento em que os processos de superação de algumas contradições secundárias são tão rápidos em suas dinâmicas, que há a sensação de algo difuso e até mesmo, confuso. É, pois, esta a situação que se está a viver na América Latina e que desnorteia o formalismo da lógica burguesa, acostumada a crer na imutabilidade de seu poder e destino.

A furiosa e imoral campanha desenvolvida contra o Governo Lula e a candidatura Dilma Rousseff, mais do que uma indigna luta em favor de um candidato do sistema, representa os raivosos esgares de ódio do Império e seus sequazes ante este sinal de que o seu tempo chegou ao fim. Para o Império e seus cúmplices brasileiros, tão ou mais grave que a perda de seus privilégios e interesses econômico-sociais, está a suprema das ofensas, que é a ascensão do povo à categoria de um ser humano com reais direitos e regalias cívico-políticas.

É assim que se pode e se deve compreender o atual presente da campanha eleitoral brasileira. De um lado, um povo mobilizado por seus direitos e manifestando-se com festas, alegria e certeza da justa vitória. Do outro, as elites oligárquicas, cheias de ódio, preconceitos e plena convicção de sua derrota nas urnas no próximo 3 de outubro. Como os ideais democráticos, para essas elites e para o Império, sempre foram meras palavras - "words, words, mere words, no matter from the heart"-, a pregação golpista e a sórdida aliança com estelionatários é apenas o lógico corolário de sua história de exploração e saqueio das riquezas dos povos sob esse tipo de domínio.

Vencer é necessário, vencer no primeiro turno é mais preciso ainda. Nós, o povo, temos que dar a mais clara e cabal resposta a esses crápulas através de uma votação aplastante em favor de Dilma Rousseff e de todos os candidatos que conformam a aliança de apoio à sua candidatura. Temos que dar um basta a essas sujas e corruptas manobras engendradas por aqueles que sempre foram contrários a um Brasil livre e desenvolvido.

Todos, pois, à Vitória!
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Pedro Ayres

Jornalista

Seria possível uma onda vermelha?

Da Carta Maior:

DEBATE ABERTO
Na reta da chegada, seria possível uma onda vermelha?

Lideranças como o MST e Leonardo Boff vêm afirmando que é preciso afastar o risco tucano. Essa será a missão nas próximas semanas, para quem acredita num Brasil dinâmico, como pressente tão bem o povo em sua sabedoria, que parte de sua vida real, tantas vezes sofrida e agora sentindo mudanças.

Luiz Alberto Gómez de Sousa


Duas observações iniciais. Não tenho militância partidária. Aposto, antes de tudo, num processo de mutações sócio-políticas a largo prazo e na caminhada das forças populares. Acompanho com interesse os movimentos sociais e sinto que eles são determinantes, como mediadores das forças que atuam na sociedade, ainda que alguns deles, presos a análises ideológicas abstratas, tenham descolado do povo real. Já adianto que isso não se deu no MST, sempre ligado às bases. Além disso, em certas ocasiões, principalmente no começo de novos processos históricos, os partidos e o governo também podem chegar a ter especial importância, dando oportunidade às forças sociais e a seus movimentos de se manifestarem e crescerem. É aí que o Estado, como sociedade política, pode assumir um papel relevante. No caso do Brasil, ele esteve presente em momentos de construção da nação e daí os esforços de alguns para desconstruí-lo e reduzi-lo a um estado mínimo.

A segunda observação é que, sentindo a sensibilidade mais profunda da nação e de seus apoios sociais concretos, dá para perceber que transformações radicais já começaram a se dar com firmeza durante o período do governo Lula. É preciso que elas sigam adiante, apoiadas por próximos mandatos, para tornar o processo social sempre ascendente e cada vez mais sólido. Há tempos históricos únicos, como a Holanda no século XVII ou a Inglaterra no XIX, em que a nação, com as contradições e imperfeições inevitáveis, passou a outro patamar. Pareceria que o Brasil atravessa um momento desses. E então Estado, partidos, movimentos, têm um papel fundamental.

São processos que dependem de forças nos subterrâneos da sociedade (underground), que se expressam através de diferentes atores, movimentos ou lideranças. Neste momento preciso do Brasil, as forças populares e o PT têm cumprido, com Lula, um papel protagonista. Não é a toa que todas as baterias dos setores até agora dominantes se voltam contra eles, principalmente contra o PT, retomando ou reinventando velhos ou novos dossiês e todo tipo de denúncias. O próprio partido, às vezes, pode ter fornecido material para os ataques, mas na maioria das vezes estes são forjados ou adulterados. E existem dentro do PT, há que convir, nichos de uma “nomenclatura” de velhos hábitos que nem sempre ajudam. Há também, na oposição de esquerda, aqueles que aguardavam milagres que não tinham condições objetivas de se realizar e se desiludiram proporcionalmente a suas esperanças inalcançáveis. Eles se unem, mesmo sem querer, às azedas críticas conservadoras.

No centro de processo está um dirigente genial, que encarna magistralmente o papel de catalisador de possibilidades. Fora do Brasil isso é mais bem entendido do que aqui, por parte de meios de comunicação que se auto-proclamam “formadores de opinião”. Como seria possível tal pretensão, quando a maioria acachapante da população caminha em outras direções? Há neste momento um encontro raro na história entre bases reais e uma liderança que saiu de dentro delas. Uma gangorra de alternância política agora não ajudaria, a não ser para politólogos que só se fixam em aspectos institucionais em suas análises acadêmicas, fora de um contexto histórico real.

A popularidade de Lula é esmagadora, assim como o crescimento de Dilma nas pesquisas. Esta última provou ter vôo próprio e tem demonstrado nos últimos anos, enorme capacidade de propor e de realizar. Depois de um tempo de carisma fulgurante, precisamos talvez de um esforço de consolidação em alto nível e especial tino administrativo. Os meios de comunicação atucanados tudo fizeram para negar (lembram-se da Globo com as diretas?), mas aos pouco vão tendo que aceitar a realidade. E agora se voltam para a eleição em outros níveis. Estes é que devem então ocupar a nossa atenção nas próximas semanas.

O problema no futuro imediato não será o PSDB, na sua função normal, numa democracia, de ser oposição, mas o PMDB, com dentes aguçados, pensando em uma possível co-habitação. Este já conseguiu colocar como candidato a vice-presidente um político tradicional, incolor porém matreiro. Dá a impressão de que o próprio Lula – ou alguns de seus assessores – não acreditavam na consistência do processo e entraram rapidamente em alianças ambíguas.

Foi um erro o PT não ter candidatos próprios no Rio de Janeiro e em Minas Gerais que, bem apoiados, poderiam ter sido alternativas reais (no caso do Rio não é a primeira vez que ocorre esse erro, imposto desde uma paulicéia míope). Resta-nos aqui votar em Sérgio Cabral e, em Minas, fazer um esforço especial em Hélio Costa, com a vantagem deste último ter, como companheiro de chapa, um político do valor de Patrus Ananias. Haveria que apostar fundo em São Paulo na eleição de Mercadante, que está em ascensão (lembram-se de Erundina nas últimas semanas?). Outro desafio está no Rio Grande do Sul, para Tarso Genro já vencer no primeiro turno, pois num segundo corre perigo com a união dos adversários. Temos eleições que vão bem, com o PT ou aliados confiáveis, como no Acre, na Bahia, em Pernambuco, Ceará ou Sergipe.

Há que dizer que as alianças, dependendo de quais sejam, podem trazer benefícios e uma dimensão pluralista. Um partido isolado e intolerante arrisca cair no autoritarismo ou resvalar no clientelismo. Alianças com o PSB de Eduardo Campos, o PC do B e de setores do PDT podem ser saudáveis. Por outro lado, alguns nanicos podem atrapalhar, pela sede de poder. No próprio PMDB há lideranças respeitáveis e de valor como a de Pedro Simon, mas a seu lado temos Jader Barbalho, Renan Calheiros, o inefável Sarney e a figura de Orestes Quércia, que pelo menos apóia Serra e está do outro lado. Ciro Gomes anda calado, fazendo campanha para seu irmão no Ceará, mas é um nome que seria útil no futuro. Que fim inglório o do histórico partidão, travestido num conservador e raivoso PPS!

Um escândalo é o que ocorre no Maranhão. Ali Jackson Lago, administrador eficiente, foi derrubado pelo clã Sarney. E infelizmente, ressentido, quis ser candidato juntando-se a Serra. Ele possivelmente cairá logo adiante pela Ficha Limpa. Mas o governo não precisava apoiar acintosamente Roseana, quando tem também ali, na base aliada, um Flávio Dino, do PC do B, que poderia, ao eleger-se, limpar o estado de um coronelismo anacrônico. Os votos de Jackson poderiam ajudar. Será que o eleitorado, mesmo num estado difícil como o Maranhão, não fará essa escolha? Lembremos que no Pará, no passado, as bases se rebelaram com decisões da direção petista.

O outro grande e fundamental esforço é com senadores e deputados. Assim, no Rio, seria importante, por exemplo, eleger Lindberg Farias para senador, Alessandro Molon ou Antonio Carlos Biscaia para deputados federais, Robson Leite para deputado estadual. Seria tempo, nas várias instâncias eleitorais, de preparar o declínio inglório de certas lideranças. Para isso há que aproveitar o grande momento do Ficha Limpa, que a sociedade praticamente impôs aos partidos. Um líder do governo ousou dizer que esse projeto não era prioridade do estado, apenas da sociedade, e por isso não tinha a mesma prioridade de outros projetos. Ainda bem que o fizeram calar a tempo.

As eleições se resolvem nas últimas semanas. É sempre perigoso cantar vitória antes do tempo. Mas com imaginação e um pouco de audácia, poderíamos apostar numa onda vermelha, na reta de chegada. É hora de colocar as energias em todos os níveis eleitorais. Há uma grande tarefa de melhorar o legislativo, literalmente avacalhado, agora que o Ficha Limpa vem para dar uma varredura geral. O eleitorado poderia afastar certos candidatos sem esperar decisões judiciárias. Afinal, ele é o próprio autor do projeto, através de movimentos sociais e de mobilizações massivas.

