quinta-feira, 8 de outubro de 2009

E AGORA, NEOLIBERAIS? LIVRO BOMBA ACUSA FHC

Pedro Aires em Cronicas e Críticas da América Latina




Nunca engoli essa história de Fernando Henrique exilado. Não me passava pela cabeça que um filho de um graduado militar do exército (General) viesse a ser exilado. Exilado para o Chile, onde outra ditadura militar governava? Porque não teve o destino dos outros exilados, tal como: Cuba, União Soviética etc? Isto sempre me cheirou mal. Hoje tenho absoluta convicção que ele sempre esteve a serviço de interesses outros que não os do Brasil. Vou providenciar a compra imediata desse livro, com certeza.
É SEMPRE BOM LEMBRAR O QUE FEZ O FHC NA PRESIDÊNCIA!!!
FHC enterrou o sonho de todo brasileiro da minha geração. O "maior estadista do mundo" foi apenas, e tão somente, leiloeiro do Brasil no pós guerra fria, o cara que entregou o controle de nossa economia ao Império Anglo-saxão.
DEVEMOS LER ESTE LIVRO!!!
OBRA DE UMA PESQUISADORA INGLESA
Abaixo, informe do jornal Correio do Brasil sobre um livro recém editado por uma pesquisadora inglesa que abre algumas caixas pretas das ligações entre o alto tucanato e a CIA.
LIVRO BOMBA ACUSA FHC DE RECEBER
MILHÕES DE DÓLARES DA CIA !
Mal chegou às livrarias e Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da culturajá se transformou na gazua que os adversários dos tucanos e neoliberais de todos os matizes mais desejavam. Em mensagens distribuída, neste domingo, pela internet, já é possível perceber o ambiente de enfrentamento que precede as eleições deste ano. A obra da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editada no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro), ao mesmo tempo em que pergunta, responde: Quem "pagava a conta" era a CIA, a mesma fonte que financiou os US$ 145 mil iniciais para a tentativa de dominação cultural e ideológica do Brasil, assim como os milhões de dólares que os procederam, todos entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do país no período de 1994 a 2002.
O comentário sobre o livro consta na coluna do jornalista Sebastião Nery, na edição deste sábado do diário carioca Tribuna da Imprensa.
"Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas: "Consistente e fascinante" (The Washington Post). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" (Spectator). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente" (The Times).
DINHEIRO DA CIA PARA FHC
"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap". Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.
FUNDAÇÃO FORD
Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos. E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.
AGENTE DA CIA
Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos. Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias. Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.
MILHÕES DE DÓLARES
1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153). 2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).
3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).
FHC FACINHO
4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).
5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).
6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Efeito 2016: Folha publica pesquisa questionando voto popular

Publicado em Carta Maior

Temendo a derrota de seu candidato José Serra, que não decola nem nas pesquisas de seu instituto particular, Otavinho Frias partiu de vez para o tudo-ou-nada. Na edição deste domingo, a Folha de São Paulo estampa como manchete o resultado de uma pesquisa produzida por seu instituto questionando a legitimidade dos resultados das eleições no Brasil. Segundo a pesquisa, estaria provado que nada menos do que 17 milhões de brasileiros venderam seus votos, pelo menos uma vez. A consagração do presidente Lula pela conquista das Olimpíadas Rio 2016, pode ter sido a gota d’água para a operação tudo-ou-nada. O artigo é de Fernando Carvalho.

Fernando Carvalho, de Madri

Lendo a manchete principal do jornal Folha de São Paulo desse domingo, ficamos sabendo que o seu dono, Otavinho Frias, mandou que o seu instituto particular de pesquisas, o DataFolha, produzisse uma enquete que questionasse, pudesse anular ou que pelo menos, justificasse mais tarde, que os resultados das próximas eleições para presidente, governadores e parlamentares não poderiam ser aceitos.

Obediente, o instituto Datafolha teria cumprido a ordem do chefe e entrevistado dois ou três milhares de pessoas em várias cidades do país, fazendo a seguinte pergunta: “alguma vez você votou em alguém em troca de alguma coisa”?

Segundo o jornal do Otavinho, se considerarmos o resultado encontrado pelo instituto do Otavinho, em proporção com a população do Brasil, estaria provado pelos cálculos dos cientistas empregados pelo Otavinho, que nada menos do que 17 milhões de brasileiros venderam seus votos, pelo menos uma vez.

Isso bastou para que o Otavinho, mandasse seus jornalistas, colocarem na primeira página de seu jornal, hoje, algo inédito. E que vai engrossar o já extenso currículo de pioneirismo da Folha pois nunca antes neste país, um jornal, alegando possuir “pesquisas científicas”, havia questionado o regime democrático de realizar eleições.

Ou seja, para o Otavinho, sua “pesquisa científica” provaria que tudo aquilo que acontece no dia das eleições seria uma autentica palhaçada, algo sem valor. Não valeria nada o trabalho dos juízes eleitorais, dos procuradores da justiça eleitoral, dos mesários, dos policiais, dos tribunais regionais eleitorais e do Tribunal Superior Eleitoral.

Tudo seria uma tremenda bobagem, uma falcatrua, inclusive o acompanhamento de especialistas e de representantes dos parlamentos de todo o mundo, que reconhecem sempre o excelente grau de lisura das eleições no Brasil.

Para o Otavinho, isso tudo é bobagem. É mentira. É bobagem para o Otavinho, principalmente, essa história de “vontade do povo”, expressa não
só nas urnas, mas nos bilhões de horas de trabalho ou de descanso que foram gastas pelos milhões de brasileiros que, a cada dois anos, ficam nas filas das seções eleitorais, ou se deslocando até o local das urnas.

Para o herdeiro da Folha de São Paulo, tudo o que foi e será considerado
como “vontade popular”, não valeu nada.

Não valeriam nada portanto, por esse raciocínio e seriam apenas papel sem valor, os mandatos que a Justiça Eleitoral do Brasil forneceu ao presidente da república, ao vicepresidente, aos senadores, deputados,vereadores e aos prefeitos e seus vices.

E não valeríamos nada, nós brasileiros.

Pois, das duas uma: ou somos fraudadores de eleições, do tipo que compra ou vende votos, ou somos milhões de ingênuos que acreditamos num sistema assim e ficamos quietos. Quem duvidar ou reclamar das “pesquisas científicas” do Otavinho é porque rouba eleições.

Os demais, que seriam os honestos, mas ingênuos, que não vendem o seu voto, deveriam aderir à oposição e ao golpe midiático que a Folha e outros jornais pretendem dar no governo no presidente Lula desde o primeiro dia de seu mandato, sem medo de serem acusados de golpistas, porque, segundo as “pesquisas do Otavinho”, as eleições não valeriam nada mesmo.

A bem da verdade, o pioneirismo da Folha para contestar os resultados das eleições é bem mais antigo. E o Otavinho não seria assim, um pioneiro. Em 1964 , Otávio Frias, o pai do Otavinho, dono da Folha, também contestou o mandato legitimo do presidente da República e de centenas de governadores, senadores e deputados, com uma pesquisa desse tipo.

Mais eficiente que seu filho, ele conseguiu que milhares desses mandatos populares, obtidos nas urnas em todo o Brasil, fossem retirados à força de seus detentores, sem processo, sem julgamento, convencendo maus militares a trabalharem sob suas ordens e inspiração, instalando no país uma ditadura que durou mais de 20 anos. Muitos dos que se tornaram “sem-mandato”, foram presos, torturados e mortos.

A Folha também foi pioneira na colaboração com um regime de exceção, pois, ao invés de combater com suas idéias aos usurpadores do poder, que censuravam a própria imprensa, o falecido Otávio Frias, pai do Otavinho, colaborou ativamente com os ditadores, aprovando e apoiando todas as barbaridades cometidas contra a população, como o arrocho salarial, a hipoteca das pequenas propriedades rurais, a perda dos direitos trabalhistas e à liberdade sindical.

Para fazer esse trabalho sujo de manipulação da opinião pública, Otavio Frias ganhou, sem licitação, tal como o Globo, o Estadão e outros jornais, gigantescas verbas de publicidade dos governos federal, estaduais e municipais. Essas verbas formaram as imensas fortunas que usufruem agora o Otavinho e os herdeiros dos Marinho, dos Mesquita, dos Sirotsky, dos Sarney, dos Collor, dos Maia e várias outras famílias que dominam a mídia que colaborava com a Ditadura nos estados.

Mas o fato que mais marca com o pioneirismo o currículo da Folha de São Paulo a nível internacional, foi a colaboração que o jornal prestou à ditadura transportando presos políticos, muitos deles torturados, que depois apareceram mortos ou estão até hoje desaparecidos, em
caminhonetes de entrega de jornais. Uma operação chamada OBAN, Operação Bandeirantes, realizada pelo exército em colaboração com empresários, para despistar juízes e familiares que procuravam em vão pelas vítimas nos quartéis para onde haviam sido levados ilegalmente.
Essa, nem os jornais que apoiavam o governo de Adolf Hitler fizeram. Transportar presos políticos em carros de entrega de jornal.

É pioneirismo puro. Mas uma vergonha que manchou inapelavelmente o currículo da Folha e que ainda está impune.

"Comentários dos leitores"
Outro movimento dessa ofensiva "tudo-ou-nada" aparece nos “comentários dos leitores”que a Folha seleciona (ou será que ela mesma produz?) e coloca embaixo das matérias que está publicando nesse momento em sua versão on-line: todos eles vinculam a fraude nas provas do ENEM com a possível fraude nas próximas eleições... Mereceu pouco destaque o fato de que o Grupo Folha é parceiro da gráfica contratada para imprimir a prova (a Plural é uma parceria do Grupo Folha com a empresa americana Quad/Graphics).

Mais uma tentativa do Otavinho de desgastar o presidente Lula frente aos jovens, justamente o presidente que criou o ProUni, que dá bolsas aos alunos pobres e descendentes dos escravos que os antepassados de pessoas como Otavinho devem ter comprado e vendido aos montes, quando o Brasil era uma colônia e depois um império.

Um império onde mandavam não aqueles que fossem escolhidos em eleições que Otavinho contesta e seu pai já contestava e fez deixar de terem validade por 21 anos, mas aqueles que teriam o direito divino, dado por Deus, de mandar por serem de “melhor raça”, “melhor berço”, mais ricos e prósperos e portanto, mais inteligentes e capacitados para mandar.

Com a palavra, as autoridades.

Liberdade de imprensa é uma coisa. Manipular a realidade, corromper pessoas, transportar presos em caminhonetes, ganhar fortunas sem licitação é outra.