É difícil falar de Marina Silva, grande liderança que, como Lula, saiu das bases da sociedade. Quando a conheci, passei a ter por ela uma grande estima, admirando sua inteligência e sensibilidade. Mas o fato de ser empurrada para a disputa do poder, fez com que suas intuições e força telúrica em corpo franzino, perdessem a limpidez das propostas que trazia. Foi levada a falar de tudo um pouco, sem marcar uma diferença expressiva e criativa. Teria sido mais útil se tivesse ficado como uma voz lúcida e livre no cenário nacional e internacional, no parlamento ou em cargo executivo e não arrastar-se monotonamente nas pesquisas entre 8 e 9% do eleitorado. Se essa cifra correspondesse a uma real sensibilidade ecológica, até que seria muito bom. Mas há ali misturados votos negativos de rejeição e também, ainda que menos visível, um papel que a velha UDN jogou no passado, com propostas puristas que caíam muito bem em certos meios sociais. E, via Gabeira, encontra indiretamente Serra.

Alguns, com viseiras ideológicas abstratas e uma visão absolutista, continuam com a cantilena de que todos os candidatos principais são iguais, negando o processo histórico em marcha. Todos eles somados apenas poderiam ultrapassar o 1% do eleitorado. No fundo, parecem estar dizendo que o povo não sabe votar e que é preciso apostar numa elite iluminada e vanguardeira que um dia imporia a luz.

Felizmente lideranças expressivas, como o MST e Leonardo Boff, vêm afirmando que é preciso afastar o risco tucano. Essa será a missão nas próximas semanas, para quem acredita num Brasil dinâmico, como pressente tão bem o povo em sua sabedoria, que parte de sua vida real, tantas vezes sofrida e agora sentindo mudanças. Na urna já seria tempo de pôr em prática a Ficha Limpa. E há, sobretudo, que dar liberdade a Dilma para fazer um governo com menos amarras que o atual, com outro legislativo que possa defendê-la melhor de alianças corrosivas e que reabilite esse poder, essencial numa democracia.

Luiz Alberto Gómez de Sousa, sociólogo e ex-funcionário das Nações Unidas, é diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Viva o povo Brasileiro

Do Blog do Emir


Viva o povo brasileiro!

Massacrado pelos monopólios da velha mídia, desinformado sobre o país, vitima das mentiras reiteradas da oposição midiática, o povo brasileiro demonstra nestas eleições um grau de consciência política e de maturidade cívica exemplares. Consegue distinguir o essencial do secundário, opta pela prioridade das políticas sociais sobre a absolutização do ajuste fiscal, condena os políticos responsáveis pelos governos desastrosos do passado, opta pelo Estado como indutor do crescimento e da distribuição de renda.

Reconhece em Lula e na Dilma os principais responsáveis pelas mudanças positivas que o pais vive, execra a FHC, a Serra, à Globo e aos seus aliados da velha mídia, não dando bola para seus factóides e deixando-os na solidão do seu golpismo. O povo reconhece os avanços principais que o país teve, assiste os programas da Dilma na TV, comparece aos comícios de Lula e da Dilma, e se reconhece, sabe que tudo o que se mostra e se diz reflete as mudanças de vida que estão vivendo no seu mundo sofrido e até aqui abandonado.

Não deram ouvidos para as infâmias da oposição e sua velha mídia, de preconceitos contra as mulheres – que hoje majoritariamente também preferem Dilma -, contra os lutadores contra a ditadura, contra os movimentos sociais e os militantes políticos, que saem todos engrandecidos com o apoio popular.

Derrotados saem a Globo, a Veja, a FSP (Força Serra Presidente), o Estadão e todos os arautos do golpismo, do velho Brasil, das oligarquias tradicionais, com seus métodos de manipulação da opinião pública e de desprezo e discriminação pelo povo e por tudo o que é popular.

O povo percebe a diferença entre a demagogia opositora, não dá ouvidos a quem pretende ser eqüidistante dos dois campos em luta, relega ao ostracismo os que pretendem que nada mudou no Brasil. O povo não é bobo, encontra em Lula e na Dilma as vertentes do futuro, reconhecem a valorização do Brasil, sentem a auto-estima revigorada, superam o desalento, voltam a acreditar em si mesmos e no país.

Por isso o povo impõe a mais acachapante derrota às elites tradicionais, com sua velha imprensa, seus políticos caducos, sua demagogia superada. Derrota os caciques tradicionais que os enganaram durante tanto tempo, mandam FHC para o exílio e Serra para a aposentadoria, os tucanos para o museu da história.

“Esse povo de quem fui escravo, não será mais escravo de ninguém”, pregava e previa o Getúlio na sua Carta Testamento. Quem não reconhece esse povo, que começa a construir sua soberania, sua emancipação, seu destino próprio, suas formas solidárias de vida, está de costas para o país e merece ser derrotado fragorosamente nas eleições deste ano.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

POR QUE ANA JÚLIA VAI GANHAR A REELEIÇÃO

de: http://cronicasdorlando.blogspot.com/2010/09/por-que-ana-julia-vai-ganhar-reeleicao.html
As pesquisas de opinião que dão a apoteótica vantagem da candidata do PT à Presidência sobre o seu principal concorrente mais do que um afago é uma incontida carícia no ego de quem por ela tem preferência.

Quem ousar negar esse sentimento de prazer é porque está faltando com a verdade.

Até o mais discreto dos discretos dos eleitores de Dilma Rousseff já não se contém em demonstrar sua convicção na vitória logo no dia 3 de outubro.

Muitos são os que dizem que pesquisa não ganha eleição.

Antes de adentrar a barca das pesquisas o bom senso recomenda que se analisem as tendências.

São as tendências que confirmam e homologam a lógica das pesquisas indicando a inclinação do eleitor.
No caso da eleição presidencial pesquisas e tendências apontam uma hecatombe: a vitória irreversível de Dilma Rousseff logo no primeiro tempo de jogo.

No Pará a única pesquisa Ibope/TV Liberal mostra o tucano Simão Jatene à frente da governadora Ana Júlia.
Trata-se tal levantamento de um retrato momentâneo da eleição no Estado e seria querer demais que o resultado fosse diferente.
A tendência é que o quadro mude de configuração para o segundo turno.

E mudará.
Em favor de Ana Júlia.
Sem dúvida.

Porque a governadora paraense é a candidata de Lula e “filha” da virtualmente eleita Presidente, Dilma Rousseff, a Mãe do PAC... e dos brasileiros.
Esse fator deve ser levado em conta a partir de 4 de outubro e quem não o fizer se esborrachará.

Ana Júlia tenderá a crescer deixando Jatene para trás. Na lona.
Explica-se: O tamanho da surra de Dilma no Serra é de 52% a 31% e ainda tem 9% dos votos da candidata verde, Marina Silva que deve voltar para o anonimato em Rio Branco.

A vantagem de 10% do tucano Simão Jatene não dá nem pra saída no segundo turno.
Ana Júlia vai colar de vez em Dilma e Lula.
E olhem que esses 10% do Ibope são absolutamente questionáveis.

É tão possível quanto provável que Jatene não tenha nem 5%.
Assim como tudo indica que Dilma Rousseff esteja na casa dos 60%.

Como se nada disso bastasse, temos ainda o candidato do PMDB, Domingos Juvenil.
Pelo menos 6% dos eleitores declaram que votarão nele para governador.
Importa lembrar que Juvenil é do partido do vice na chapa de Dilma, o Deputado Michel Temer.

E não se falou nem de Jader Barbalho ainda.
Jader terá uma votação estrondosa para o Senado.
Se será eleito e se eleito tomará posse, isso depende do STF.
Nada mudará a vontade do eleitor jardista de votar em Ana Júlia.
Ou vocês acham que Jader vai pregar o voto no Jatene, contra o Vice Presidente eleito e seu próprio Partido?

Jamais.

Simão Jatene não resiste a um comício de Ana Júlia com Dilma e Lula.

Fico a imaginar o Serra, com seus humilhantes 18% - é o quanto ele terá em 3 de outubro – pedindo votos para algum candidato, quanto menos pro Simão Jatene.

O que ele teria a dizer?
A batalha está apenas nas preliminares.
A onda vermelha ainda nem começou no Pará.


sábado, 4 de setembro de 2010

Porque eu voto no PT:

Quando a esperança venceu o medo, o Brasil começou a reescrever sua história. Lula chamou o povo brasileiro para reconstruir nosso país. Um país de cor, de todos os cheiros, de todas as vontades, de todos os sonhos. O povo atendeu ao chamado e, hoje, está construindo seu presente tendo como referencia seu passado e mirando no futuro. Quando a esperança vence o medo, o sonho torna-se realidade.








Do Portal do Luis Nassif:

"Lula: Governar é fazer o óbvio

O presidente Lula participou de um evento hoje (dia 03 de setembro) em Santa Maria(RS) onde inaugurou sete campi de quatro universidades públicas gaúchas: Universidade Federal de Santa Maria(UFSM),Universidade Federal do Pampa (Unipampa),Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em seu discurso,Lula reafirma e consolida sua atuação em defesa da universidade pública e gratuita para mais brasileiros."


A lição e o óbvio

"Muitos de vocês jovens que estão me ouvindo agora serão um dia autoridades em suas cidades ,em seus Estados,em suas universidades...O grande legado que eu poderia deixar depois de oito anos de mandato e que pudesse servir de lição de vida para quem quer governar as cidades,os Estados ou a União depois de mim,que tenha uma palavra mágica,uma palavra simples que todo mundo sabe,mas que muitas vezes nós nos esquecemos.A palavra do sucesso é a palavra óbvio.Se cada um de nós fizéssemos apenas o óbvio quando estamos no governo,nós não erraríamos e sabíamos a revolução que estamos fazendo neste país,neste momento."


A estratégia

"Uma vez,lá na Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo,nós encomendamos um estudo para saber qual era a mais importante prioridade da sociedade brasileira e essa pesquisa foi feita por telefone dos mais diferentes segmentos da sociedade e entrevistamos milhares de pessoas...E só tinha uma unanimidade: todo mundo queria uma Educação de qualidade.Era unânime,100% queria uma Educação de qualidade e quando nós perguntamos se era possível atingir essa Educação de qualidade,mais de 80% não acreditavam que nós pudéssemos fazer uma Educação de qualidade no Brasil.Ou seja,era um povo que sabia o que queria,mas era um povo que tinha a convicção que seus governantes não seriam capazes de atender aquilo que era a necessidade maior da sociedade brasileira.

Foi por isso que tomamos uma decisão no Governo...Quando você vira Governo,seja prefeito,governador,vale para presidente da república e vale para reitor também.Ou seja,você tem a base do Governo que quer fazer investimento,você tem a base do Governo que quer fazer contenção de despeza para poder pagar o que o Estado deve e você tem aqueles que são responsáveis pela arrecadação.Então tudo que você tenta fazer no Governo,aparece um ou mais que lhe diz para você que não pode gastar.Você não pode gastar na Educação,na Saúde... Ou seja,tudo vira gasto e nada é tratado como se fosse investimento.No primeiro ano de governo,nós numa reunião ministerial,eu tomei uma decisão de que era proibido nas reuniões ministeriais e nas reuniões comigo que era proibido qualquer ministro falar na palavra gasto e tratar-se de investimento na Educação.Era proibido!"