Os excelentes resultados dos seis anos e meio de governo do presidente Lula nos campos econômico, social e político já estavam fazendo nos últimos dias o herdeiro da Folha a radicalizar nos ataques e ofensas pessoais a Lula.

Mas agora, temendo a derrota de seu candidato José Serra, que não decola nem nas pesquisas de seu instituto particular, exatamente por que o povo brasileiro associa sua imagem aos anos de desemprego, miséria e corrupção de Fernando Henrique Cardoso, Otavinho Frias partiu de vez para o tudo-ou-nada.

A consagração do presidente Lula pela conquista das Olimpíadas Rio 2016, pode ter sido a gota d’água que precipitou essa nova crise de demência.
Com a palavra as entidades dos pesquisadores, dos sociólogos, dos cientistas políticos, dos estatísticos, matemáticos e outros afetos a esse ramo da ciência e da pesquisa de opinião. Com a palavra o Ministério Público Federal, a Justiça Eleitoral, os parlamentares, os governadores e prefeitos atingidos, cujos mandatos Otavinho colocou sob suspeita, com suas “pesquisas científicas”. Tanto os mandatos dos políticos do governo como os da oposição.

Com a palavra, principalmente, o presidente Lula, que sofre calado ataques e xingamentos dos jornalistas pagos pelo Otavinho, há mais de 30 anos.
E que depois de assumir a presidência, temendo ser acusado de atentar contra a liberdade de imprensa, tem permitido calado e de forma a meu ver equivocada, que gente como o Otavinho, continue ofendendo, não só a ele, mas o seu mandato popular, as instituições democráticas e próprio povo brasileiro.

Com a palavra, principalmente, nós os leitores de jornais do Brasil, mesmo aqueles que, sendo de oposição, teriam obrigação de nunca mais anunciarem ou comprarem um jornal com o currículo que Otavinho e seu pai fizeram injustamente a Folha e seus competentes profissionais ostentarem para o resto de suas vidas.

Daqui para frente, nem que eu leia outro jornal de oposição: mas a FOLHA, NÃO!

Texto atualizado em 05/10/2009

(*) Fernando Carvalho é jornalista.

Bom dia Ministro: Geddel Vieira Lima explica projeto do Rio São Francisco





Veja as imagens das obras na região de Cabrobó (PE):
Posted: 07 Oct 2009 09:35 AM PDT

Mais de 12 milhões de habitantes de estados do Nordeste, os mais afetados pelas secas no Brasil, estão mais próximos de ter água para consumo e produção, graças ao projeto do Rio São Francisco tocado pelo governo federal. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, participou nesta quarta-feira do programa Bom Dia Ministro e explicou detalhes do projeto, que beneficiará 390 municípios do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.


A obra está orçada em R$ 5 bilhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e oito mil pessoas já trabalham diretamente na construção dos Eixos do Projeto São Francisco. A previsão é de que até o final deste ano o número de empregos chegue a um total de 10 mil. No trecho abaixo da entrevista, Geddel fala dos avanços que a intervenção vai trazer para a região Nordeste e explica, enfim, o que é transposição:

O ministro Geddel também esclareceu as providências que estão sendo tomadas para proteger e garantir melhoria de vida de comunidades quilombolas e indígenas que viviam nas áreas próximas às obras do Rio São Francisco e estão sendo transferidas. Ressaltou também que o impacto socio-econômico das obras já é perceptível na região. “Para você ter uma noção do que está mudando na região, só você indo fazer uma visita lá.”, disse Geddel:

MST acusa Cutrale de grilagem de terras da União

Postado no Vermelho




MST acusa Cutrale de grilagem de terras da União
Após imagens divulgadas pelos principais jornais televisivos do país mostrando um trator dirigido por integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) derrubando plantações de laranja da empresa Cutrale, a justiça concedeu liminar de reintegração de posse à empresa da fazenda Santo Henrique, na divisa dos municípios de Iaras e Lençóis Paulista, em São Paulo. O MST lançou nota dizendo que o terreno na verdade pertence à União.

Na nota, o MST alega que o terreno pertence à União. Acusam a Sucocítrico Cutrale de utilização irregular de terras públicas para a monocultura de laranja e tentativa de "legitimar a grilagem" com a plantação. Afirmam ainda que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já havia reconhecido a posse da União das terras em questão.

"Não há motivo para continuar essa invasão, pois se trata de propriedade privada, extremamente produtiva e que gera centenas de empregos para as pessoas da própria comunidade local", diz a curta nota da Cutrale enviada à imprensa.

Em contraponto, a nota do MST diz que a área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas. Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim.

"A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS) entre outras", justifica a nota do movimento.

Carlos Otero, representante da empresa, disse à Folha Online estar otimista na liberação da área e no cumprimento da ordem judicial, mas o MST informou que a decisão de reintegração de posse é de um juiz local e que só deixa a fazenda após uma decisão da Justiça Federal, já que o caso foi transferido.

"Os invasores que ali se encontram de forma ilegal, estão destruindo construções, moradias de funcionários e pomares de laranja produtivos, além de provocarem outros estragos, 'atitudes essas incompatíveis com o verdadeiro homem do campo', desrespeitando até mesmo o trabalho que foi realizado pelos empregados da mesma comunidade assentada, que foram contratados pela empresa para gerar renda também em benefício de seus familiares", ataca Carlos Otero, representante da empresa.

Em resposta, o MST afirma que "o local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A Cutrale também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios".

Enquanto a mídia televisiva expõe o MST sem entrar no debate sobre a polêmica acerca da propriedade das terras noticiadas, partidos de direita tentam emplacar nova CPI do MST após destruição de laranjal.

Leia a íntegra da nota do MST

De São Paulo, Luana Bonone, com Folha Online e MST

Plano brasileiro para desmatamento é ambicioso e deve ser adotado por outros países





Posted: 06 Oct 2009 12:20 PM PDT

Lula discursa durante III Cúpula Brasil-União Européia, em Estocolmo. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A proposta do Brasil de reduzir em 80% o desmatamento no Brasil até 2020, apresentada pelo presidente Lula durante a III Cúpula Brasil-União Européia, realizada nesta terça-feira (6/10) em Estocolmo (Suécia), foi bastante elogiada pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. Para os dois, o plano brasileiro é ambicioso e deveria ser adotado como modelo por outros países. Reinfeldt afirmou ainda que seria importante discutir a proposta brasileira, que faz parte do Plano Nacional para Mudanças Climáticas, durante a reunião da ONU sobre clima (COP 15) que será realizada em dezembro, em Copenhague.

Para o presidente brasileiro, cada país tem que chegar à reunião sobre clima em Copenhague apresentando números concretos de quanto emite de gás do efeito estufa. Tratar o tema de forma genérica, jogando a culpa um no outro, não vai levar a lugar algum, afirmou Lula, que pede ainda “bom senso e maturidade” aos líderes mundiais para que seja possível encontrar uma solução viável para o problema das mudanças climáticas.

O presidente Lula afirmou ainda que a meta de desmatamento zero é impossível de ser assumida e explicou o motivo:

Ouça aqui a fala do presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, em que defende a proposta brasileira para o desmatamento:

Lula espera que os chefes de Estado decidam comparecer ao encontro em Copenhague e defende que a ONU assuma a responsabilidade de qualificar e criar um orgão exclusivo para as questões ambientais que sirva de referência única para assuntos do meio-ambiente. Assim, acaba com a confusão existente hoje, em que cada país trabalha com seu número, cada departamento de energia com um número:

O presidente disse ainda que não adianta procurar culpados, mas que é preciso criar regras para que cada país comece a se responsabilizar pelos estragos que de fato já causou ao planeta. No trecho abaixo, Lula também fornece dados da matriz energética brasileira, reconhecidamente limpa, e fala dos biocombustíveis:
Posts relacionados

* O Brasil está fazendo sua parte pelo clima. Já os países desenvolvidos…

* Países emergentes não podem mais ficar à margem das discussões globais
* Lula reitera no G5 a importância da conversa entre países pobres e ricos

Blog do Planalto

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Brasil usa Olimpíada e Copa para atrair investidores estrangeiros




Márcia Bizzotto
De Bruxelas para a BBC Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou em Bruxelas uma intensa campanha para conquistar investimentos estrangeiros para o Brasil, usando como argumentos a realização da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro e da Copa do Mundo de 2014 no país.
"Abrem-se extraordinárias oportunidades de negócios", disse Lula nesta segunda-feira a uma plateia formada por empresários belgas e brasileiros no encerramento de um seminário.
A seu lado estavam o príncipe Felipe da Bélgica e o ministro de Exteriores belga, Yves Leterme, que haviam se reunido com o presidente momentos antes.
De acordo com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, o país precisa de US$ 48 bilhões em investimentos para a construção e reforma de estádios e para os setores de telecomunicações e hotelaria nas doze cidades sede da Copa de 2014.

‘Pequenez’

O ministro também estima investimentos de US$ 14 bilhões para a Olimpíada de 2016, dos quais 72% correspondem a obras de infraestrutura.
"A Bélgica tem muito mais razão de, em 2010, fazer mais investimentos no Brasil", insistiu Lula, recordando que em 2008 os investimentos belgas no país somaram US$ 1,9 bilhões e o comércio bilateral duplicou nos últimos quatro anos, chegando a US$ 7 bilhões.
Por sua parte, o ministro belga afirmou que as companhias belgas têm "muita experiência na construção de instalações para a Copa de 2014".
Não é possível que um país que tem a terceira fábrica de aviões do mundo seja vendido ao mundo apenas como as favelas do Rio de Janeiro ou como carnaval e o futebol.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

"Vocês jogarão a final, nós construiremos a infraestrutura", brincou Leterme.

Autoestima

Lula ainda disse aos empresários belgas que o Brasil voltará a crescer 5% ao ano em 2010 e, de acordo com estimativas do Banco Mundial, poderá ser a quinta economia do mundo em 2016 se manter o ritmo de crescimento.
O presidente ressaltou que o país não é apenas um grande produtor agrícola, mas também pode oferecer tecnologia a seus sócios comerciais, como é o caso dos biocombustíveis, que definiu como uma "alternativa segura, limpa e eficaz", que pode ajudar os países desenvolvidos a cumprir suas metas de redução de emissões de gases com efeito estufa.