Sobre o ajuste fiscal

"Por que nós éramos induzidos a entender que o principal quando alguém que quer governar uma cidade,um Estado ou uma União é você fazer uma contabilidade em que no final do ano zere.Você não tem despesa,você não tem não fez nada,mas você não fez dívida e isso algumas pessoas gostam,quando na verdade todo mundo sabe que pra você colher o futuro é preciso você tem que fazer investimento hoje,é preciso fazer alguma dívida para você ter retorno amanhã ou depois de amanhã.

Então nós mudamos duas décadas o que no Brasil só pensava em ajuste fiscal e quando nós ouvimos essa palavra,ajuste fiscal, significa aumentar imposto,significa reduzir salário...Toda vez que alguém falar em ajuste fiscal você pode ter certeza que significa aumentar imposto e reduzir salário.Salário de quem? Da máquina pública que muitas vezes foi acusada de ganhar muito,mas eu estou cansado de ver como presidente da república,gente de qualidade do governo,da máquina pública que era tido com marajá há dez anos atrás ganhando 20 mil reais e ser convidado por uma multinacional para ganhar 200 mil reais ou 300 mil reais por mês,inclusive gente de qualidade de uma empresa como a PETROBRAS que ganha 40 mil reais e é convidado para prestar serviço por 100 mil ou 80 mil dólares à outras empresas.Então nós invertemos esse quadro,quando se tratar de Educação,nós temos que fazer investimento e nós temos que medir a a consequência desse investimento na certeza que esse dinheiro seja bem aplicado para que tenhamos um retorno como um grande cientista,como um grande pesquisador,como alguém que vai contribuir para o crescimento do país."


A razão de sua alta popularidade

"Outra coisa que nós tomamos como decisão...No Brasil,presidente da república,um ministro da Educação,não se reuniam nem com estudantes e muito menos com os reitores.Eu não sei qual era o medo que os reitores causavam,até ministros da Educação haviam sido reitores... É inacreditável!

Possivelmente fosse o mesmo medo que os presidentes tinham de receber prefeitos e vocês prefeitos sabem que a visão que se tinha na época é que se o presidente fosse governar com vocês,vocês tinham muito dinheiro com o presidente.Então ele também não recebia prefeitos.Imaginem o absurdo do absurdo: eu sou o presidente de um país em que eu não recebo um reitor,em que não recebo um prefeito,em que eu não recebo estudantes,em que eu não recebo os trabalhadores,não recebo suas entidades... O que estamos fazendo na presidência da república? Para quem nós estamos governando?

Veja,eu fui desde de 2003 à todas as marchas de prefeitos que fizeram em Brasília,não espera o prefeito pedir audiência comigo,eu pegava todo meu ministério e vocês são testemunhas,levava 30 ministros para participar da marcha dos prefeitos...Eles apresentavam suas reivindicações e nós olhando uns nos olhos dos outros dizíamos nós podemos ou nós não podemos.O que haveria um presidente de ter medo de um prefeito,o que haveria um presidente de ter medo de um reitor,o que haveria um presidente de ter medo de um estudante?"
Relação com os estudantes e o diálogo

Esses dias em Caruaru,eu e o companheiro Fernando Haddad tivemos uma surpresa.O Yann,presidente da UBES foi preocupado conversar comigo e com o Fernando Haddad e falar...Olha,ô ministro,nós estamos com um problema aqui,por que quando o presidente Lula tomou posse,nós apresentamos 13 pontos de reivindicação e vocês já cederam tudo.O que que a gente faz?

Ou seja,na verdade quando uma pessoa qualquer por falta de inteligência política acha que o governo cooptou a UNE ou a UBES,na verdade foram eles que cooptaram com o governo para fazer aquilo que tinham que ser feito como pagamento de dívidas com os estudantes brasileiros.Nós só aprendemos conversando com reitores,Antes de eu ser presidente ,eu cansei de passar em universidades e o reitor me convidava para visitar banheiros sem papel higiênico,não tinha dinheiro,azulejo caído,não tinha dinheiro para reparar...Essa era a situação da universidade brasileira.Como é que a gente poderia melhorar a situação do país se a gente não chamasse para dizer:vamos ajudar a consertar esse país!

E tenho muito orgulho de dizer para esses magníficos reitores que estão nos assistindo pela TV que não quero ser eu o único,mas já carrego a primazia de ser o primeiro presidente da república que se reuniu todo ano com todos os reitores de todas as universidades federais,todos os reitores dos IFFs e com todos os estudantes representados pela União Nacional dos Estudantes que não me tiraram um pedaço.Esse dedo eu perdi quando eu tinha 17 anos de idade e nem pensava em ser presidente da república.

É com mais orgulho ainda,ao deixar a presidência da república,eu assisto ao meu ministro da Ciência e Tecnologia ir na SBPC e ser aplaudido de pé.Fernando,eles não tinham coragem de ir no dia da posse,imagine no final do mandato?

Na nossa cabeça,numa democracia existe espaço pra uma pessoa levantar um cartaz contra,um cartaz a favor,existe espaço pra uma vaia,existe espaço para um aplauso e não temos que ter medo disso.São essas coisas que vão se fortalecendo dentro de nós a questão democracia."


A democracia,o Estado e a sociedade

"Aquele Palácio do Planalto bonito do jeito que era -falam que nós avacalhamos-Na verdade nós democratizamos ,ali era chic,era para reis,rainhas,príncipes e princesas ou banqueiro ou empresário.Ali,nós começamos a colocar todo mundo.Eu lembro de um dia que houve uma briga em relação aos portadores de deficiência visual e seus cães guias. A Igreja não queria,o Metrô não queria que seus cachorros entrassem ,os shoppings estavam proibindo...O que que fiz para mostrar? Eu trouxe pra dentro do Palácio os portadores de deficiência visual e seus cachorros e nenhum desrespeitou o Palácio do Planalto ou fez qualquer sujeira no Palácio.Como é que a gente não quer proibir alguém que quer entrar no Palácio do Planalto e deixar de fora seus olhos que são seus cachorros?

Ali naquele Palácio entrou catador de papel que nunca imaginou entrar,moradores de rua que nunca imaginaram entrar e não precisava trocar de roupa,vieram do jeito que quiseram vir,ali entrou sem-teto,para que nós estabelecêssemos uma nova relação entre Estado e a sociedade.Para que a gente não tivesse medo,por que o político tem uma deficiência mental,ou seja,na época da eleição ele anda na rua de carro aberto,beija todo mundo,abraça todo mundo.Todo político em época de eleição fala mal de banqueiro,fala mal de empresário,fala mal de latifúndio e fala bem do pobre.Não há nada mais sagrado do que pobre em época de eleição.Coloca uma criança rica,coloca uma criança pobre e coloca um político na frente que ele vai logo na criança pobre pra ´pegar pra dar um beijinho.Depois que terminam as eleições,quem vai jantar com eles são os ricos e não são os pobres."

O preconceito

"O que nós estamos querendo é mudar essa lógica,essa lógica preconceituosa que levou esse país a tantos anos de atraso.A lógica perversa de que a inteligência era confundida com conhecimento ou com os anos de escolaridade,alógica perversa de que o Brasil devia ser governando para 35% da população e o resto é o resto...

O preconceito que não permitia que um operário pudesse chegar à presidência do Brasil,que um negro não pudesse chegar à presidência da África do Sul,um índio à presidência da Bolívia e assim por diante os preconceitos vão sendo derrubados e agora um negro eleito à presidência dos Estados Unidos pra mostrar que é possível através da democracia a gente conquistar mais espaço."

O papel da universidade brasileira

"A mim me inquieta companheiros reitores e meu ministro da Educação,a universidade não estar preocupada com que está acontecendo fora da universidade,na sua cidade,no bairro.As vezes uma universidade é encostada numa favela e você pergunta quantas vezes os alunos e professores foram passar um dia conversando com aquele favelado.Não foram por que não fazem parte de seu habitat natural.

As realizações

[...]"Faltam três meses e poucos dias para o fim do meu mandato,cada dia vale ouro e ainda temos que inaugurar setenta e poucas Escolas Técnicas e nós vamos inaugurar uma a uma "[...]

[...]"Hoje nós já estamos com 117 ou 118 extensões universitárias,tentando levar para todo território nacional ,de Manaus à Coari,tentando levar braços das universidades federais que eu não sei por que foram criadas somente nas capitais.Nós queremos,como diz o Olívio Dutra,espraiar em todo o território nacional, as nossas universidades federais...Nós não podemos nos contentar com país sendo o maior exportador de café do mundo,o maior exportador de minério de ferro do mundo,o maior exportador de suco de laranja do mundo,não! Isso é coisa do século passado.No século 21 temos que exportar outra coisa,temos que exportar conhecimento,temos que exportar inteligência."

Luiz Inácio Lula da Silva,presidente e Estadista brasileiro em discurso histórico proferido na cidade de Santa Maria(RS)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tiriricando, Observatório da Imprensa:

HUMOR NAS ELEIÇÕES
O mundo dos Tiriricas

Por Luciano Martins Costa em 3/9/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 3/9/2010

A imprensa registra de maneira desigual a decisão do Supremo Tribunal Federal liberando a gozação de candidatos em programas humorísticos veiculados pela mídia. De quebra, a imprensa em geral também ganhou o direito de divulgar críticas diretas de jornalistas a políticos em período de campanha eleitoral. Dessa maneira, fica suspensa a aplicação do artigo 2, correspondente a essas restrições, que constavam da Lei 9.504, aprovada em 1997.

O Estado de S.Paulo, que havia tratado do assunto quando a proibição estava em vigor, agora ignorou completamente a liberação.

A decisão do STF poderia ser motivo para celebração, talvez uma festa da democracia. Mas há muita controvérsia sobre as escolhas da mídia, seja no material considerado sério, dito jornalístico, seja nas produções de entretenimento, como as novelas e os programas humorísticos.

As preferências das empresas de comunicação sequer são camufladas, e não apenas nos jornais e revistas de circulação nacional. Também na imprensa regional são visíveis as escolhas políticas, para um lado ou para o outro do espectro partidário. Portanto, pode-se esperar um festival de manipulações no mês que antecede o primeiro turno das eleições.