Destacando a posição do Brasil no cenário mundial, Lula defendeu que a melhor maneira do país ser respeitado internacionalmente é acreditando em seu potencial.
"Acho que o Brasil não pode repetir os erros que cometeu no século 20, quando o Brasil não acreditava em si, achava que tudo o que era feito nos outros países era melhor, que nós éramos coitadinhos e que tínhamos que pedir licença para todo o mundo", disse.
"Não é possível que um país que tem a terceira fábrica de aviões do mundo - que muitos aviões que voam na Bélgica são da Embraer, incluindo o de sua majestade - seja vendido ao mundo apenas como as favelas do Rio de Janeiro ou como carnaval e o futebol", insistiu.
O presidente culpou os próprios brasileiros de promover a "pequenez com que durante muito tempo as pessoas de fora viram o Brasil".
delegação brasileira dará continuidade à campanha por investimentos estrangeiros na terça-feira, em Estocolmo, capital da Suécia, com uma reunião bilateral com o governo sueco e um encontro reunindo empresários de ambos países.
Antes, Lula e sua equipe participam da terceira cúpula entre o Brasil e a União Europeia, também na capital sueca.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rogério Mattos Costa: A inveja mata. O ódio enterra.




A inveja mata, diz um conhecido ditado.

Bastaram poucas horas após o anúncio de que o Rio será sede das Olimpíadas 2016 para que uma série de artigos de crítica ao presidente Lula e aos seus sentimentos de patriotismo, inundassem como uma torrente, as páginas on-line da Folha de São Paulo.

Os artigos se repetem e questionam Lula como se, ao presidente de um país, não coubesse, nessa hora, elogiar o esforço daqueles homens e mulheres que contribuíram para que a maior festa de congraçamento da humanidade, viesse para o Brasil, ainda que no longínquo 2016.

Acostumado a dizer que tem vergonha de ser brasileiro, um dos jornalistas da Folha dedica-se não só a ofender, como sempre faz, ao presidente Lula, mas a lembrar dos males que quinhentos anos de má administração, preconceito racial, irresponsabilidade social e muita impunidade, fizeram ao país.

Como se a Lula coubesse a culpa pela situação e não os méritos de pela primeira vez, enfrentá-la com boa, ainda que não suficiente, dose de coragem. Lembram ainda com ironia este e outros jornalistas da Folha, que o patriotismo foi usado pela ditadura militar para combater à esquerda, quando esta reclamava da falta de liberdades básicas, como a de imprensa. Assim, segundo eles, a esquerda, da qual Lula faz parte, não poderia usar o patriotismo, “uma arma exclusiva da ditadura” para
comemorar o bom momento que vive o país em todos os setores da economia, da evolução da sociedade e do prestigio do país no exterior.

Outros vão mais além, merecendo o carinhoso apelido de “colonistas”, criado por Paulo Henrique Amorim em seu blog, para designar aqueles colunistas que pregariam abertamente a volta do Brasil à condição de colônia de potencias estrangeiras. Agora, é claro, já não a colônia de Portugal, mas de um grande país da América do Norte.

De qualquer forma, para um jornal que tem em seu currículo a acusação, nunca desmentida de haver emprestado veículos próprios, de seu patrimônio, para o transporte ilegal de cidadãos que caíram presos políticos, sem mandado judicial, durante uma ditadura militar, a Folha está em péssimas condições para combater o patriotismo ou o uso, por Lula das conquistas de seu governo.

Afinal, as acusações de colaboracionismo com a tortura não prescreveram e estão ao alcance de qualquer pesquisa, mesmo acadêmica e pela internet.
Ao fazer brincadeiras e ironias com os sentimentos patrióticos do povo e do presidente da República, a Folha ofende a memória não só dos mortos e torturados que suas caminhonetes eventualmente teriam transportado, mas de todos os que morreram combatendo o regime de exceção que seu proprietário, à época, ajudou a implantar.
Publicado em Carta Maior

Luis Nassif: "Lula, o grande timoneiro"

4/10/2009 - 12:00

Do Último Segundo
Coluna Econômica – 04/10/2009

Estava almoçando com um amigo banqueiro quando veio a notícia de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido cidade-sede das próximas Olimpíadas. Mandou abrir um vinho em comemoração. De manhã, um funcionário dele, em Copenhagem, mandou email informando que na cidade só se falava em Lula, uma euforia completa apenas pela presença de Lula por lá.

No restaurante, as mesas comemoraram pedindo vinhos e champagnes. Nas ruas, uma população orgulhosa do feito brasileiro. No Blog, centenas de comentários de leitores orgulhosos de serem brasileiros, finalmente orgulhosos de serem brasileiros, repito.

Chego no escritório, ligo a Internet e procuro o vídeo com o discurso de Lula, defendendo a candidatura do Rio e, depois, com Lula com os olhos marejados falando de sua maior especialidade: o modo de ser brasileiro. Tecendo loas ao Brasil, ao Rio, à ginga, à alma brasileira.

E me espanto de como é possível que parte da opinião pública ainda não tenha se dado conta da dimensão política global de Lula. Ele se tornou um dos governantes paradigmáticos do maior processo de transformações que a humanidade atravessa desde o pós-guerra.

***

A população pobre, que era custo, hoje se tornou o grande ativo dos emergentes China, Índia e Brasil. Lula representa não apenas a história de sucesso do operário que chegou a presidente. O polonês Lech Walesa também teve esse papel e não passou de mera curiosidade histórica. Já Lula tem desempenhado um papel civilizatório inimaginável.

Assumiu um país exaurido pela insensibilidade social, liderando um continente propenso a exageros populistas históricos, como contraposição aos exageros liberais. Globalmente, o fracasso das políticas neoliberais projetou uma sombra de xenofobia, intolerância e radicalização sobre todos os continentes.

Foi nesse ambiente propício à radicalização que Lula projetou sua imagem de pacificador, de agente do processo civilizatório mundial.

Com a mesma bonomia com que trata seus adversários políticos no Brasil, ou como tratava os peões de fábrica no ABC, ajudou a criar uma alternativa democrática no continente, orientando Evo Morales, contendo os arroubos de Hugo Chávez, tornando-se a esperança do Ocidente de manter uma porta aberta com o Irã.

Quando leva Obama para uma sala para explicar, em um bate-papo, como agir no caso do Irã, o severino retirante se despe de toda liturgia do cargo, dos tremeliques da diplomacia, usa a linguagem tosca e direta com que as pessoas normais se comunicam e ajuda a desenhar a nova diplomacia mundial. E com a cara do Brasil, a afetividade do Brasil, alisando as pessoas, tratando-as com o carinho brasileiro.

Na coletiva que deu após a escolha do Rio, a profissão de fé no Brasil entrará para a história. O orgulho de ser brasileiro, o “sim, nós podemos” entra definitivamente para o repertório brasileiro do século 21, do mesmo modo que JK empurrou o país com seu otimismo e sua genuína crença no valor do brasileiro.

Daqui a vinte anos, quando o país estiver definitivamente entronizado no panteão dos grandes países do mundo, será mais fácil avaliar a verdadeira dimensão de Lula, como o grande timoneiro dessa travessia.

domingo, 4 de outubro de 2009

Por que me ufano do meu país.

*
Não sou o Afonso Celso, embora nossos nomes se pareçam, mas hoje também posso dizer que me ufano do meu país. Meu ufanismo pode ser menos ingênuo como, dizem, era o daquele conde monarquista. Ainda assim, não deixa de ter sua dose de otimismo crédulo. Quem vem de longe, como dizia o saudoso caudilho Brizola, sabe bem do que estou falando.
E é não é apenas pela nossa recente conquista de 2016. Claro, estou superentusiasmado e patriótico, mas já vivi outras conquistas que não foram capazes de eliminar um sentimento de frustração. Eu estava em Brasília quando o Brasil ganhou o tricampeonato mundial de futebol. Participei como toda gente da festa na Asa Sul e ouvi a multidão cantar Eu te amo meu Brasil, hino de Don e Ravel, mas eu não cantei. Do mesmo modo que meus amigos da época, não compartilhei da alegria da ditadura. Também detestava o patropi do Simonal, que achávamos grotesco e hoje há quem tente reabilitar sua figura.
Sei que agora a situação é diferente. Depois de anos de luta pela redemocratização do país e dos tempos melancólicos da Nova República, da era de privatização de FHC, tenho (temos) o que comemorar. É verdade que não chegamos ao paraíso. Quando vou para o trabalho aqui no centrão de Sampa, tropeço em todo tipo de destroços humanos: drogados, crianças dormindo na rua (não há marquises nem viadutos suficientes), camelôs, homens-sanduiche, prostitutas e prostitutos em vias públicas, enfim, o inferno na terra. Não tenho dúvida de que o bolsa-família é paliativo e de que, além disso, não abarca o universo da miséria cruel.
Também não discordo dos que chamam Lula de populista desde que se entenda populismo como sinônimo de popular, de quem conhece o povo, que conhece sua linguagem e sofre com suas necessidades. Lula se parece com Vargas? Um pouco. Mas a questão não é essa, caros especialistas em populismo do PSDB. O problema não se resume às distorções do personalismo e sim ao que os personagens representam. Tanto Vargas quanto Lula (este, muito mais) representam um Estado mais atuante, indutor do desenvolvimento, árbitro dos conflitos e promotor da justiça social, mas sempre amparado em bases sociais. O PT (se quiserem, o lulopetismo) possui tal força.
Lula compôs com políticos atrasados, a exemplo de Sarney? Certamente, assim como FHC se juntou ao Toninho Malvadeza & cia. O PT financiou partidos coligados com sobras do caixa dois? Também é verdade, do mesmo jeito que os tucanos o fizeram. Mas nada justifica isso, diriam meus colegas de academia, repletos de razões morais e éticas, intransigentemente defensores da mais pura, ideal, límpida política democrática civilizada européia e norte-americana (viva os sacrossantos Berluscone, Sarkozy, Bush e tantos outros), hoje já se preparando para votar no impoluto Serra (que não compõe com os demos) ou em Marina (a evangélica virgem que não aceita o culto à santidade da Virgem Maria). Concordo com vocês, intelectuais acima de qualquer suspeita, mas o mundo não é uma arquitetura teórica bem-concebida, como vocês pensam.
Por trás da visão civilizatória e dos bons modos assépticos dos demotucanos e dos comunistas envergonhados sob a tutela do brutamontes Roberto Freire, estão as privatizações a qualquer preço, a degola do ensino público e a segregação social, políticas que o atual governo tem procurado, com dificuldades superar. Nas entrelinhas cultas do discurso de FHC e seus seguidores se revela o complexo de inferioridade daqueles que negam o Brasil ao se verem no espelho do dito mundo civilizado.
Quando estive na Itália, os estudantes universitários de lá não se cansavam de tecer loas ao Lula e de demonstrar todo o apreço que nutriam pelo Brasil: nossa música, nossa literatura, nosso calor humano, nosso jeito de ser. Acho que eles tinham razão.