Liberou geral

O ministro Carlos Ayres Britto, autor da liminar que na semana passada havia liberado provisoriamente as piadas sobre candidatos na TV e no rádio durante o período eleitoral, declarou considerar a atividade de humoristas como uma das atribuições da imprensa.

Trata-se de uma inovação interessante, a ser incluida nos currículos das faculdades de comunicação. Principalmente depois que eles foram tornados inócuos, por conta de decisão anterior do STF que eliminou a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício da profissão.

Talvez, inspirados por essa curiosa interpretação, os diretores de redação comecem a pensar na criação do cargo de editor de piada.

Não se pode afirmar que, com isso, a qualidade da imprensa brasileira venha a sofrer um impacto positivo. Mas certamente vai ficar mais engraçado ler jornais e assistir aos noticiários da televisão, uma vez que agora é permitido fazer "trucagem, montagem, ou outro recurso de áudio e vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação", conforme determinava o artigo suspenso.

Só não se pode afirmar que, com isso, a qualidade da imprensa brasileira venha a sofrer um impacto positivo. Vai ficar apenas mais coerente: os candidatos de quem a imprensa não gosta vão todos virar Tiriricas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Apóie a nova Representação do MSM à Justiça Eleitoral

Do Blog Cidadania



Posted by eduguim on 02/09/10 • Categorized as Aviso

Tem início, neste post, a nova campanha do Movimento dos Sem Mídia por adesões à Representação que a ONG fará à Justiça Eleitoral brasileira contra o desafio da lei que regula as eleições no país, desafio esse representado pela prática ILEGAL de concessões públicas de rádio e tevê manifestarem opinião favorável a pelo menos um candidato no processo eleitoral de 2010.

O que é mais grave nessa prática é que o candidato favorecido pelas concessões públicas em tela disputa a Presidência da República, o que torna inaceitável que possa ter êxito em alcançar cargo dessa importância valendo-se de favorecimento ilegal por meios que pertencem a toda a sociedade e não, apenas, a grupos políticos amigos e/ou aliados dos concessionários.

Após debates e estudos, a Presidência e a Diretoria Jurídica do Movimento dos Sem Mídia compuseram minuta da Representação que será feita em benefício de eleições livres, limpas e democráticas, sem concurso de estratégia ilegal como é o uso de uma concessão pública em benefício de interesses particulares de grupos políticos e de empresários do setor de comunicação.

Trata-se de um documento preliminar que abro para contribuições, alterações e supressões por parte dos leitores deste blog durante o processo de finalização da medida a ser encaminhada à Procuradoria Geral Eleitoral em Brasília no menor prazo possível. Abaixo, a minuta da Representação.

*

Representação do Movimento dos Sem Mídia – MSM à Procuradoria Geral Eleitoral Federal – PGE sobre possível atuação ilegal de órgãos de mídia no atual processo eleitoral.

A Lei Federal nº 9.504, promulgada em 30/09/1997 e conhecida como Lei Geral das Eleições, regula o processo eleitoral deste ano no Brasil e dispõe, em seu artigo 45, sobre condutas vedadas aos veículos de mídia, visando o respeito à lei de propaganda eleitoral permitida e garantir as condições de igualdade e isonomia entre os candidatos que disputam o pleito.

Determina o artigo 45 da Lei :

– A partir de 1º de Julho do ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário:

III – veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação e aos seus órgãos ou representantes;

IV – dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação;

Ocorre que, neste ano, a campanha eleitoral de 2010, como já havia ocorrido na de 2006, foi fartamente discutida pela sociedade brasileira. Vários órgãos de mídia, principalmente redes de televisão e rádio, podem estar avançando e extrapolando os limites da legalidade fixados na Lei 9.504/97 no que diz respeito a tratamento igualitário aos candidatos que disputam estas eleições. Pela cobertura e abrangência que possuem sobre o território brasileiro, esses meios de comunicação podem influir decisivamente na vontade soberana do eleitorado distorcendo e influindo ilegalmente no resultado do pleito que se avizinha, ao arrepio do que determina a lei eleitoral supracitada.

A questão das redes de televisão e rádio é muito grave e afeta diretamente o interesse público, pois essas empresas somente funcionam porque exploram concessões públicas, outorgadas pelo Estado brasileiro. Portanto, exploram um bem que pertence a todos os cidadãos, o chamado espectro eletromagnético, através do qual transmitem e retransmitem programação para todo o território nacional, de maneira que essa programação não pode ser usada para incentivo, defesa ou promoção de grupos políticos determinados, pois constitui infração do que determina a legislação eleitoral vigente.

Sem a autorização do Governo Federal para funcionarem nos termos da lei que regula a matéria, as emissoras de TV e rádio não podem efetuar a transmissão de suas programações no território nacional e, assim, essas empresas de comunicação, mais do que qualquer outra organização ou entidade juridicamente constituída perante as leis brasileiras, têm que se ater aos termos das prerrogativas contidas nas concessões públicas que detêm e também devem obedecer rigorosamente a quaisquer restrições legais que se interponham.

Não obstante a legislação eleitoral, como mero exemplo do que vem ocorrendo relata-se aqui que certas redes de televisão e rádio podem ter extrapolado os limites da lei no que diz respeito a tratamento igualitário que devem dispensar aos candidatos que disputam o cargo de Presidente da República, sendo fato amplamente comentado pela população e por blogs e sites na internet que está havendo favorecimento ao candidato do PSDB, José Serra. São anomalias como as de 1º de setembro último, por exemplo, quando um apresentador e um comentarista de telejornais da Globo e do SBT, os senhores Carlos Nascimento e Merval Pereira, entre outros, apoiaram abertamente acusação do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, à candidata do PT, Dilma Rousseff, de que ela e sua campanha teriam ordenado o vazamento de dados sigilosos da Receita Federal concernentes à filha daquele candidato, senhora Verônica Allende Serra [vídeos dos programas em anexo].

A cobertura enviesada e parcial de redes de televisão e de rádio sobre fatos e ações políticas das candidaturas no atual processo eleitoral pode constituir verdadeira “propaganda eleitoral negativa” contra uma candidatura e, no caso em tela, vitimização da outra, violando os dispositivos da lei 9.504/97, de maneira que deve ser objeto de investigação e coibida pela Procuradoria Geral Eleitoral – PGE e pelo TSE – Tribunal Superior Eleitoral. E o que é pior: sem que exista uma única prova que sustente a acusação comprada, in limine, pelos concessionários públicos supracitados.

A ONG Movimento dos Sem Mídia – MSM, diante de resultados díspares entre os quatro maiores institutos de pesquisas eleitorais do País no início deste ano, propôs, de forma republicana, Representação perante a douta Procuradoria Geral Eleitoral – PGE “pedindo investigação sobre a realização e divulgação de pesquisas eleitorais fraudulentas”. A Representação foi aceita, estando em curso Inquérito na Superintendência da Polícia Federal em Brasília – DF para investigar a denúncia. Mais uma vez, frente a fatos e ações de órgãos de mídia que revelam indícios de tentativas de influenciar ilicitamente o processo eleitoral, o Movimento dos Sem Mídia – MSM, organização da sociedade civil, na defesa dos interesses maiores da República, da Democracia e do Estado de Direito, prepara nova Representação. A manifestação do MSM à Justiça Eleitoral será aberta a apoio de todo e qualquer cidadão brasileiro a investigação da atuação de redes de televisão e rádio que pode estar tentando influir indevidamente na vontade soberana do eleitorado, podendo vir a distorcer os resultados da eleição presidencial vindoura.

São Paulo, 1º de setembro de 2010

A reedição do modelo Collor de marketing

Do Luis Nassif

"É tênue a separação entre uma acusação - a de que Dilma é a responsável pela quebra de sigilo - e a infâmia, no ouvido do eleitor. Quando a onda está contra o candidato que faz a acusação, um erro é fatal. Essa sintonia não parece que está sendo conseguida. O aumento da rejeição do candidato tucano, desde o início da propaganda eleitoral, é alarmante"

Do Valor

Oposição a Lula virou amizade, quase amor

Maria Inês Nassif


Sem bater em Lula, o marketing de Serra tenta transformá-lo em vítima de Dilma

Em 1989, Fernando Collor de Mello, ex-governador do Estado mais pobre da Federação, Alagoas, assumiu um discurso ofensivo - no sentido também de ofender -, selecionou uma série de desaforos destinados a abalar um governo caindo de impopularidade e partidos em crise, e definiu bordões para causar pânico em torno do candidato de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal concorrente. Collor venceu atirando para todos os lados. Levou junto um partido que inventou antes das eleições, o PRN, que morreu junto com o seu curto reinado.

A eleição de Collor foi a consagração do marketing político como arma eleitoral. Os alvos do candidato eram escolhidos em pesquisas qualitativas, que definiam os inimigos a combater para alcançar popularidade e as fragilidades do principal concorrente. Pegou um país saído do massacre ideológico do discurso anticomunista da ditadura e que vivia uma hiperinflação. Atacou o governo José Sarney pela incompetência administrativa e Lula pelo temor da classe média. Além do horário eleitoral gratuito, tinha o apoio de uma mídia que estava sem candidatos, sofria com a hiperinflação e preferia que o PT ficasse longe do poder.

Foi o início e o auge da influência do marketing político. E o marketing foi tão eficiente porque não brigou com os fatos: o governo era impopular mesmo e seu candidato não subia nas pesquisas; a classe média e as elites tinham medo real de Lula, eram maleáveis a um discurso moralista e de direita e faziam a cabeça dos de baixo. O PMDB, o grande partido do momento, vivia a crise do governo José Sarney e a compartimentação dos interesses de seus líderes regionais e abandonou aos lobos o seu candidato a presidente, Ulysses Guimarães.

Os marqueteiros de Collor trabalharam em terreno fértil - e sua agressividade foi guindada à condição de ira divina. Um impeachment e quatro eleições depois, todavia, a eficiência desse modelo é questionável. Simplesmente porque vai contra a realidade.

Em 2006, nas eleições pós-mensalão, a oposição tentou reeditar o discurso de Collor. Os alvos eram um governo que os partidos adversários consideravam acabado e um partido, o PT, que tinha por decadente. Na cabeça dos partidos oposicionistas, Lula era um Collor pré-impeachment ou um José Sarney em final de mandato: estava condenado a deixar o poder. O modelo do discurso agressivo, beirando as bravatas machistas do Collor presidente, foi o escolhido para derrubar Lula - ou pelo impeachment, em 2005, ou pelo voto, em 2006. Um senador, no plenário, chegou a ameaçar bater em Lula.