Por Antônio Celso, blog Impertinências

The Observer: Com Rio 2016, país do futuro vive o presente



Festa no Rio

A reportagem britânica destaca motivos para comemorar no Brasil

A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é "a última prova de que para o Brasil, um dos países mais glamorosos e carismáticos do mundo, os bons tempos estão começando", de acordo com uma elogiosa reportagem publicada neste domingo pelo semanário britânico The Observer.

"Tão frequentemente descritos como pertencentes a um 'país do futuro', os brasileiros viram-se vivendo o presente neste fim de semana", escreveu o correspondente Tom Phillips, do Rio de Janeiro.

A reportagem do Observer destaca a importância da escolha do Rio para todo o Brasil, mas principalmente para a própria Cidade Maravilhosa, "após anos de abandono e violência urbana".

O jornal afirma que os investimentos estão voltando ao Rio, que estaria vivendo um "boom econômico e cultural que já levou à recuperação de áreas dilapidadas do centro da cidade".

A reportagem também destaca a importância dos Jogos Olímpicos do Rio para a auto-estima dos brasileiros, citando palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

"O Brasil saiu do patamar de país de segunda classe e entrou no patamar de país de primeira classe.”

Governo Lula

O jornal elogia ainda a situação privilegiada do Brasil, após meses de crise econômica mundial, destacando o crescimento nas exportações do país, o aumento no preço de commodities e as políticas sociais do governo Lula, "que ajudaram milhões de brasileiros pobres a deixar a pobreza desde que o líder de esquerda assumiu o poder".

"O renascimento incipiente do Rio espelha o boom nacional que, nas expectativas do governo brasileiro, deve transformar o país em uma das potências políticas, econômicas e petrolíferas mundiais", diz o Observer.

"Em 2007, a sua fortuna recebeu um potencial forte empurrão com o descobrimento de enormes reservas de petróleo na costa, que podem ajudar a tornar o país um peso ainda mais pesado no cenário internacional."

O jornal britânico vai mais longe ao ressaltar a crescente força da diplomacia brasileira, afirmando que como integrante do G20, "que ofuscou o G8", o Brasil "está começando a mostrar os seus músculos".

O semanário também credita a virada na política diplomática brasileira ao governo Lula, "que abriu o caminho para vários presidentes sul-americanos cada vez mais influentes, que estão ajudando a pôr o chamado 'continente esquecido' no mapa".

No entanto, a reportagem lembra que em meio à crescente importância econômica, política e ambiental, "o Brasil ainda tem vastos exércitos de pobres."

"O país ainda tem um dos níveis de desigualdade mais altos do planeta, com os 10% mais ricos em posse de metade da renda do país, enquanto menos de 1% dela pinga para os 10% mais pobres", afirma o Observer.

Publicado por BBC Brasil em 04 Out 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

As faces da vitória do Rio


Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)

Semana passada, no plenário da ONU, o presidente Lula reeditou o antigo "sapo barbudo" das lutas sindicais e políticas na região do ABC paulista nos anos 70. De cara amarrada e palavras duras, ele atacou os golpistas de Honduras, garantiu abrigo a Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, defendeu o direito de retomada do posto de governo pelo presidente eleito, usurpado pelas armas. Em seguida, retomou as vestimentas franciscanas, que lhe têm caído como luva nesta década, para produzir uma vitória histórica da América do Sul.

Ontem, na Dinamarca, ele jogou mais um papel crucial. Desta vez, porém, optou estrategicamente pela face do "Lulinha paz e amor". Assim o presidente do Brasil desfilou esta semana sob o céu da Dinamarca. Cenário sheakespeariano cheio de paixões trágicas e desencontradas; manobras muitas vezes desleais e mal-encobertas; conspirações e traições sem fim de todo lado. Neste cenário Lula entrou de corpo, alma e convicção, mas vestido de modéstia franciscana, na defesa vitoriosa do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Nesta refrega internacional entre Rio, Madri, Chicago e Tokyo, dá gosto e comove ver a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva que a televisão transmite de Copenhague para o Brasil e para o planeta inteiro interessado no desfecho desta disputa encarniçada. Com o auditório repleto de celebridades mundiais de todos os esportes, das artes, dos negócios e da política, é praticamente impossível - a não ser por cegueira ideológica ou preconceitos inqualificáveis -, não ser contagiado pela emoção do ex-operário metalúrgico no seu terno azul e elegante gravata nas cores da bandeira nacional, que está na tribuna.

"Essa candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 450 milhões de homens, mulheres e cerca de 180 milhões de jovens, um continente que, como vimos, nunca realizou os Jogos Olímpicos. Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. É hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade: o Rio de Janeiro", dispara Lula, com pontaria política e diplomática de um campeão olímpico de tiro.

Apesar dos argumentos aparentemente convincentes e irrespondíveis, esta não foi uma missão fácil. O presidente, Pelé, o governador, o prefeito do Rio, o cineasta Fernando Meirelles com seu filme de beleza e apelo irrecusáveis, além de todos os mais diretamente envolvidos nesta batalha da Dinamarca - e não são poucos - seguramente sabiam disso. E se não sabiam, basta ver a reportagem que o jornal espanhol El Mundo publicou ontem, assinada pelo repórter Fernando Mas.

O texto mostra primorosamente como o Hotel Marriot, nas margens de um dos principais canais de Copenhague, se transformou nesses últimos quatro dias, no centro das conspirações olímpicas. A caça e conquista do voto definitivo era a missão de todas as delegações que buscavam até a tarde de ontem, converter-se na sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assinala o jornal de Madri:

"O rei Juan Carlos de Espanha em uma suíte. A rainha Sofia em outra. Zapatero em uma terceira. Todos no sétimo andar do Marriot. O sexto andar está reservado para os negociadores brasileiros, com Lula da Silva à frente. Os delegados que visitavam as suítes do sétimo andar eram reclamados em seguida num piso mais abaixo. O terceiro, onde atuava Michelle Obama, a desenvolta primeira-dama dos Estados Unidos", conta o texto de El Mundo.

Michelle comandou as negociações em favor de sua cidade, até o presidente Obama desembarcar na Dinamarca, na undécima hora, para as manobras do inútil esforço final em favor de Chicago, cuja população parece não chorar muito a derrota, assim como os habitantes de Tokyo, que já abrigou uma Olimpíada.

O Rio venceu! Viva o Rio! Nenhum lugar de mundo merecia mais este triunfo magnífico. A vitória não será em vão, mas cobra, a partir de agora, o cumprimento das emocionadas e, seguramente, decisivas palavras do presidente brasileiro em Copenhague: "Os que nos derem essa chance não se arrependerão. Os jogos no Rio serão inesquecíveis (...). Para o movimento olímpico será a chance de sentir o nosso sol. Será a chance de falar para o mundo que a Olimpíada é de todos".

Bravo! "Viva a sua paixão", como recomenda o maravilhoso e também decisivo filme de Fernando Meireles mostrado ontem em Copenhague para o mundo. Viva o Rio, com sua gente tão maravilhosa quanto a cidade.

E viva a América do Sul, outra grande vitoriosa de ontem na Dinamarca.


Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog Bahia em Pauta ( http://bahiaempauta.com.br/).

Fale com Vitor Hugo Soares: vitor_soares1@terra.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lula poderia ter desprezado o Rio

por Leandro Fortes, no Brasília eu ví

Lula poderia ter agido, como muitos de seus pares na política agiriam, com rancor e desprezo pelo Rio de Janeiro, seus políticos, sua mídia, todos alegremente colocados como caixa de ressonância dos piores e mais mesquinhos interesses oriundos de um claro ódio de classe, embora mal disfarçados de oposição política. Lula poderia ter destilado fel e ter feito corpo mole contra o Rio de Janeiro, em reação, demasiada humana, à vaia que recebeu – estranha vaia, puxada por uma tropa de canalhas, reverberada em efeito manada – na abertura dos jogos panamericanos, em 2007, talvez o maior e mais bem definido ato de incivilidade de uma cidade perdida em décadas de decadência. Vaiou-se Lula, aplaudiu-se César Maia, o que basta como termo de entendimento sobre os rumos da política que se faz e se admira na antiga capital da República. Fosse um homem público qualquer, Lula faria o que mais desejavam seus adversários: deixaria o Rio à própria sorte, esmagado por uma classe política claudicante e tristemente medíocre, presa a um passado de cidade maravilhosa que só existe, nos dias de hoje, nas novelas da TV Globo ambientadas nas oníricas ruas do Leblon.

Lula poderia ter agido burocraticamente a favor do Rio, cumprido um papel formal de chefe de Estado, falado a favor da candidatura do Rio apenas porque não lhe caberia falar mal. Deixado a cidade ao gosto de seus notórios representantes da Zona Sul, esses seres apavorados que avançam sinais vermelhos para fugir da rotina de assaltos e sobressaltos sociais para, na segurança das grades de prédios e condomínios, maldizer a existência do Bolsa Família e do MST, antros simbólicos de pretos e pobres culpados, em primeira e última análise, do estado de coisas que tanto os aflige. Lula poderia ter feito do rancor um ato político, e não seria novidade, para dar uma lição a uma cidade que o expôs e ao país a um vexame internacional pensado e executado com extrema crueldade por seus piores e mais despreparados opositores.

Mas Lula não fez nada disso.

No discurso anterior à escolha do Comitê Olímpico Internacional, já visivelmente emocionado, Lula fez o que se esperava de um estadista: fez do Rio o Brasil todo, o porto belo e seguro de todos os brasileiros, a alma da nacionalidade. Foi um ato de generosidade política inesquecível e uma lição de patriotismo real com o qual, finalmente, podemos nos perfilar sem a mácula do adesismo partidário ou do fervor imbecil das patriotadas. Lula, esse mesmo Lula que setores da imprensa brasileira insistem em classificar de títere do poder chavista em Honduras, outra vez passou por cima da guerrilha editorial e da inveja pura e simples de seus adversários. Falou, como em seus melhores momentos, direto aos corações, sem concessões de linguagem e estilo, franco e direto, como líder não só da nação, mas do continente, que hoje o saúda e, certamente, o aplaude de pé.

Em 2016, o cidadão Luiz Inácio da Silva terá 71 anos. Que os cariocas desse futuro tão próximo consigam ser generosos o bastante para também aplaudi-lo na abertura das Olimpíadas do Rio, da qual, só posso imaginar, ele será convidado especial.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Duas trajetórias distintas

Do blog do Emir (Carta Maior)

26/09/2009

"Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas - de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.

No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.

Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores.

José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE.

Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.

No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.

No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade.

Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida.

Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.

Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.

No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela e o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que seqüestrada, desaparecia, fuzilava, torturava.

Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil.

Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?"

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

PNAD: desigualdade em queda no Brasil

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, divulgados em 18 de setembro pelo IBGE no Rio de Janeiro, revelam que o Brasil reduziu mais uma vez a desigualdade na renda domiciliar e do trabalho da população, no período entre agosto de 2007 e agosto de 2008. Destaque também para os avanços registrados no mercado de trabalho brasileiro em 2008 nas regiões Norte e Nordeste do País.

A PNAD 2008 é o mais amplo e completo levantamento feito no Brasil com dados sobre educação, trabalho, habitação, renda e acesso a bens duráveis e de consumo.

O IBGE apurou que o Índice de Gini da renda do trabalho no Brasil caiu de 0,528 para 0,521 – o menor desde 1981. Já o da renda domiciliar caiu de 0,521 para 0,515. O Índice de Gini mede o grau de desigualdade existente na distribução de indivíduos segundo a renda per capital. Seu valor varia de 0 (quando não há desigualdade, ou a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor) a 1 (quando a desigualdade é máxima, ou um indivíduo detém toda a renda da sociedade e os demais têm renda nula).

Segundo a pesquisa, o rendimento médio do trabalho do brasileiro cresceu 1,7% em 2008, atingindo R$ 1.036, com crescimento em todas as regiões do País – destaque para o Nordeste, que teve um aumento de 5,4%. A redução da desigualdade de renda no Brasil é uma síntese da melhora generalizada dos indicadores sociais no País medidos pela PNAD.

Em 2008, foram criados 2,5 milhões de empregos, 95% com carteira assinada. Pouco mais de 92 milhões de pessoas estavam ocupadas entre agosto de 2007 e agosto de 2008, segundo a PNAD, o que representa uma taxa de ocupação de 57,5% – a maior registrada desde 1996. Esse total é 2,8% maior do que o registrado pelo IBGE no período anterior.

Na área de educação, um dado significativo foi o aumento do número de crianças de 4 e 5 anos na escola, de 70,1% para 72,8%. Já o total de crianças entre 6 e 14 anos que frequentam a escola passou de 97% para 97,5%. Houve um aumento também no número de brasileiros nas universidades – 6,258 milhões, número 3,4% maior do que o período anterior.

A taxa de analfabetos manteve-se praticamente estável, em 10% da população de 15 anos ou mais. A maioria absoluta dos analfabetos no País (92%) tem 25 anos ou mais.

Vale registrar também a melhora das condições de acesso dos domicílios brasileiros a serviços como rede geral de abastecimento de água, rede coletora de esgoto, iluminação elétrica, telefonia e acesso a bens de consumo durável, com destaque para a compra de computadores – 31,2% dos lares pesquisados tinham computador (26,5% no período anterior). Desse total, 76% com conexão à internet.

Lí no Ví o mundo, de Carlos Azenha

por Emir Sader, no

seu blog em Carta Maior

A mídia mercantil (melhor do que privada) tem um critério: o que for bom para o Lula, deve ser propagado como ruim para o Brasil. A reunião de mandatários sulamericanos em Bariloche – que o povo brasileiro não pôde ver, salvo pela Telesul, e teve que aceitar as versões da mídia – foi julgada não na perspectiva de um acordo de paz para a região, mas na ótica de se o Lula saiu fortalecido ou não.

O golpe militar e a ditadura em Honduras (chamados de “governo de fato”, expressão similar à de “ditabranda”) são julgados na ótica não de se ação brasileira favorece o que a comunidade internacional unanimemente pede – o retorno do presidente eleito, Mel Zelaya -, mas de saber se o governo brasileiro e Lula se fortalecem ou não. Danem-se a democracia e o povo hondurenho.

A mesma atitude têm essa mídia comercial e venal diante da possibilidade do Brasil sediar as Olimpíadas. Primeiro, tentaram ridicularizar a proposta brasileira, a audácia destes terceiromundistas de concorrer com Tóquio, com Madri, com Chicago de Obama e Michelle. Depois passaram a centrar as matérias nas supostas irregularidades que se cometeriam com os recursos, quando viram – mesmo sem destacar nos seus noticiários – que o Rio tinha passado de azarão e um dos favoritos, graças à excelente apresentação da proposta e ao apoio total do governo. Agora se preparam para, caso o Rio de Janeiro não seja escolhido, anunciar que se gastou muito dinheiro, se viajou muito, para nada. Torcem por Chicago ou outra sede qualquer, que não o Rio, porque acreditam que seria uma vitória de Lula, não do Brasil.

São pequenos, mesquinhos, só vêem pela frente as eleições do ano que vem, quando tentarão ter de novo um governo com que voltarão a ter as relações promíscuas que sempre tiveram com os governos, especialmente com os 8 anos de FHC. Não existe o Brasil, só os interesses menores, de que fazem parte as 4 famílias – Frias, Marinho, Civitas, Mesquita – que pretendem falar em nome do povo brasileiro.

O povo brasileiro vive melhor com as políticas sociais do governo Lula? Danem-se as condições de vida do povo. Interessa a popularidade que isso dá ao governo Lula e as dificuldades que representa para uma eventual vitória da oposição. A imagem do Brasil no exterior nunca foi melhor? A mídia ranzinza e agourenta não reflete isso, porque representa também a extraordinária imagem de Lula pelo mundo afora, em contraposição à de FHC, e isto é bom para o Brasil, mas ruim para a oposição.

O que querem para o Brasil? Um Estado fraco, frágil diante das investidas do capital especulativo internacional, que provocou três crises no governo FHC? Um país sem defesa ou dependente do armamento norteamericano, como ocorreu sempre? Menos gastos sociais e menos impostos para ter menos políticas sociais e menos direitos do povo atendidos? Um povo sem auto estima, envergonhado de viver em um país que eles pintam como um país fracassado, com complexo de inferioridade diante das “potências”, que provocaram a maior crise econômica mundial em 80 anos, que é superada pelos países emergentes, enquanto eles seguem na recessão?

São expressões das elites brancas, ricas, de setores da classe média alta egoísta, que odeia o povo e o Brasil e odeia Lula por isso. Adoram quem se opõem a Lula – Heloísa Helena, Marina, Micheletti -, não importa o que digam e representem. Sua obsessão é derrotar Lula nas eleições de 2010. O resto, que se dane: o povo brasileiro, o país, a situação de vida da população pobre, da imagem do país no mundo, da economia e do desenvolvimento econômico do Brasil.

O que é bom para o Lula é ruim para eles e tentam fazer passar que é ruim para o Brasil. É ruim para eles, as minorias, os 5% de rejeição do governo, mas é muito bom para os 82% de apoio ao Lula.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Brasil assume sua maioridade

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
"El Paris":Brasil alvoroça ordem mundial

22/09/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Nova York para participar da abertura da Assembleia Geral da Onu em situação "que não poderia estar melhor", segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário espanhol El País.

Lula deve pedir reformas nas instituições financeiras internacionais, um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e deve defender a intervenção do Estado na economia para evitar excessos financeiros, diz o jornal.

Lula "falará com a autoridade de quem chega com os deveres de casa muito bem feitos", afirma a reportagem, destacando que a crise financeira "não passa de uma lembrança no Brasil".

"O Brasil se recuperou com rapidez e dinamismo e provavelmente vai fechar o ano com crescimento bastante superior ao do resto dos países membros do G20." O presidente também deve pedir aos 192 países participantes da Assembleia Geral que não baixem a guarda diante da recente recuperação econômica e coloquem em prática as medidas anticrise que vêm sendo discutidas desde a cúpula do G20 em Washington, em novembro passado.

"Quando a crise mundial alcançou seu ápice, o Brasil anunciou um empréstimo ao FMI no valor de US$ 10 bilhões e, desta maneira, passou a formar parte do seleto grupo de sócios doadores da instituição", diz o jornal.

O jornal diz que Brasília considera a estrutura de órgãos como o Banco Mundial e o FMI está hoje totalmente obsoleta e não é representativa dos países emergentes.

"Desta maneira, o Brasil enfrenta uma semana de ofensiva diplomática para consolidar sua condição de líder regional sul-americano e novo ator de transcendência no panorama internacional." O Brasil, "que há anos assume o papel de porta-voz oficioso dos países em vias de desenvolvimento", também deverá reclamar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, "orgão onde se tomam as verdadeiras decisões", diz o jornal.

Para o Brasil, o assento seria uma forma de fazer com que os interesses do Terceiro Mundo sejam levados em conta "verdadeiramente".

Como argumento, o país conta com a indiscutível liderança na América do Sul, "esta supremacia se assenta em uma sólida economia que, segundo os analistas, já representa 57% do capital sul-americano".
Postado por TERROR DO NORDESTE às 04:32

PNAD: desigualdade em queda no Brasil

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 às 11:32


Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, divulgados hoje pelo IBGE no Rio de Janeiro, revelam que o Brasil reduziu mais uma vez a desigualdade na renda domiciliar e do trabalho da população, no período entre agosto de 2007 e agosto de 2008. Destaque também para os avanços registrados no mercado de trabalho brasileiro em 2008 nas regiões Norte e Nordeste do País.

A PNAD 2008 é o mais amplo e completo levantamento feito no Brasil com dados sobre educação, trabalho, habitação, renda e acesso a bens duráveis e de consumo.

O IBGE apurou que o Índice de Gini da renda do trabalho no Brasil caiu de 0,528 para 0,521 – o menor desde 1981. Já o da renda domiciliar caiu de 0,521 para 0,515. O Índice de Gini mede o grau de desigualdade existente na distribução de indivíduos segundo a renda per capital. Seu valor varia de 0 (quando não há desigualdade, ou a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor) a 1 (quando a desigualdade é máxima, ou um indivíduo detém toda a renda da sociedade e os demais têm renda nula).

Segundo a pesquisa, o rendimento médio do trabalho do brasileiro cresceu 1,7% em 2008, atingindo R$ 1.036, com crescimento em todas as regiões do País – destaque para o Nordeste, que teve um aumento de 5,4%. A redução da desigualdade de renda no Brasil é uma síntese da melhora generalizada dos indicadores sociais no País medidos pela PNAD.

Em 2008, foram criados 2,5 milhões de empregos, 95% com carteira assinada. Pouco mais de 92 milhões de pessoas estavam ocupadas entre agosto de 2007 e agosto de 2008, segundo a PNAD, o que representa uma taxa de ocupação de 57,5% – a maior registrada desde 1996. Esse total é 2,8% maior do que o registrado pelo IBGE no período anterior.