O erro de avaliação foi fatal para a oposição. A popularidade de Lula nas pesquisas subiu rapidamente após a ofensiva dos partidos oposicionistas no Congresso. Em 2006, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, chegou a ter mais votos no primeiro do que no segundo turno. A avaliação da oposição, sobre a qual o discurso político foi construído, não levou em conta mudanças que estavam se produzindo no país. Os programas de transferência de renda, em especial o Bolsa Família, despiram as classes média e alta do papel de mediadores de voto das classes menos favorecidas. Lula tinha um patrimônio eleitoral próprio. A agressividade do discurso da oposição, em vez de desgastar o presidente que disputava a reeleição, vitimizou-o. Produziu solidariedade, em vez de provocar aversão.

Da vitória de Lula em 2006 para cá, o modelo Collor de marketing político teria que ter passado por grandes mudanças. Elas foram apenas cosméticas. O marketing de Serra, nos primeiros dias de propaganda eleitoral gratuita, optou por não comprar briga com Lula e não negar a sua popularidade. O problema é que o discurso soou falso. Desde 2005, a oposição aparece na mídia em confronto radical com o presidente que agora é tratado com condescendência, quase amor. No último round eleitoral, Serra tem se apegado às quebras de sigilo fiscal de pessoas próximas a ele. As acusações recaem sobre a candidata do PT, Dilma Rousseff, e sobre o seu partido, e não sobre o chefe de um governo cuja Receita Federal deixou vazar sigilos.

Enquanto o marketing de Dilma a une a Lula, o de Serra tenta separá-los. Os índices de pesquisa acabam mostrando que a eficiência do marketing é tão maior quanto mais próxima da realidade. As estratégias de campanha de Dilma deslizam numa realidade em que o eleitor tende à continuidade, gosta do presidente e incorporou naturalmente o trabalho de identificação feito entre a candidata e o seu padrinho. As estratégias eleitorais de Serra nadam contra a corrente de um eleitorado majoritariamente governista e da identificação da ex-ministra com o governo que é amplamente aprovado pela população.

A saída de Serra é tentar ser, ele próprio, a vítima. A algoz tem que ser Dilma, porque Lula não tem colado nesse papel. Como a prancha de Serra está contra a onda, no entanto, o marketing teria que conseguir uma sintonia muito fina. É tênue a separação entre uma acusação - a de que Dilma é a responsável pela quebra de sigilo - e a infâmia, no ouvido do eleitor. Quando a onda está contra o candidato que faz a acusação, um erro é fatal. Essa sintonia não parece que está sendo conseguida. O aumento da rejeição do candidato tucano, desde o início da propaganda eleitoral, é alarmante.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Desbaratada rede de prostituição masculina


BBC Brasil: Espanha desbarata rede de prostituição masculina de brasileiros


Prisões foram feitas em cinco cidades diferentes da Espanha

A polícia nacional da Espanha anunciou nesta terça-feira a prisão de 14 pessoas envolvidas em uma rede dedicada a explorar sexualmente homens brasileiros.

Segundo a polícia, a rede, formada em sua maioria por brasileiros, atraía outras pessoas do país com passagens de avião e promessas de trabalho na Europa.

Ao chegar à Espanha, eles eram obrigados a se prostituir para pagar dívidas que chegavam a 4 mil euros (cerca de R$ 8,9 mil).

Os homens eram distribuídos por diferentes casas de encontros pelo país e precisavam estar disponíveis para programas 24 horas por dia.

Para atrair clientes, as fotos dos brasileiros foram publicadas em anúncios em revistas e em sites na internet anunciando seus serviços.

Viagra

Segundo a polícia, os homens recebiam da rede de prostituição Viagra, cocaína e outras drogas.

Eles eram obrigados a dar à rede 50% do que recebiam com os programas e pagar pelo alojamento e alimentação, além de quitar a dívida da passagem e do transporte.

De acordo com as autoridades policiais, os homens que se recusavam a cumprir as ordens da gangue ou causavam algum problema eram submetidos a ameaças de morte.

Até às 12h desta terça-feira, a polícia espanhola ainda não tinha um balanço com o número de homens explorados pela rede, mas 17 deles também foram detidos pelas autoridades locais sob a acusação de estarem ilegalmente no país.

As prisões foram feitas pela polícia nas cidades de Palma de Mallorca, León, Barcelona, Alicante e Madri.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Deu no Conversa Afiada: O Pará e o Brasil não são o que o jn mostrou. O jn é uma fraude

* Publicado em 27/08/2010, no Conversa Afiada


Amigo navegante Antonio, paraense, liga de Belém para demonstrar profunda irritação com a visão haitiana do Brasil, pelo jornal nacional.


Diz o Antonio.

Para ir a Jacundá, no Pará, o jornal nacional teve que fazer escala em Marabá, não é isso ?

Por que ele não deu um pulinho a Marabá ?

A reportagem sobre Jacundá faz parte dessa nova espécie de jornalismo aero-rocambolesco, para denegrir a imagem do Brasil – do jeito que o Ali Kamel gosta.

Marabá talvez seja o maior pólo de crescimento da economia brasileira hoje.

Marabá é uma China de crescimento econômico.

A Vale constrói ali uma usina de laminados, a Alpa, que, sozinha, cria 18 mil empregos.

A Alpa será uma das principais beneficiárias da usina de Belo Monte.

(Belo Monte, que a urubóloga Miriam Leitão criticou tanto, será a terceira maior hidrelétrica do mundo – um horror !)

Por causa da Alpa e da energia de Belo Monte, 40 indústrias se instalarão em Marabá.

Em Marabá passa uma das maiores pontes ferroviárias sobre rio do mundo, para levar o minério de ferro que sai de Carajás a caminho do Maranhão.

Veja que horror !

A população de Marabá deve crescer 150% até 2014.

Até lá serão criados 70 mil novos empregos e a associação comercial calcula que serão investidos US$ 33 bilhões.

No momento em Marabá se constrói um shopping-center de 30 mil metros quadrados de área de loja , com lojas âncoras do padrão de Riachuelo, Marisa e C&A.

O responsável pelo empreendimento é o grupo Leolá, que tem mais de 60 lojas na região de Marabá.

O jornal nacional, amigo navegante, é uma fraude.

Esse sorteio das cidades brasileiras pelo jornal nacional lembra muito o Globope.

Veja como o jornal nacional descreve o Brasil (e o Pará):


Violência é um dos principais problemas de Jacundá, PA

Terceiro destino do JN no Ar é a quinta cidade mais violenta do Pará, e 96% da população não tem acesso ao sistema de esgoto.
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O sorteio de quarta-feira, aqui no Jornal Nacional, determinou que a equipe do JN no Ar cruzasse o Brasil, do Sul para o Norte, em direção à cidade de Jacundá, no Pará.

Nesta quinta, antes de mostrar a reportagem do Ernesto Paglia, a gente vai apresentar algumas informações importantes sobre o estado.

Pará: 7,5 milhões de habitantes. É o estado mais populoso do norte, e o que produz mais riquezas. Apesar disso, tem o menor rendimento médio mensal da região.

Os paraenses convivem com a segunda maior taxa de homicídios do país. Por outro lado, são os que têm a maior expectativa de vida do Norte.

“A diversidade nossa é imensa: suco de cupuaçu, nosso tacacá, nossa maniçoba, nosso pato no tucupi”.

Mais da metade dos moradores não recebe água encanada, e 96% não têm esgoto. O analfabetismo atinge 9,3 % da população, um pouco abaixo da média nacional, que é de 9,8%.

O Pará tem 4,7 milhões de eleitores. Para chegar ao destino, o jato que leva a equipe do repórter Ernesto Paglia pousou em Marabá, no Aeroporto João Corrêa da Rocha.

O repórter Ernesto Paglia falou, ao vivo, do aeroporto e contou o que eles encontraram em Jacundá.

Vocês sabem que Jacundá é uma destas comunidades relativamente jovens do Norte do país. Parece que as pessoas foram se implantando na cidade, de forma pioneira; e o Estado, as instituições e a lei só vão chegando aos poucos, e nem sempre são bem assimilados, bem adaptados pela população local, esses pioneiros que estão lá.

São só 15 km asfaltados de Marabá até Jacundá, mas mesmo esta é uma viagem bastante sacrificada.

A estrada de Jacundá é estreita, marcada por remendos e freadas de caminhão.

A política é tensa. E aparece logo na chegada. Somos rodeados por partidários do candidato que teve mais votos em 2008, mas não assumiu a prefeitura, por causa de problemas com a Justiça Eleitoral.

“Estamos em um processo democrático que Jacundá não está tendo”.

“Tenho 16 anos e posso andar de moto. Aqui é assim, não tem lei não”.

Nas ruas, não vimos viaturas. Só uma blitz da Polícia Rodoviária, fora da cidade.

Mesmo na rodovia, a fiscalização não resolve. Motoqueiros irregulares esperam no acostamento até o bloqueio ir embora. E nem pensam em legalizar a própria situação. “Eu estou sem carteira, porque o governo não dá chance pra gente. É culpa do governo, porque eu tenho que desembolsar R$ 1,5 mil, e eu ganho um salário mínimo. Ainda tenho que ir em Marabá tirar carteira, porque em Jacundá não tira”.

Ilegalidade mais grave aparece no desabafo da moradora: “Tem violência, assassinatos, bandidagem”. Jacundá é a quinta cidade mais violenta do Pará, estado com o maior número de conflitos no campo do país, e o maior número de homicídios no Norte.

Em uma reunião anual, que estava acontecendo nesta quinta-feira em Jacundá, encontramos gente preocupada com outros problemas da cidade: a prostituição infantil e o abuso sexual de menores.

Ano passado, 52 casos de violência sexual foram registrados em Jacundá. Uma agricultora procurou o Conselho Tutelar semana passada para denunciar um vizinho abusou da filha dela, deficiente mental, de quatorze anos: “Ele aproveitou que ela tem esse problema, e se aproveitou dela”.

As madeireiras são importantes na economia de Jacundá. Uma das maiores é de um ex-prefeito. Parte da madeira, diz o dono, é nativa, retirada sob supervisão da Secretaria do Meio Ambiente do Pará. A outra vem do replantio de áreas que já foram exploradas no passado.

“Nós estamos partindo para o reflorestamento, porque agora nós temos condições para reflorestar”, disse o dono da madeireira, Adão Ribeiro.