Na área de educação, um dado significativo foi o aumento do número de crianças de 4 e 5 anos na escola, de 70,1% para 72,8%. Já o total de crianças entre 6 e 14 anos que frequentam a escola passou de 97% para 97,5%. Houve um aumento também no número de brasileiros nas universidades – 6,258 milhões, número 3,4% maior do que o período anterior.

A taxa de analfabetos manteve-se praticamente estável, em 10% da população de 15 anos ou mais. A maioria absoluta dos analfabetos no País (92%) tem 25 anos ou mais.

Vale registrar também a melhora das condições de acesso dos domicílios brasileiros a serviços como rede geral de abastecimento de água, rede coletora de esgoto, iluminação elétrica, telefonia e acesso a bens de consumo durável, com destaque para a compra de computadores – 31,2% dos lares pesquisados tinham computador (26,5% no período anterior). Desse total, 76% com conexão à internet.

domingo, 13 de setembro de 2009

Análises política e econômica


Reproduzo texto de Eduardo Guimarães, postado no blog Cidadania.com
Eduardo Guimarães é um dos mais conceituados editores de blogs,no Brasil, e junto com Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, e Carlos Azenha.Formam a mais forte resistência da blogosfera contra o monopólio midiático e a manipulação das informações, pela "grande imprensa " partidarizada brasileira.

"Escolha de manchetes


Atualizado às 15h52m de 12 de setembro de 2009

Na imagem acima, duas edições de um dos tentáculos da imprensa golpista que anunciaram a entrada e a saída oficiais do país do processo recessivo na economia. Notem a diferença gritante de destaque entre a boa e a má notícia devido a escolha absolutamente inexplicável por critérios estritamente jornalísticos.

Contudo, não é só o destaque das notícias em manchetes que trabalha no sentido de impactar mais com a má notícia para o país do que com a boa. A construção, a engenharia das manchetes também atua no mesmo sentido, pois uma manchete é clara e de fácil assimilação, ao passo que a outra requer raciocínio para ser entendida. Vejamos essas "construções".

Manchete pessimista: "Brasil está em recessão"

Manchete otimista: "Consumo das famílias e indústria em alta tiram país da recessão"

Por que não "Brasil saiu da recessão"? Por que uma notícia que interessa à vida pessoal de cada brasileiro perde em importância para uma notícia policial que diz pouco, pois relata processo em curso sem desfecho definido? Por que a imprensa dá mais destaque a más notícias do que a boas?

É claro que, em vez de meramente informar, a imprensa partidarizada trata de tentar manipular a sociedade. Para boa parte dos leitores deste blog, essa é uma informação desnecessária, bem sei. Mas garanto a vocês que há muitos leitores aqui que estão meramente tentando enxergar alguma verdade inegável em meio ao partidarismo dos dois lados.

É a esses que dirijo meu trabalho, aos que se sentem perdidos em meio à campanha de desinformação e manipulação com que o grande aparato midiático oposicionista procura esmagar o aparato insipiente de contra-informação que ainda se forma quase exclusivamente na internet, e que, à diferença do grande aparato, assume suas preferências.

Há momentos em que sinto uma grande sensação de impotência. Como alertar a sociedade se todos os grandes meios de comunicação negam mídia a quem tem a dizer o que têm pessoas como este que escreve? O que tem me sustentado é minha crença inabalável na força mística da verdade.

Já disse mil vezes aqui e volto a dizer: a verdade é uma força da natureza como o vento ou a chuva. Pode-se tentar contê-la vedando todas as saídas por onde possa escapar. Contudo, ao menor furo na "vedação" a verdade irrompe com a força das marés, com o ímpeto dos furacões.



Por que a 'marolinha' foi mesmo uma marolinha



Espanta-me o espanto de alguns com o resultado estimulante da economia já no segundo trimestre deste ano, de mais 1,9%. No fim do ano passado, já escrevia aqui que isso ocorreria exatamente como e quando ocorreu.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, este blog já explicava por que a economia sairia do choque artificial em que foi jogada pela crise mundial, sim, mas também pela mídia nacional com seu terrorismo, que levou empresários a paralisar investimentos e a demitirem “preventivamente”.

Vejam o que eu disse:

1 – O pacote anti-crise do governo federal ultrapassou a marca dos 200 bilhões de reais, constituindo a maior intervenção oficial de estímulo econômico da história brasileira.

2 – Em 2009, o BNDES tem R$ 76 bilhões a mais para emprestar do que em 2008, quando emprestou R$ 92 bilhões, perfazendo quase 170 bilhões de reais neste ano.

3 – O governo também usou as reservas internacionais em dólar para emprestar cerca de R$ 50 bilhões a empresas com dívidas em moeda estrangeira.

4 – Desde setembro do ano passado, a liberação pelo governo do recolhimento compulsório dos depósitos à vista nos bancos foi da ordem de R$ 85 bilhões.

5 – O Banco Central também passou a emprestar a exportadores a fim de suprir a ausência dos recursos que eles obtinham no exterior para financiar suas operações.

6 – No auge da crise, o governo postergou o recolhimento dos impostos pelas empresas, de forma a aliviar seus fluxos de caixa.

7 – Os impostos sobre operações financeiras foram reduzidos de forma a baratear o crédito.

8 – Reduziu-se o IPI de carros, motocicletas, caminhões, eletrodomésticos e de material de construção.

9 – Lançou-se um programa governamental de construção ou financiamento de moradias que movimentou o mercado da construção civil.

10 – Foram abertas fartas linhas de crédito governamental para a agricultura.

11- Bancos oficiais assumiram a dianteira nas quedas dos spreads e das taxas de juro, o que já fez com que a oferta de crédito retornasse rapidamente aos níveis pré-crise.

12 – Foi feito um plano de repactuação de dívidas dos municípios com a União que lhes permitiu contrair novos empréstimos dos cofres federais.

13 – A taxa básica de juros da economia (Selic) foi reduzida ao mais baixo patamar em décadas.

Pedi reiteradas vezes aos leitores deste blog para que se lembrassem daqueles vaticínios que fazia. Enquanto isso, a mídia se opunha à maioria das medidas acima repercutindo a oposição, que pregava redução de gastos governamentais.

Imaginem vocês o que aconteceria se o Brasil tivesse cometido o erro de eleger um tucano presidente em 2006. A esta hora, estaríamos amargando o mesmo que estão aqueles que enveredaram de cabeça pelos velhos caminhos neoliberais.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Lí no Portal do Luis Nassif

Da Carta Capital
Eleições e mídia, tudo a ver

03/09/2009 16:50:25
Luiz Gonzaga Belluzzo

Eu estava na ante-sala de uma médica, em Salvador. Sábado, dia 29 de agosto. E apenas por essa contingência, dei-me de cara com uma chamada de primeira página - uma manchetinha - da revista Época, já antiga, de março deste ano de 2009: A moda de pegar rico - as prisões da dona da Daslu e dos diretores da Camargo Corrêa.

Alguém já imaginou uma manchete diferente, e verdadeira como por exemplo, A moda de prender pobres? Ou A moda de prender negros? Não, mas aí não. A revolta é porque se prende rico. Rico, mesmo que cometendo crimes, não deveria ser preso.

Lembro isso apenas para acentuar aquilo que poderíamos denominar de espírito de classe da maioria da imprensa brasileira. Ela não se acomoda - isso é preciso registrar. Não se acomoda na sua militância a favor de privilégios para os mais ricos. E não cansa de defender o seu projeto de Brasil sempre a favor dos privilegiados e a favor da volta das políticas neoliberais. Tenho dito com certa insistência que a imprensa brasileira tem partido, tem lado, tem programa para o País.

E, como todos sabem, não é o partido do povo brasileiro. Ela não toma partido a favor de quaisquer projetos que beneficiem as maiorias, as multidões. Seus olhos estão permanentemente voltados para os privilegiados. Não trai o seu espírito de classe.

Isso vem a propósito do esforço sobre-humano que a parcela dominante de nossa mídia vem fazendo recentemente para criar escândalos políticos. E essa pretensão, esse esforço não vem ao acaso. Não decorre de fatos jornalísticos que o justifiquem.

Descobriram Sarney agora. Deu trabalho, uma trabalheira danada. A mídia brasileira não o conhecia após umas cinco décadas de presença dele na vida política do país. Só passou a conhecê-lo quando se fazia necessário conturbar a vida do presidente da República. O ódio da parcela dominante de nossa mídia por Lula é impressionante. Já que não era possível atacá-lo de frente, já que a popularidade e credibilidade dele são uma couraça, faça-se uma manobra de flanco de modo a atingi-lo. Assim, quem sabe, terminemos com a aliança do PMDB com o PT.

Não, não se queira inocência na mídia brasileira. Ninguém pode aceitar que a mídia brasileira descobriu Sarney agora. Já o conhecia de sobra, de cor e salteado. Não houve furo jornalístico, grandes descobertas, nada disso. Tratava-se de cumprir uma tarefa política. Não se diga, porque impossível de provar, ter havido alguma articulação entre a oposição e parte da mídia para essa empreitada. Talvez a mídia tenha simplesmente cumprido o seu tradicional papel golpista.

Houvesse a pretensão de melhorar o Senado, de coibir a confusão entre o público e o privado que ali ocorre, então as coisas não deviam se dirigir apenas ao político maranhense, mas à maior parte da instituição. Só de raspão chegou-se a outros senadores. Nisso, e me limito a apenas isso, o senador Sarney tem razão: foi atacado agora porque é aliado de Lula. Com isso, não se apagam os eventuais erros ou problemas de Sarney. Explica-se, no entanto, a natureza da empreitada da mídia.

A mídia podia se debruçar com mais cuidado sobre a biografia dos acusadores. Se fizesse isso, se houvesse interesse nisso, seguramente encontraria coisas do arco da velha. Mas, nada disso. Não há fatos para a mídia. Há escolhas, há propósitos claros, tomadas de posição. Que ninguém se iluda quanto a isso.

Do Sarney a Lina Vieira. Impressionante como a mídia não se respeita. E como pretende pautar uma oposição sem rumo. É inacreditável que possamos nós estarmos envolvidos num autêntico disse-me-disse quase novelesco, o país voltado para saber se houve ou não houve uma ida ao Palácio do Planalto. Não estamos diante de qualquer escândalo. Afinal, até a senhora Lina Vieira disse que, no seu hipotético encontro com Dilma, não houve qualquer pressão para arquivar qualquer processo da família Sarney - e esta seria a manchete correta do dia seguinte à ida dela ao Senado. Mas não foi, naturalmente.