Cuidar do futuro ainda é exceção por aqui. As pequenas carvoarias, que concentram muitos casos de trabalho escravo, mostram o lado mais atrasado deste pedaço do Pará.

“Todos que estão aqui, com certeza não queriam estar aqui. Mas fazer o que?”.



Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um texto que emociona, brilhante!

Copiado do Tijolaço.com, de Brizola Neto



São Paulo precisa ser líder nesta mudança

Ao longo do dia, vou tentar analisar os resultados do Datafolha em detalhes, agora que o instituto de pesquisa parece ter “entregado os pontos” e passado a fazer estatística em lugar de propaganda política. Como todos já sabem, a pesquisa divulgada hoje pela Folha de S. Paulo coloca Dilma 20 pontos à frente de Serra, com 49%, contra 29% do candidato tucano.

Ipiranga, um símbolo que São Paulo precisa partilhar com o Brasil

Ainda hoje de manhã, porque a gente não é de ferro, também posto uma sugestão de novo jingle para a campanha serrista, já que a gente tem o direito de ver, em matéria de pesquisas, como dizem os versos de Geraldo Vandré, “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

Agora, entretanto, queria refletir com vocês sobre a oportunidade que se abre diante nós e que não pode ser desperdiçada.

Estamos nos aproximando de uma vitória estrondosa do povo brasileiro. A política, se não pode prescindir das pesquisas estatísticas, não se faz apenas com elas, mas com coerência de pensamento, sinceridade de sentimentos e, sobretudo, sensibilidade para perceber como caminha o processo social, como se forma e se expressa a consciência do povo brasileiro.

Não é preciso dizer que Lula percebeu isso como poucos, e tenho certeza de que eu aqui, modestamente, não incorria no erro de não perceber os sinais que ele dava.

Porque tudo que as pesquisas mostram, hoje, já existia, de forma subjacente, latente, perceptível, embora silenciosa.

Essa não seria a eleição do “paz e amor”, do “ele não morde”, do “não é comunista”. Seria a eleição da afirmação de um destino para o Brasil e para o povo brasileiro, com muito mais evidência do que foi a dele próprio, Luís Inácio Lula da Silva.

Lula o compreendeu, já desde o momento em que ungiu Dilma como sua candidata à sucessão.

Sua escolha, ela própria, foi um sinal. Não foi a simpatia, o peso eleitoral regional, o traquejo político que Dilma pudesse ter – embora quem a conheça sabe que a dureza que, eventualmente, ela possa ter transmitido a alguns venha não de sua natureza pessoal, mas da função de anteparo e de gestora que o presidente lhe dera ao colocá-la à frente da Casa Civil.

Dilma não é a candidata de Lula por acaso, ou apenas por qualquer simpatia pessoal que ele lhe vote. É a candidata de Lula porque nela Lula viu as características, ideológicas e de caráter pessoal, para assumir, a seu lado, o comando de um processo de transformação profunda do Brasil, o qual ainda mal começou.

Os últimos anos assemelham-se, metaforicamente, ao processo que se passou nos anos 30.

Lá, o Brasil arcaico, rural, das províncias e da política oligárquica, por uma ruptura das elites, de um lado, e um inconformismo popular que já se expressara no tenentismo e na Coluna Prestes, precisava romper aquelas estruturas para se tornar moderno, urbano, industrial. E numa sociedade que pretendia tornar-se moderna, urbana, industrial, as massas populares são, necessariamente, personagens protagônicos.

A inclusão dessas massas na vida nacional, substituindo a hegemonia patriarcal, teve em Getúlio Vargas seu ponto fulcral. Embora desde bem antes defendesse os valores de humanidade – então, os “princípios cristãos” de dignidade humana – o torvelinho de transformações é menos obra de Vargas do que do processo social. Seu valor e grandeza são tê-lo absorvido e simbolizado, introjetado tanto isto em si que sua própria vida física se tornou ferramenta deste seu dever de líder popular.

Esta mudança exigiu rupturas. E a maior delas foi, evidentemente, a perda de parte do poder das oligarquias paulistas. Um poder que não era apenas econômico, mas político ideológico. O argumento, claro, era a democracia em perigo – e a democracia, até ali, era a das eleições a bico de pena – e o discurso é que São Paulo era “a província” rica que sustentava o pobre Brasil. A história da locomotiva que puxava o pesado trem Brasil.

Só um louco deixaria de reconhecer a pujança de São Paulo e o caráter empreendedor de seu povo, inclusive daqueles que se tornaram, ali, os “capitães de indústria”.

Mas suas elites não viram que a modernização do Brasil, feita pelo Governo Vargas, significou até para elas um progresso e uma riqueza em escala que jamais teriam no Brasil arcaico que lamentaram em armas perder em 32.

Até os anos 60, o poder nacional foi repartido e São Paulo jamais teve prejuízos com isso. Foi lá que se formaram as grandes empresas brasileiras e para lá se dirigiram as que vinham de fora para implantar-se aqui, como a automobilística.

Mas, no pós-64, São Paulo tornou-se um vórtice, que engoliu tudo o que o Brasil produzia, de bom e de mau. Engoliu porque o capital financeiro tornou-a o ponto de desequilíbrio da vida nacional, porque ali passou-se a viver da grana que ergue e destrói coisas belas, como nos cantou Caetano Veloso. Até mesmo parte do pensamento acadêmico de São Paulo absorveu e processou sofisticamente essa deformação, renegando tudo o que que o Brasil extra-São Paulo produzira em lutas sociais. Deste núcleo, justamente, é que vieram os Fernando Henrique Cardoso e os José Serra.

O luxo e a miséria, a cultura e a exclusão, o bom e o mau passaram a se concentrar de tal maneira que os problemas de São Paulo já não têm soluções locais, porque depende de que ela faça parte de um país do qual ela não sugue, junto com as riquezas, a pobreza que não tem onde sobreviver.

Quando o Nordeste cresce, dá emprego e vida digna a seus filhos, faz bem a São paulo que não incha. Quando o Centro-Oeste encontra sua vocação agroindustrial, faz bem a São Paulo que pode trocar espaços e atividades mais adequadas á densidade de seu território. Quando se faz progredir a Amazônia sem destruí-la com a ganância dos grandes e o desespero dos pequenos, limpa-se o ar dos paulistas. Quando o Rio se recupera e recupera sua alegria, São Paulo ganha seu irmão implicante e divertido, que, de tão perto que está, não pode ficar senão ombro a ombro com ela, com as cotoveladas que os irmãos se dão.

Este novo momento de transformação do Brasil não pode ser feito contra São Paulo, nem muito menos sem ele. O Brasil do povo é, é claro, o Brasil onde povo paulista é protagonista. As elites dali tentam afastá-lo desta vocação de brasilidade, de integração que vem desde as bandeiras, dizendo que elas farão (ou fazem) de São Paulo um lugar perfeito. Mas como pode ser perfeito um lugar em que a miséria e o medo fecham os vidros dos carros, onde a periferia vira um quisto que se avoluma e ameaça engolfar toda a vida.

Temos todos um dever, a começar por Lula. Estender a vitória de Dilma a São Paulo como quem estende a mão a um irmão que foi levado a não se sentir parte da família. E a mão de São Paulo vai se estender, porque sua mão é a do povo, não de suas elites. Alguns companheiros, a meu ver, entendem mal esta missão, e cuidam de se tornarem palatáveis para a ela, nem que tenham de fazer um cursinho rápido de inglês, como disse ontem Lula ao comentar a reação da família Frias ao fato de ele pretender ser presidente da república sem falar o idioma dos dominadores.

Nós, cariocas, gaúchos, baianos, pernambucanos, cearenses, acreanos, somos todos paulistas porque amamos o progresso dessa terra e o povo que a ergueu e fez progredir, vindo de toda a parte. E os paulistas compreendem isso. Houve 1932, mas 14 anos depois, lá elegeram Getúlio senador com uma retumbante votação.

Dilma já está na frente em São Paulo, como em todo o Brasil. Vamos todos, de todas as partes, chamar São Paulo, o povo paulista e dizer: venham, venham, meus irmãos, venham ser líderes, como a sua capacidade lhes permite, de um país só, de um sonho só, de uma mudança na vida brasileira que só fará de São Paulo um lugar melhor para todos os paulistas.

sábado, 14 de agosto de 2010

Os riscos de uma Terceira Guerra Mundial

Da Carta Maior:



Objetivo Irã: os riscos de uma Terceira Guerra Mundial


As consequências de um ataque mais amplo por parte dos EUA, da OTAN e de Israel contra o Irã são de grande alcance. A guerra e a crise econômica estão intimamente relacionadas. A economia de guerra é financiada por Wall Street que, por sua vez, se ergue como credor da administração dos EUA. Por sua vez, “a luta pelo petróleo” no Oriente Médio e Ásia Central serve diretamente aos interesses dos gigantes do petróleo anglo-estadunidense. Os EUA e seus aliados estão “batendo os tambores da guerra” na altura de uma depressão econômica mundial, para não mencionar a catástrofe ambiental mais grave na história da humanidade. O artigo é de Michel Chossudovsky, diretor do Centro para Investigação sobre a Globalização.

Michel Chossudovsky - Global Research

Centro para a Investigação da Globalização
(Global Research on Globalization)

A humanidade está numa encruzilhada perigosa. Os preparativos de guerra para atacar o Irã estão em estágio avançado. Sistemas de alta tecnologia, incluindo armas nucleares, estão totalmente desenvolvidos. Esta aventura militar está colocada sobre o tabuleiro de xadrez do Pentágono desde meados da década de 1990. Primeiro o Iraque, depois o Irã, segundo documentos desclassificados de 1995, do Comando Central dos EUA.

A escalada é parte da agenda militar. Além do Irã, próximo objetivo junto com a Síria e o Líbano, esse desdobramento estratégico ameaça também a Coréia do Norte, a China e a Rússia. Desde 2005, os EUA e seus aliados, incluídos aqui os Estados Unidos da OTAN e Israel, estão envolvidos numa ampla atividade e no armazenamento de sistemas de armas avançados.

Os sistemas de defesa aéreos dos EUA, os países membros da OTAN e Israel estão totalmente integrados. Trata-se de uma tarefa coordenada pelo Pentágono, pela OTAN e pela Força de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), com a participação ativa de militares de vários países da OTAN e não só, incluindo os estados árabes de primeira linha (os membros da OTAN do Mediterrâneo e a Iniciativa de Cooperação de Istambul), Arábia Saudita, Japão, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, Singapura, Austrália, entre outros. A OTAN se compõe de 28 estados membros. Outros 21 países são membros do Conselho da Aliança Euro-Atlântica (EAPC); o Diálogo Mediterrânico e a Iniciativa de Cooperação de Istambul contam com dez países árabes e Israel.

O papel do Egito, dos Estados do Golfo e da Arábia Saudita (dentro de uma aliança militar ampliada) é de particular relevância. O Egito controla o trânsito de barcos de guerra e de barcos petroleiros pelo Canal de Suez. Arábia Saudita e os Estados do Golfo ocupam a costa ocidental do sul do Golfo Pérsico, o estreito de Ormuz e o Golfo de Omã.

Em princípios de junho deste ano o Egito informou que permitiu a onze barcos dos EUA e de Israel passar pelo Canal de Suez, numa aparente sinalização ao Irã. Em 12 de junho, vozes da imprensa regional informaram que os sauditas haviam dado a Israel autorização para sobrevoar seu espaço aéreo (Mirak Weissbach Muriel, Israel Insane War on Iran Must Be Prevented, Global Research, 31 de julho de 2010). Na doutrina militar consagrada após o 11 de setembro, o estabelecimento massivo de armamento militar se definiu como parte da chamada Guerra Global contra o terrorismo, dirigido para organizações terroristas não estatais, como a Al Qaeda e os chamados Estados patrocinadores do terrorismo, entre eles o Irã, Síria, Líbano e Sudão.

A criação de novas bases militares dos EUA, o armazenamento de armas avançadas, incluindo as armas nucleares táticas, etc. foram levadas a cabo como parte da preventiva doutrina militar defensiva debaixo do guarda chuva da "Guerra Global contra o Terrorismo".

Guerra e crise econômica

As consequências de um ataque mais amplo por parte dos EUA, da OTAN e de Israel contra o Irã são de grande alcance. A guerra e a crise econômica estão intimamente relacionadas. A economia de guerra é financiada por Wall Street que, por sua vez, se ergue como credor da administração dos EUA.

Os produtores de armas dos EUA são os destinatários de bilhões de dólares do Departamento de Defesa do país, pelos contratos de aquisição de sistemas de armas avançadas.

Por sua vez, “a luta pelo petróleo” no Oriente Médio e Ásia Central serve diretamente aos interesses dos gigantes do petróleo anglo-estadunidense. Os EUA e seus aliados estão “batendo os tambores da guerra” na altura de uma depressão econômica mundial, para não mencionar a catástrofe ambiental mais grave na história da humanidade. Por amarga ironia, a British Petroleum, uma das maiores jogadoras do tabuleiro de xadrez geopolítico da Ásia Central no Médio Oriente, antigamente conhecida como Anglo-Persian Oil, causou a terrível catástrofe ecológica no Golfo do México.

Meios de desinformação

A opinião pública, influenciada pelo barulho dos meios de comunicação, oferece apoio tático, indiferente ou ignorante dos possíveis impactos daquilo que se mantém propositalmente como um fator punitivo da operação dirigida contra as instalações nucleares do Irã em lugar de uma guerra total.

Os preparativos de guerra incluem o aumento da atividade dos fabricantes de armas nucleares dos EUA e de Israel. Neste contexto, as consequências devastadoras de uma guerra nuclear são banalizadas ou simplesmente não se mencionam. A crise “real” que ameaça a humanidade é o “aquecimento global” e não a guerra.

A guerra contra o Irã é apresentada à opinião pública como um tema banal entre tantos outros. Não é apresentado como uma ameaça à Mãe Terra, como é o caso do aquecimento global. Não se noticia com destaque. O fato de que um ataque contra o Irã poderia levar a uma potencial escalada e o desencadear uma guerra global não é motivo de preocupação.

Culto à morte e a destruição

A máquina global de matar é sustentada pelo culto à morte e pela destruição que impregnam muitos dos filmes de Hollywood, e por não mencionar as guerras no horário nobre. E também pelas séries de televisão sobre delinquência.

Este culto à matança está respaldado pela CIA e pelo Pentágono, que apóia, financiando, produções de Hollywood como instrumento de propaganda de guerra.

O ex-agente da CIA Bob Baer disse: "Existe uma simbiose entre a CIA e Hollywood e revelou que o ex-diretor da CIA, George Tenet, se encontra atualmente em Hollywood, conversando com os estúdios. (Matthew Alford and Robie Graham, “Lights, Camera Covert Action: The Deep Politics of Hollywood”, Global Research, 31 de janeiro de 2009).

A máquina de matar se desenvolveu em nível global dentro do marco de estrutura de comando de combate unificado. E é mantida habitualmente por instituições de governo, meios corporativos, altos funcionários e intelectuais que se colocam à disposição de uma Nova Ordem Mundial a partir de um grupo de pensadores de Washington e dos institutos de investigação de estudos estratégicos, como instrumento indiscutível da paz e da prosperidade mundial. É a cultura da morte e da violência gravando-se na consciência humana.

A guerra está amplamente aceita como parte de um projeto social: a Pátria tem que ser defendida e protegida.

A violência legitimada e as execuções extrajudiciais contra os terroristas são mantidas nas democracias ocidentais como instrumentos necessários de segurança nacional.

Uma “guerra humanitária” é sustentada pela chamada comunidade internacional. Não é condenada como um ato criminoso. Seus principais idealizadores são recompensados por suas contribuições à paz mundial. Em relação ao Irã, o que se está desenvolvendo é a legitimação direta de uma guerra em nome de uma idéia ilusória de segurança mundial.

Um ataque aéreo “preventivo” contra o Irã levaria a uma escalada. Na atualidade existem três teatros de guerra no Oriente Médio e Ásia Central: Iraque, Afeganistão/Paquistão e Palestina.

Se o Irã se tornar objeto de um ataque “preventivo” por forças aliadas, toda a região, desde o Mediterrâneo Oriental até a fronteira da China com o Afeganistão e o Paquistão poderia arder em chamas, o que nos conduz, potencialmente, a um cenário de Terceira Guerra Mundial.

A guerra se estenderia ao Líbano e a Síria. É muito pouco provável que se os ataques, caso se concretizassem, ficassem circunscritos a instalações nucleares do Irã, como afirmam as declarações oficiais dos EUA e da OTAN. O mais provável será um ataque aéreo tanto a infraestruturas militares como civis, sistemas de transporte, fábricas e edifícios públicos.

O Irã, com dez por cento estimados do petróleo mundial, ocupa o terceiro lugar em reservas de gás, depois da Arábia Saudita (25%) e o Iraque (11%), pelo tamanho de suas reservas. Em comparação, os EUA têm menos de 2,8% das reservas mundiais de petróleo. (Cf. Eric Waddell, The Battle for Oil, Global Research, dezembro de 2004).

É de grande importância o recente descobrimento no Irã, nas regiões de Soumar e Halgan, das segundas maiores reservas mundiais conhecidas que se estimam em 12,4 bilhões de pés cúbicos. Apontar as armas ao Irã não só consiste em recuperar o controle anglo-estadunidense sobre o petróleo e a economia de gás, incluindo-se as rotas de oleodutos, mas também questiona a influência da China e da Rússia na região.

O ataque planificado contra o Irã faz parte de um mapa global coordenado de orientação militar. É parte da “longa guerra do Pentágono”, uma proveitosa guerra sem fronteiras, um projeto de dominação mundial, uma sequencia de operações militares.

Os planificadores militares dos EUA e da OTAN têm previsto diversos cenários da escalada militar. E são também muito conscientes das implicações geopolíticas, como por exemplo, saber que a guerra poderá se estender para além da região do Oriente Médio e da Ásia Central. Os efeitos econômicos sobre os mercados do petróleo, etc. são também analisados. Enquanto o Irã, a Síria e o Líbano são os objetivos imediatos, China, Rússia, Coréia do Norte, sem contar Venezuela e Cuba, são também objeto de ameaça dos EUA.

Está em jogo a estrutura das alianças militares. As atividades militares da OTAN-EUA-Israel, incluindo manobras e exercícios realizados na Rússia e suas fronteiras próximas com a China têm uma relação direta com a guerra proposta contra o Irã. Estas ameaças veladas, incluindo o seu calendário, constituem um claro aviso aos antigos poderes da época da Guerra Fria, para evitar que possam ou venham a interferir em um ataque dos EUA ao Irã.

Guerra Mundial

O objetivo estratégico em médio prazo é chegar ao Irã e neutralizar seus aliados, através da diplomacia dos tiros de canhão. O objetivo militar em longo prazo é dirigir-se diretamente à China e a Rússia.

Ainda que o Irã seja o objetivo imediato, o desdobramento militar não se limita ao Oriente Médio e a Ásia Central. Uma agenda militar global está estabelecida. O avanço das tropas de coalizão e os sistemas de armas avançadas dos EUA, da OTAN e seus sócios, está se configurando de forma simultânea em todas as principais regiões do mundo.

As recentes ações dos militares dos EUA em frente as costas da Coréia do Norte em forma de manobras são parte de um desenho global. Os exercícios militares, simulações de guerra, o deslocamento de armas, etc. dos EUA, da OTAN e seus aliados que se estão realizando simultaneamente nos principais pontos geopolíticos, visam principalmente a Rússia e a China.

-A península da Coréia, o Mar do Japão, o estreito de Taiwan, o Mar Meridional da China, ameaçam a China.

- O deslocamento de mísseis Patriot para Polônia, o Centro de Alerta próximo à República Checa, ameaça a Rússia.

- Avanços navais na Bulgária, na Romênia e Mar Negro, ameaçam a Rússia.

- Avanços de tropas da OTAN e dos EUA na Geórgia também.

- Um deslocamento naval de grande dimensão no Golfo Pérsico, incluindo-se submarinos israelenses, dirigidos contra o Irã.

Ao mesmo tempo, o Mediterrâneo Oriental, o Mar Negro, o Caribe, América Central e região andina da América do Sul, são as zonas de militarização em curso. Na América Latina e no Caribe, as ameaças se dirigem à Venezuela e a Cuba.

“Ajuda militar” dos EUA

Por sua vez, transferências de armas em grande escala foram feitas sob a bandeira norte americana como “ajuda militar” a países selecionados, incluindo-se cinco bilhões de dólares num acordo de armamento com a Índia que se destina a melhorar as capacidades bélicas da Índia contra a China. (Huge U.S – Índia Arms Deal To Contain China, Global Times, 13 de julho de 2010).

“Isto (a venda de armas) significa melhorar as relações entre Washington e Nova Delhi e, de forma deliberada ou não terá o efeito de conter a influência da China na região”. (Citado em Rick Rozoff, Confronting both China and Russia: U.S. Risks Military Clash With China in Yellow Sea, Global Research, 16 de julho de 2010).