Querem, e apenas isso, tachar a ministra Dilma de mentirosa. Este é objetivo. Sabem que não a pegam em qualquer deslize. Sabem da integridade da ministra. É preciso colocar algum defeito nela. Não importa que tenham falsificado currículos policiais dela, vergonhosamente. Tudo isso é aceitável pela mídia. Os fins, para ela, justificam os meios.

Será que a mídia vai atrás da notícia de que Alexandre Firmino de Melo Filho é marido de Lina? Será? Eu nem acredito. E será, ainda, que ele foi mesmo ministro interino de Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso, entre agosto de 1999 e julho de 2000? Era ele que cochichava aos ouvidos dela quando do depoimento no Senado? Se tudo isso for verdade, não fica tudo muito claro sobre o porquê de toda a movimentação política de dona Lina? Sei não, debaixo desse angu tem carne…

Mas, há, ainda, a CPI da Petrobras que, como se imaginava, está quase morrendo de inanição. Os tucanos não se conformam, E nem a mídia. Como é que a empresa tornou-se uma das gigantes do petróleo no mundo, especialmente agora sob o governo Lula e sob a direção de um baiano, o economista José Sérgio Gabrielli de Azevedo? Nós, os tucanos, pensam eles, fizemos das tripas coração para privatizá-la e torná-la mais eficiente, e os petistas mostram eficiência e ainda por cima descobrem o pré-sal. É demais para os tucanos e para a mídia, que contracenou alegremente com a farra das privatizações do tucanato.

Acompanho o ditado popular “jabuti não sobe em árvore”. A CPI da Petrobras não surge apenas como elemento voltado para conturbar o processo das eleições. Inegavelmente isso conta. Mas o principal são os interesses profundos em torno do pré-sal. Foi isso ser anunciado com mais clareza e especialmente anunciada a pretensão do governo de construir um novo marco regulatório para gerir essa gigantesca reserva de petróleo, e veio então a idéia da CPI, entusiasticamente abraçada pela nossa mídia. Não importa que não houvesse qualquer fato determinado. Importava era colocá-la em marcha.

Curioso observar que a crise gestada pela mídia com a tríade Sarney-Lina-Petrobras, surge precisamente no mesmo período daquela que explodiu em 2005. Eleições e mídia, tudo a ver. Por tudo isso é que digo que a mídia constitui-se num partido. Nos últimos anos, ela tem se comportado como a pauteira da oposição, que decididamente anda perdida. A mídia sempre alerta a oposição, dá palavras-de-ordem, tenta corrigir rumos.

De raspão, passo por Marina Silva. Ela sempre foi duramente atacada pela mídia enquanto estava no governo Lula. Sempre considerada um entrave ao desenvolvimento, ao progresso quando defendia e conseguia levar adiante suas políticas de desenvolvimento sustentável. De repente, os colunistas mais conservadores, as revistas mais reacionárias, passam a endeusá-la pelo simples fato de que ela saiu do PT. É a mídia e sua intervenção política. Marina, no entanto, para deixar claro, não tem nada com isso. Creio em suas intenções de intervenção política séria, fora do PT. Neste, teve uma excelente escola, que ela não nega.

Por tudo isso, considero essencial a realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Por tudo isso, tenho defendido com insistência a necessidade de uma nova Lei de Imprensa. Por tudo isso, em defesa da sociedade, tenho defendido que volte a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Por tudo isso, tenho dito que a democratização profunda da sociedade brasileira depende da democratização da mídia, de sua regulamentação, de seu controle social. Ela não pode continuar como um cavalo desembestado, sem qualquer compromisso com os fatos, sem qualquer compromisso com os interesses das maiorias no Brasil.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nós, os "escolhidos"

*Do blog ANTI TUCANO

Uma das maiores conquistas dos últimos anos, uma conquista que só poderia ter sido alcançada com um partido de esquerda no Poder, é o fato de a sociedade ter percebido que a Imprensa nacional, no fundo é a imprensa regional (Rio-SãoPaulo). Que essa Imprensa não é a defensora da liberdade e da democracia, mas sim, de seus interesses empresariais e do liberalismo (só o econômico, o neoliberalismo): uma ideologia tão ultrapassada quanto o stalinismo, e que se confunde com corrupção e golpes de Estado.

Enfim, nossa conquista foi a de termos enxergado um poderoso ator político: a Imprensa.

Quando se assiste a um Jornal Nacional ou se lê uma revista Veja, hoje!, sabemos que estamos recebendo a visão de mundo Liberal: o apoio a golpes (se necessário for) para garantir a propriedade privada de uns e o livre-mercado(que interessa ao Capital e às nações ricas). Tais veículos juram ser apartidários e que suas opiniões são puro "jornalismo".

Hoje, sabemos que a TV e os Jornalões fazem política. Não expressam os fatos como são, mas como gostariam que fossem.

A Folha de São Paulo, por exemplo, GOSTARIA que Dilma fosse mentirosa. Por isso, coloca Danuza Leão a afirmar que a sociedade enxerga Dilma como tal, após o "caso" Lina Vieira.

Na década de 90, a dona rede Globo, que batia 65 pontos de audiência, afirmaria isto e seria uma VERDADE. Quem iria contestar o jornalismo da Globo? Não tínhamos internet, lanhouses, DVDs e canais de TV a cabo. Sem falar que a população era mais pobre, tinha um poder de compra e nível educacional menores. A classe média também era menor.

O PiG - partido da Imprensa golpista - tinha um poder "invisível".

Valia-se do passado autoritário, com o qual colaborou entusiasticamente, para endossar a égide de "imprensa defensora da liberdade", "imprensa coitadinha que sofreu na ditadura".

Enquanto isso, os Marinhos e Civitas da vida punham e tiravam autoridades políticas.

Se hoje as pessoas já acham que estamos falando de "teoria da conspiração" quando citamos os interesses políticos dessas empresas de comunicação... Imagine naquela época, quando toda fonte de informação da sociedade vinha de 4 famílias.

Alguns autores de ciência política afirmam que quanto mais invisível é um poder, mais poderoso ele é.

Até alguns anos atrás, o poder político da Imprensa era invisível para quase 100% da sociedade. Não há dúvidas de que ela era muito mais poderosa. Notícias veiculadas pelo PiG eram A Verdade Absoluta e ninguém poderia contradizer o "jornalismo" da TV de um Roberto Marinho, por exemplo. Quem cogitava a existência de manipulação por parte da Mídia era chamado de "teórico da conspiração", no mínimo.

E mais, a sociedade não sabia que a Imprensa era Golpista; e nem que ela constituía um Partido, comportando-se como atores políticos (ou seja, conforme as conveniências - Sarney e Collor que o digam).

Especialmente após o advento da blogosfera, muitas pessoas passaram a ver que a Imprensa constitui esse quarto Poder, que age conforme suas ideologias e interesses próprios. E não como uma "guardiã da democracia", como se auto-denomina.

Assim, a partir do momento que enxergamos esse poder, ele não é mais tão poderoso.

Não é só a queda de audiência que faz com que a Globo e o PiG não derrubem Sarney.

É o fato de muitos brasileiros estarem enxergando esse poder midiático que antes era invisível - o PiG. Esse foco sobre si torna-o mais fraco, expõe seus erros e falhas (por isso o ódio do PiG contra o blog da Petrobrás).

Quanto mais as pessoas descobrem que as empresas de comunicação são empresas e não defensoras de liberdade, democracia etc; que elas querem "bater" no Sarney para bater em quem apoia Lula... quanto mais esse processo de descobrimento avança, menos poderosas ficam essas empresas.

Outra coisa: o fato de um governo progressista estar no Poder e visando à democratização dos meios-de-comunicação, isto obriga o "poder invisível" a sair da toca - o que o torna menos poderoso.

A Veja, por exemplo, era muito mais influente quando não tínhamos certeza do que ela realmente era. Antes, muitos olhavam a revista como uma fonte de informação, de jornalismo. Hoje, olham-na como um panfleto político-partidário.

O poder político da Imprensa é uma espécie de Matrix: você tem que ver e acreditar que ele existe!

Se você enxerga que a Veja manipula, que a Globo mente, que a Folha distorce, acabou o poder d´elas te manipularem como gado.

Estamos vivendo um momento único na história do Brasil: A TV Record falando da Globo, a internet e a blogosfera, o mercado e o Estado(gov.Lula) estão colaborando para quebrarmos o monopólio do PiG - e mostrarmos que a Imprensa faz política, não jornalismo.

Com isso, quanto mais pessoas enxergam que a Grande Imprensa constitui um poder com interesses políticos e econômicos, menos poderosos os empresários da comunicação ficam, pois deixam de ser "representantes de toda a sociedade" e passam a ser vozes de uma ideologia específica. A visibilidade desse ator político(PiG), proporcionada pela quebra do monopólio da informação, expõe o que ele realmente é. Isso faz com que muitas pessoas busquem outros meios de informação, o que deteriora ainda mais os antigos monopolistas.

É um ciclo virtuoso o momento que estamos vivendo.

O que temos de fazer é garantir a reeleição do PT ano que vem.
O PSDB aguenta ficar mais 4 anos longe do Poder, o PiG não.

Nessa tarefa - parafraseando o filme - nós somos os "escolhidos"!

(*)PiG é o Partido da Imprensa Golpista, que tem 4 afiliados: Globo, Veja, Estadão e Folha de São Paulo. Eles falam por 1% da população, mas juram que representam 90%. O PiG costuma transformar o que é bom em algo ruim e vice-versa, corrupto em honesto e honesto em corrupto, banqueiro bandido em delegado da PF e delegado da PF em banqueiro bandido. O PiG é uma verdadeira Matrix, um mundo de ilusão.
Postado por Lucas Santos

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Jogando contra o time"

O pré-sal e o esforço dos tucanos contra a Petrobras
No momento em que o governo brasileiro anuncia as regras para a exploração da camada pré-sal, o PSDB negocia com empresa norte-americana para "assessorar" partido na CPI da Petrobras. Segundo o site de Paulo Henrique Amorim, empresa trabalha para concorrentes da Petrobras. Pela atual avaliação do pré-sal, o Brasil poderá atingir, em 2015, a produção média de aproximadamente 3,4 milhões de barris/dia de petróleo.
Publicado em "Carta Maior"
> LEIA MAIS | Política | 30/08/2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Uma guerra nada santa

Lí no Blog do Miro:

Comentário sobre a guerra Globo X Record
Reproduzo abaixo dois rápidos comentários transmitidos pela Rádio Jornal Brasil Atual (FM-98.1) na coluna semanal “O outro lado da notícia”:

Uma guerra nada santa

Nos últimos dias, milhões de telespectadores brasileiros passaram a conhecer um pouco melhor os podres da poderosa mídia nativa. Nas telinhas, uma guerra nada santa entre as duas principais redes de TV do Brasil deixou de lado o descartável entretenimento e as fofocas fúteis. O clima esquentou. Incomodada com a sua queda de audiência e com o crescimento da Record, a Rede Globo partiu para o ataque, demonizando o bispo Edir Macedo e a Igreja Universal – acusando-o de desviar ilegalmente dinheiro dos fiéis para fortalecer a sua empresa de comunicação. As denúncias são graves e exigem apuração rigorosa e imparcial do Ministério Público.