Os EUA conseguiram acordos de cooperação militar com alguns países do sul da Ásia Oriental, como Singapura, Vietnã e Indonésia, incluindo sua “ajuda militar”, assim como a participação em manobras militares, sempre dirigidas pelos Estados Unidos, na órbita do Pacífico (julho/agosto de 2010). Esses acordos são de apoio às implementações de armas dirigidas contra a República Popular da China. (Cf. Rick Rozoff, op. Cit.)

Do mesmo modo e mais diretamente relacionado ao ataque planificado contra o Irã, os EUA estão armando os Estados do Golfo (Bahrein, Kuwait, Qatar e os Emirados Árabes Unidos) com o interceptador de mísseis terra-ar Patriot Advanced Capability-3 (THAAD), assim como os baseados nos modelos de mísseis mar-3, interceptadores instalados em barcos de guerra de classe Aegis no Golfo Pérsico. (Cf. Rick Rozoff, NATO’s Role in the Military Encirclement of Iran, 10 de fevereiro de 2010).

Calendário de provisão e armazenamento militar
No que diz respeito à transferência de armas dos EUA para sócios e aliados, o crucial é o momento da entrega e do seu desdobramento. O lançamento de uma operação militar dos EUA ocorrerá, uma vez que esses sistemas de armas estejam em seu lugar mediante o desenvolvimento efetivo da aplicação e da capacitação do pessoal preparado. (Por exemplo, a Índia)

Estamos falando de um desenho militar mundial cuidadosamente coordenado e controlado pelo Pentágono, com a participação de forças armadas combinadas de mais de quarenta países. Esse desdobramento militar mundial é, com certeza, o maior desdobramento de sistema de armas avançados da história.

Por sua vez, os EUA e seus aliados têm estabelecido novas bases militares em diferentes partes do mundo. “A superfície da terra está estruturada como se fosse um enorme campo de batalha” (Cf. Jules Dufour, The Worldwide Network of US Military Bases, Investigación Global, 01 de julho de 2007).

O Comando Unificado da estrutura geográfica dividida em comandos de combate tem como base uma estratégia de militarização em nível global. “Os militares norte americanos têm bases em 63 países. E novas bases foram construídas a partir do 11 de setembro de 2001 em sete países. No total, existem 255.065 militares dos EUA distribuídos por todo o mundo”. (Cf. Jules Dufour, op. Cit.)
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O cenário da Terceira Guerra Mundial

Esse desdobramento militar se produz em várias regiões e ao mesmo tempo sob a coordenação dos comandos regionais dos EUA com a participação de aliados no armazenamento de arsenais norte americanos, inclusive antigos inimigos, como o Vietnã e o Japão.

O contexto atual se caracteriza por uma acumulação militar global controlada por uma superpotência mundial que está utilizando seus aliados para desencadear numerosas guerras regionais.

A diferença que se estabelece com a Segunda Guerra Mundial, que foi também uma conjunção de distintas guerras regionais, é que com a tecnologia de comunicações e sistemas de armas da década de 1940, não havia estratégia em “tempo real” para coordenar as ações militares entre grandes regiões geográficas.

A guerra mundial se apóia num desdobramento coordenado de uma só potência militar dominante, que supervisiona as ações de seus aliados e sócios.

Com exceção de Hiroshima e Nagasak, a Segunda Guerra Mundial se caracterizou pelo uso de armas convencionais. A planificação de uma guerra mundial se baseia na militarização do espaço ultra terrestre.

Se uma guerra contra o Irã se inicia, não somente o uso de armas nucleares, mas toda uma gama de novos sistemas de armas avançadas, incluindo armas eletrônicas e técnicas de modificação ambiental, seria utilizada.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas
O Conselho de Segurança da ONU aprovou em princípios de junho último uma quarta rodada de sanções de grande alcance contra a República Islâmica do Irã, que incluem o embargo de armas e “controles financeiros mais estritos”.

Em amarga ironia, esta resolução foi aprovada poucos dias depois da negativa pura e simples do mesmo Conselho de Segurança em adotar uma moção de condenação ao Estado de Israel em seu ataque à Frota pela Liberdade em Gaza em águas internacionais.

Tanto a China quanto a Rússia, pressionados pelos EUA, têm apoiado o regime de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas em seu próprio prejuízo. Suas decisões no CS contribuem para enfraquecer sua própria aliança militar, a Organização de Cooperação de Xangai (OCS), onde o Irã tem o estatuto de observador. A resolução do Conselho de Segurança congela os respectivos acordos de cooperação militar e econômica da China e da Rússia com o Irã. Isto tem graves repercussões no sistema de defesa aérea do Irã que, em parte, depende da tecnologia e da experiência russas. A Resolução do Conselho de Segurança outorga, de fato, “luz verde” para liberar uma guerra preventiva contra o Irã.

A inquisição estadunidense: construção de um consenso político para a guerra

Em coro, os meios de comunicação ocidentais têm qualificado o Irã como uma ameaça à segurança mundial por seu suposto (inexistente) programa de armas nucleares. Fazendo eco com as declarações oficiais, os meios de comunicação estão exigindo agora a aplicação de bombardeios punitivos dirigidos contra o Irã, a fim de salvaguardar a integridade de Israel.

Esse mesmos meios de comunicação fazem soar os tambores de guerra. O propósito é incutir na mente das pessoas, a partir da repetição de notícias até a exaustão, a idéia de que a ameaça iraniana é real e que a República islâmica deve ser “banida”.

O processo de criação de um consenso para fazer a guerra é similar ao da Inquisição espanhola. Requer e exige submissão à idéia de que a guerra é uma tarefa humanitária.

Contudo, conhecida e documentada, a verdadeira ameaça à segurança global vem da aliança EUA-OTAN-Israel; na verdade, a realidade por um ambiente inquisitorial é exatamente o seu oposto: os belicistas parecem estar comprometidos com a paz, enquanto as vítimas da guerra se apresentam como protagonistas do conflito.

Considerando que em 2006 quase dois terços dos norte americanos se opunham a uma ação militar contra o Iraque, uma recente pesquisa feita em 2010 pela Reuter-Zogby, indica que 56% dos estadunidenses são favoráveis a uma ação militar da OTAN contra o Irã. A construção de um consenso político que se nutre de uma mentira não pode, contudo, confiar somente na posição oficial daqueles que são a fonte da própria mentira.

Os movimentos pacifistas nos EUA, que em parte têm sido infiltrados e cooptados, assumiram uma posição fragilizada em relação ao Irã. O movimento contra a guerra está dividido. A ênfase se coloca contra as guerras que estão em andamento (Afeganistão e Iraque) ao invés de se oporem vigorosamente a guerras que estão sendo preparadas e que se encontram sobre o tabuleiro de xadrez do Pentágono.

Desde a posse de Barack Obama, o movimento contra a guerra perdeu muito da sua força. Por outro lado, aqueles que se opõem ativamente às guerras no Afeganistão e no Iraque, não se opõem necessariamente à realização de “bombardeios punitivos” contra o Irã, nem consideram essas ações como atos de guerra. Guerra esta que poderia ser o prelúdio da Terceira Guerra Mundial.

A escalada de protestos contra a guerra em relação ao Irã tem sido mínima em comparação com as enormes manifestações que precederam os bombardeios de 2003 e a invasão do Iraque.

Mas a verdadeira ameaça à segurança do mundo vem da aliança EUA-OTAN-Israel. À operação Irã, não se opuseram, no âmbito diplomático, tanto a China quanto a Rússia, sendo que conta também com o apoio dos governos dos estados árabes de primeira linha que integram o diálogo OTAN - Mediterrâneo. Conta também com o apoio tácito da opinião pública ocidental.

Fazemos aqui um apelo às pessoas de todos os países, nas Américas, Europa Ocidental, Turquia, Israel, em todo o mundo, a levantarem-se contra este projeto militar, contra os seus governos que apóiam a ação militar no Irã, a levantarem-se contra os meios de comunicação que servem para dissimular as devastadoras conseqüências de uma guerra contra o Irã. Esta guerra será uma insanidade.

A Terceira Guerra Mundial é terminal. Albert Einstein sabia dos perigos da guerra nuclear e da extinção da vida na terra, que já começou com a contaminação radioativa resultante do urânio empobrecido. “Não sei com que armas se fará a luta numa III Guerra Mundial, mas na IV Guerra Mundial se lutará com paus e pedras”. Os meios de comunicação, os intelectuais, os cientistas e os políticos, em coro, ofuscam a verdade não contada, ou seja, que a guerra que utiliza ogivas nucleares destrói a humanidade e que este complexo processo de destruição gradual já começou.

Quando a mentira se converte em verdade, já não há volta atrás. Quando a guerra se invoca como uma “tarefa humanitária”, a justiça e todo o sistema jurídico internacional são tomados ao contrário: o pacifismo e o movimento contra a guerra são criminalizados. Opor-se à guerra se converte num ato criminoso.

A mentira deve ser exposta como aquilo que é e o que faz: sanciona a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças. Destrói famílias e pessoas. Destrói o compromisso das pessoas com os seus semelhantes. Impede as pessoas de expressarem sua solidariedade pelos que sofrem. Defende a guerra e o estado policial como a única saída. Destrói o internacionalismo.

Impedir a mentira significa impedir um projeto criminoso de destruição global. Nela, a busca do benefício é a força primordial. Este benefício, movendo a agenda militar, destrói os valores humanos e transforma as pessoas em zumbis inconscientes. Vamos inverter essa maré.

Desafio aos criminosos de guerra em seus altos cargos e em suas poderosas corporações, bem como aos grupos de pressão que os apóiam: fim da inquisição dos Estados Unidos da América. Fim da cruzada militar EUA-OTAN-Israel.Fechem as fábricas de armas e as bases militares. Retirada das tropas dos campos de guerra. Os membros das Forças Armadas devem desobedecer às ordens e negarem-se a participar de uma guerra criminosa.

(*) Michel Chossudovsky
é laureado autor, professor (emérito) de Economia na Universidade de Ottawa e diretor do Centro para Investigação sobre a Globalização (CRG), Montreal. É autor de ‘La Globalización de la Pobreza y el Nuevo Orden Mundial’ (2003) e de ‘La guerra de América contra el terrorismo’ (2005). Também é colaborador da Enciclopédia Britânica. Seus escritos são publicados em mais de vinte idiomas.

Tradução do espanhol de Izaías Almada.

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