No contra-ataque, a TV Record deu uma aula de história. Mostrou como foi formado o império da Rede Globo. Como ela foi uma cria da ditadura militar; como patrocinou acordos ilegais com uma empresa estrangeira – a Time-Life; como ela foi a principal porta-voz dos ditadores; como escondeu a campanha das Diretas-Já; como atuou para evitar a vitória de Brizola no RJ; como ajudou a eleger o “caçador de marajás”, Fernando Collor, à presidência da República; como fez de tudo para evitar a vitória de Lula e para desestabilizar o seu governo. A TV Globo foi desmascarada para milhões de brasileiros!

Nesta guerra de poderosos, os dois lados têm razão ao tratar dos pobres. Quem ganha nesta briga pela audiência é a sociedade. Assuntos de grande relevo chegam às telinhas e atingem milhões de pessoas até então desinformadas. Ela serve para mostrar a urgência da democratização dos meios de comunicação, que não podem ficar em mãos de inescrupulosas, sem qualquer regra legal.

Empresários temem a Confecom

Os poderosos empresários dos meios de comunicação, que tanto falam sobre a tal “liberdade de imprensa”, têm medo do debate democrático na sociedade. Eles não aceitam discutir o papel e as mazelas da própria mídia. Adoram atacar outros setores da sociedade, mas se recusam a discutir a própria situação deplorável dos meios de comunicação, que atentam contra a democracia.

Na semana passada, seis das oito entidades patronais que integravam a comissão organizadora da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) anunciaram que não participarão mais deste fórum. Elas fugiram da briga, acovardaram-se. Os barões da mídia queriam impor o temário da conferência, marcada pelo governo Lula para dezembro próximo. Exigiam que este fórum, que reunirá milhares de pessoas nas etapas municipais e estaduais, não tratasse da monopolização do setor, da falta de pluralidade nos seus veículos, da ausência de produção regional e independente.

Também queriam impor o critério de tirada de delegados, exigindo 40% de representação para os patrões – que não representam nem 1% da sociedade – e o “quórum qualificado” nas votações. Como houve resistência dos movimentos sociais e de alguns setores do próprio governo, os barões da mídia ficaram magoados e se retiraram. Azar deles. Fica evidente que eles não aceitam a democracia, que são golpistas, metidos a donos da verdade, que manipulam a sociedade. Agora é garantir que a Confecom seja democrática e ampla e que o governo também não se acovarde.
Postado por Miro às 22:10

domingo, 23 de agosto de 2009

Marte e o fenômeno das duas Luas cheias

Fui pesquisar na internet e achei isto
no site http:www.ronaldomourao.com/jornal/NewsClip/DefaultNewsShow.asp// :

Marte e o fenômeno das duas Luas cheias

Está circulando na internet um e-mail sobre o "fenômeno das duas Luas cheias".
Essa notícia é falsa. Um fenômeno como está descrito no e-mail ou artigo que está circulando na internet é impossível de acontecer.
Não é verdade que irá ocorrer uma máxima aproximação de Marte em 27 de agosto de 2009.
Uma grande aproximação ocorreu realmente em 27 de agosto de 2003, quando Marte esteve a uma distância de 55,758 milhões de km da Terra; a próxima será em 2287, quando a sua distância será de 55,688 milhões de km da Terra.
É um absurdo dizer que Marte aparecerá com as mesmas dimensões da Lua.
Para Marte parecer com o brilho e o tamanho da Lua, Marte teria que sair da sua órbita e se aproximar da Terra. Seria uma catástrofe planetária.
A grande aproximação de 2003.
Durante as noites de agosto de 2003, o planeta Marte foi o mais interessante objeto celeste visível vista desarmada, em virtude do seu brilho e de sua coloração acentuadamente vermelha, razão pela qual foi associado a Marte, deus da guerra entre os romanos.
Sua máxima aproximação da Terra ocorreu na quarta-feira, dia 27 de agosto de 2003, quando o planeta esteve a uma distância de 55,758 milhões de quilômetros da Terra. A última vez que tal aproximação ocorreu foi há cerca de 60.000 anos, quando os Homo Sapiens se aventuravam a sair do continente africano com destino a Europa.
É importante registrar que Marte estará ainda mais próximo da Terra, em 28 de agosto de 2287, quando a distancia será de 55,688 milhões de quilômetros da Terra.
Por este motivo, a aproximação de 2003 constituiu para o observador do século XXI interessado na contemplação do céu, uma ocasião única para apreciar o planeta vermelho. Na época, aproveitei contemplá-lo em meu passeio pela praia de Ipanema. Só os nossos tataranetos poderão observá-lo nestas condições.
A próxima aproximação de Marte será em 29 de janeiro de 2010.
Atualmente, Marte está visível no céu matutino, antes do nascer do Sol, na constelação do Touro (magnitude: 1,0). Em dezembro será visível na constelação do Leão (magnitude -0,4) durante quase toda noite a caminha da sua oposição em 29 de janeiro de 2010 na constelação do Câncer.

Postada por:
Editoria:NA MÍDIA
Fonte:Interna
DUAS LUAS EM 27 DE AGOSTO

A udenização do PSDB

Texto postado por Lucas Santos no blog Anti-tucano/clique aquí pra visitar blog.

O vício do PSDB em PiG e do PiG em PSDB é fruto da chegada da esquerda ao poder e a perda do eleitorado de centro.

O sucesso do Governo Federal e o consequente fim do medo regino-duártico em relação a políticas progressistas, fazem com que, do centro à esquerda moderada, os eleitores apoiem o também moderado governo Lula. Isto explica a alta aprovação do presidente e seu governo.

Explica também o deslocamento do PSDB à direita - a udenização do partido.

Com o referido apoio conseguido pelo governo do PT, caso o PSDB se mantenha com um discurso centrista, este partido não perderá apenas os votos para PT e seus aliados de centro (que vem tendo sucesso em administrar o país). Os tucanos também correm o risco de perder eleitorado para outro partido de direita.

Por exemplo: Imaginem o desastre eleitoral se os tucanos insistissem na história de que eles é que são criadores do Bolsa-Família. Primeiro: os eleitores de centro e de esquerda sabem que o PSDB é neoliberal, portanto, contra políticas de redistribuição de renda através do Estado. Assim, os "economistas" não ganhariam estes eleitores com tal estratégia. Segundo: se insistissem que são favoráveis ao Bolsa Família, perderiam o eleitorado direitista também - para o DEM, por exemplo.

Portanto, já que o centro está com os petistas, o PSDB se "udeniza" para garantir seu eleitorado de direita e centro-direita.

Não por acaso, o PFL se travestiu de DEMo - uma roupagem mais "light". Foi para tentar ganhar eleitores de centro-direita que venham estar insatisfeitos com o aturdimento tucano.

O problema para o PSDB é que essa direitização liberal, além de demodê atualmente e catastrófica num período recente, afasta-o desse eleitorado que ganha eleição: o de centro.

Ficar chamando a Petrobrás de caixa-preta e paquiderme não é nada popular entre eleitores moderados.

Assim, o aturdimento tucano é compreensível: Ficar à direita, garantir um eleitorado tradicional e aceitar perder o eleitorado centrista (e consequentemente as próximas eleições)? ou insistir na hercúlea tarefa de tentar reconquistar o centro - dizendo que não vai privatizar, que é pró-Bolsa-Família etc - correndo o risco de perder eleitores para o DEMO?

O que temos observado é que o PSDB tenta unir os dois: o partido udenizou-se porém tenta reconquistar o centro, com a ajuda do PiG, dizendo que o governo do PT é um mar de corrupção e que eles, tucanos, são honestos. Por isso o vicio tucano em PiG.

O PSDB precisa do PiG para emplacar esse discurso e se eleger.

O interessante é que o PiG precisa desesperadamente do PSDB, não só para se salvar enquanto empresas de comunicação, mas para que o poder econômico volte a ter o comando sobre o poder político.

(o governo Lula pode não ser socialista, mas está longe de ser o sonho do Capital).

Se os políticos tucanos não forem eleitos, tornam-se prefeitos, deputados, enfim, há saídas. Mas o PiG é a elite, o capital. Não pode esperar mais 4 anos. Isso explica o fato de o ping-pong entre tucanos e Mídia ter início com a Imprensa. Esta leva a denúncia ao parlamentar e não o contrário, como seria o normal. O eleitorado tucano está mais desesperado que os políticos tucanos. Por isso, a Mídia é mais golpista que a oposição.

Quanto ao discurso anti-corrupção, ele abrange todos os espectros ideológicos. Ocorre que corrupção é uma arte dominada magistralmente pelos tucanos. Nós, o povo, sabemos disso, mesmo que inconscientemente: "político é tudo ladrão", dizemos. Ou quando observamos escândalos serem abafados pela mídia porque chegaram a um tucano. Ou seja, se todos são ladrões - inclusive o PSDB, embora o PiG diga que não - as pessoas votam em quem vem fazendo um bom governo para elas.

O problema é o PiG, que cria um mundo virtual, onde os tucanos são honestos e os petistas são os mais corruptos da história mundial.

É esse o verdadeiro inimigo dos brasileiros em 2010: o PiG. O PSDB se desfaz por si só.

A propósito: se o eleitor de centro está com Lula - prova é que o presidente foi reeleito com brutal votação - faria sentido o PMDB, centrista, ser oposição? Só para a Veja isso tem lógica.

O PMDB é muito mais fisiológico quando apóia um governo ultra-liberal, de direita, como o dos tucanos do que quando apóia um governo de centro-esquerda.

ps: Não acho coincidência Alckmin e Serra terem tido ambos aproximadamente 36% dos votos nas duas últimas eleições. Talvez essa seja a parcela da população que, mesmo após a Era FHC, gostaria de um governo de centro-direita ou direita novamente.

Postagens populares